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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

A coisa mais importante do mundo

  
Por Naomi Klein 

A intelectual e ativista canadense fez um discurso histórico à Assembleia Geral do movimento Ocupar Wall Street. 

Eu amo vocês.

E eu não digo isso só para que centenas de pessoas gritem de volta “eu também te amo”, apesar de que isso é, obviamente, um bônus do microfone humano. Diga aos outros o que você gostaria que eles dissessem a você, só que bem mais alto.

Ontem, um dos oradores na manifestação dos trabalhadores disse: “Nós nos encontramos uns aos outros”. Esse sentimento captura a beleza do que está sendo criado aqui. Um espaço aberto (e uma ideia tão grande que não pode ser contida por espaço nenhum) para que todas as pessoas que querem um mundo melhor se encontrem umas às outras. Sentimos muita gratidão.
Se há uma coisa que sei, é que o 1% adora uma crise. Quando as pessoas estão desesperadas e em pânico, e ninguém parece saber o que fazer: eis aí o momento ideal para nos empurrar goela abaixo a lista de políticas pró-corporações: privatizar a educação e a seguridade social, cortar os serviços públicos, livrar-se dos últimos controles sobre o poder corporativo. Com a crise econômica, isso está acontecendo no mundo todo.
Só existe uma coisa que pode bloquear essa tática e, felizmente, é algo bastante grande: os 99%. Esses 99% estão tomando as ruas, de Madison a Madri, para dizer: “Não. Nós não vamos pagar pela sua crise”.
Esse slogan começou na Itália em 2008. Ricocheteou para Grécia, França, Irlanda e finalmente chegou a esta milha quadrada onde a crise começou.

“Por que eles estão protestando?”, perguntam-se os confusos comentaristas da TV. Enquanto isso, o mundo pergunta: “por que vocês demoraram tanto? A gente estava querendo saber quando vocês iam aparecer.” E, acima de tudo, o mundo diz: “bem-vindos”.

Muitos já estabeleceram paralelos entre o Ocupar Wall Street e os assim chamados protestos anti-globalização que conquistaram a atenção do mundo em Seattle, em 1999. Foi a última vez que um movimento descentralizado, global e juvenil fez mira direta no poder das corporações. Tenho orgulho de ter sido parte do que chamamos “o movimento dos movimentos”.

Mas também há diferenças importantes. Por exemplo, nós escolhemos as cúpulas como alvos: a Organização Mundial do Comércio, o Fundo Monetário Internacional, o G-8. As cúpulas são transitórias por natureza, só duram uma semana. Isso fazia com que nós fôssemos transitórios também. Aparecíamos, éramos manchete no mundo todo, depois desaparecíamos. E na histeria hiper-patriótica e nacionalista que se seguiu aos ataques de 11 de setembro, foi fácil nos varrer completamente, pelo menos na América do Norte.
O Ocupar Wall Street, por outro lado, escolheu um alvo fixo. E vocês não estabeleceram nenhuma data final para sua presença aqui. Isso é sábio. Só quando permanecemos podemos assentar raízes. Isso é fundamental. É um fato da era da informação que muitos movimentos surgem como lindas flores e morrem rapidamente. E isso ocorre porque eles não têm raízes. Não têm planos de longo prazo para se sustentar. Quando vem a tempestade, eles são alagados.
Ser horizontal e democrático é maravilhoso. Mas esses princípios são compatíveis com o trabalho duro de construir e instituições que sejam sólidas o suficiente para aguentar as tempestades que virão. Tenho muita fé que isso acontecerá.
Há outra coisa que este movimento está fazendo certo. Vocês se comprometeram com a não-violência. Vocês se recusaram a entregar à mídia as imagens de vitrines quebradas e brigas de rua que ela, mídia, tão desesperadamente deseja. E essa tremenda disciplina significou, uma e outra vez, que a história foi a brutalidade desgraçada e gratuita da polícia, da qual vimos mais exemplos na noite passada. Enquanto isso, o apoio a este movimento só cresce. Mais sabedoria.
Mas a grande diferença que uma década faz é que, em 1999, encarávamos o capitalismo no cume de um boom econômico alucinado. O desemprego era baixo, as ações subiam. A mídia estava bêbada com o dinheiro fácil. Naquela época, tudo era empreendimento, não fechamento.
Nós apontávamos que a desregulamentação por trás da loucura cobraria um preço. Que ela danificava os padrões laborais. Que ela danificava os padrões ambientais. Que as corporações eram mais fortes que os governos e que isso danificava nossas democracias. Mas, para ser honesta com vocês, enquanto os bons tempos estavam rolando, a luta contra um sistema econômico baseado na ganância era algo difícil de se vender, pelo menos nos países ricos.

Dez anos depois, parece que já não há países ricos. Só há um bando de gente rica. Gente que ficou rica saqueando a riqueza pública e esgotando os recursos naturais ao redor do mundo.

A questão é que hoje todos são capazes de ver que o sistema é profundamente injusto e está cada vez mais fora de controle. A cobiça sem limites detona a economia global. E está detonando o mundo natural também. Estamos sobrepescando nos nossos oceanos, poluindo nossas águas com fraturas hidráulicas e perfuração profunda, adotando as formas mais sujas de energia do planeta, como as areias betuminosas de Alberta. A atmosfera não dá conta de absorver a quantidade de carbono que lançamos nela, o que cria um aquecimento perigoso. A nova normalidade são os desastres em série: econômicos e ecológicos.

Estes são os fatos da realidade. Eles são tão nítidos, tão óbvios, que é muito mais fácil conectar-se com o público agora do que era em 1999, e daí construir o movimento rapidamente.
Sabemos, ou pelo menos pressentimos, que o mundo está de cabeça para baixo: nós nos comportamos como se o finito – os combustíveis fósseis e o espaço atmosférico que absorve suas emissões – não tivesse fim. E nos comportamos como se existissem limites inamovíveis e estritos para o que é, na realidade, abundante – os recursos financeiros para construir o tipo de sociedade de que precisamos.
A tarefa de nosso tempo é dar a volta nesse parafuso: apresentar o desafio à falsa tese da escassez. Insistir que temos como construir uma sociedade decente, inclusiva – e ao mesmo tempo respeitar os limites do que a Terra consegue aguentar.
A mudança climática significa que temos um prazo para fazer isso. Desta vez nosso movimento não pode se distrair, se dividir, se queimar ou ser levado pelos acontecimentos. Desta vez temos que dar certo. E não estou falando de regular os bancos e taxar os ricos, embora isso seja importante.
Estou falando de mudar os valores que governam nossa sociedade. Essa mudança é difícil de encaixar numa única reivindicação digerível para a mídia, e é difícil descobrir como realizá-la. Mas ela não é menos urgente por ser difícil.
É isso o que vejo acontecendo nesta praça. Na forma em que vocês se alimentam uns aos outros, se aquecem uns aos outros, compartilham informação livremente e fornecem assistência médica, aulas de meditação e treinamento na militância. O meu cartaz favorito aqui é o que diz “eu me importo com você”. Numa cultura que treina as pessoas para que evitem o olhar das outras, para dizer “deixe que morram”, esse cartaz é uma afirmação profundamente radical.
Algumas ideias finais. Nesta grande luta, eis aqui algumas coisas que não importam:

Nossas roupas.

Se apertamos as mãos ou fazemos sinais de paz.

Se podemos encaixar nossos sonhos de um mundo melhor numa manchete da mídia.

E eis aqui algumas coisas que, sim, importam:

Nossa coragem.

Nossa bússola moral.

Como tratamos uns aos outros.

Estamos encarando uma luta contra as forças econômicas e políticas mais poderosas do planeta. Isso é assustador. E na medida em que este movimento crescer, de força em força, ficará mais assustador. Estejam sempre conscientes de que haverá a tentação de adotar alvos menores – como, digamos, a pessoa sentada ao seu lado nesta reunião. Afinal de contas, essa será uma batalha mais fácil de ser vencida.

Não cedam a essa tentação. Não estou dizendo que vocês não devam apontar quando o outro fizer algo errado. Mas, desta vez, vamos nos tratar uns aos outros como pessoas que planejam trabalhar lado a lado durante muitos anos. Porque a tarefa que se apresenta para nós exige nada menos que isso.

Tratemos este momento lindo como a coisa mais importante do mundo. Porque ele é. De verdade, ele é. Mesmo.


Fonte: Revista Forum

Recebido de Vicente Adorno, por e-mail

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Corrupção - Significado e Relações com a atual Gestão Pública


Publicado em 15-Feb-2011  por Alexandre Curriel


O tema Corrupção vem ganhando destaque nos noticiários e a atenção de estudiosos. Mas o que efetivamente é Corrupção?
 
Corrupção vem do latim corruptus, significa quebrado em pedaços. O verbo corromper significa “tornar pútrido”
 
A Transparência Internacional (TI), define corrupção como o mau uso do poder investido para benefícios privados.
 
Corrupção, é o ato final e criminalmente punível, iniciado sempre por outro crime menor, nomeadamente falsidade, abuso de poder, abandono de funções, denegação de justiça (…), e cujo objectivo é, gestualmente, verbalmente ou sem respostas, intimidar, consentir, aguardar, aceitar, solicitar ou prometer uma vantagem patrimonial ou não-patrimonial indevida, para si ou para terceiro. O ato, se for habitual e continuado, se traduz em prejuízo grave para a economia e, em sequência, cria uma crise ao desestruturar a função utilidade ou a economia do investimento, que assegurariam a igualitariedade. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Corrup%C3%A7%C3%A3o_pol%C3%ADtica

 Conforme o Código Penal Brasileiro DECRETO-LEI No 2.848, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1940, o ato de corrupção pode ocorrer sob duas formas: Corrupção Ativa e Corrupção Passiva.
 
Corrupção ativa

Art. 333 - Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício:

Pena - reclusão, de 1 (um) ano a 8 (oito) anos, e multa.
 
Parágrafo único - A pena é aumentada de um terço, se, em razão da vantagem ou promessa, o funcionário retarda ou omite ato de ofício, ou o pratica infringindo dever funcional.
 
Corrupção Passiva

Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem:
 
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.
 
§ 1º - A pena é aumentada de um terço, se, em conseqüência da vantagem ou promessa, o funcionário retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o pratica infringindo dever funcional.

§ 2º - Se o funcionário pratica, deixa de praticar ou retarda ato de ofício, com infração de dever funcional, cedendo a pedido ou influência de outrem:

Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.
 
Este crime se configura quando o funcionário público usa da função pública como um "balcão de negócios". É o popular "tráfico de função".

Descritos os artigos referentes a corrupção podemos perceber que na corrupção ativa, os verbos empregados são oferecer e prometer vantagem indevida, já na corrupção passiva são solicitar ou receber tal vantagem, bem assim, aceitar promessa dessa vantagem prometida.

 Então temos as relações

    * Oferecer  - Receber
    * Prometer - Solicitar
 
Quando alguém oferecer, outro alguém pode ou não receber, bem como, quando alguém solicitar outro alguém pode ou não prometer.
 
Existe outros tipos de Corrupção como Suborno ou Propina, Nepotismo, Extorsão, Tráfico de influência, Utilização de informação governamental privilegiada para fins pessoais ou de pessoas amigas ou parentes, Compra e venda de sentenças judiciárias, Recebimento de presentes ou de serviços de alto valor por autoridades.
 
Um dos principais fatores favoráveis à corrupção é o regime de governo onde não há democracia, ou seja, o regime ditatorial ou autoritário. Nestes regimes, as estruturas governamentais de tomada de decisão concentram o poder de decisão em poucas pessoas.
 
A falta de simetria de informação entre os membros da sociedade e a falta de educação de qualidade dos países mais corruptos são outros fatores extremamente favoráveis à instalação e manutenção da corrupção porque cria um círculo vicioso de atividades de corrupção.
 
Atualmente existem organizações que tem como finalidade desenvolver pesquisas nos países para medir o nível de corrupção, uma delas é a ONG Tranparência Internacioal que faz uma classificação de acordo com a nota que vai de 0 a 10.
 
Destaco os melhores (onde o indice de corrupção é baixo) e a posição de alguns pasies como o Brasil em 2010:

1 - Dinamarca - 9.3
 
1 - Nova Zelândia - 9.3

1 - Singapura - 9.3

4 - Finlândia - 9.2

4 - Suécia - 9.2

6 - Canadá - 8.9

7 - Holanda - 8.8

8 - Austrália - 8.7

8 - Suíça - 8.7

10 - Noruega  - 8.6

21 - Chile - 7,2

24 - Uruguai - 6,9

30 - Israel - 6,1

33 - Puerto Rico - 5,8

41 - Costa Rica - 5,3

54 - Kuwait - 4,5

62 - Gana - 4,1¨

69 - Brasil - 3,7

69 - Cuba - 3,7

105 - Argentina - 2,9

146 - Irã - 2,2

164 - Venezuela - 2
 
As ações corruptas em geral tendem a beneficiar apenas os agentes de corrupção ativa e não a sociedade como um todo. O ganho dos agentes de corrupção passiva é extremamente pequeno em relação ao ganho financeiro dos agentes de corrupção ativa e menor ainda que as perdas econômicas ponderadas da sociedade.
 
Temos muito a evoluir para tornar o Brasil um pais menos CORRUPTO. Digo evoluir não como nação e sim como seres humanos.


AlexandreCurriel.blogspot.com



do site: www.gestopole.com.br

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Crimes na internet. Até quando?


Publicado em 17-Jan-2011,  por Gustavo Rocha


Nas últimas semanas observamos dois exemplos de utilização da internet na área criminal. Um positivo, outro negativo.
O positivo veio da Inglaterra, onde a polícia usou o facebook para descobrir possíveis pistas de um assassino. Leia reportagem aqui. Sabemos que a atividade policial é baseada em informações, indícios e perícia. Que lugar melhor que a internet para nos trazer possíveis pistas, dicas e informações? Pessoas conectadas a outras pessoas, cada qual com sua singularidade, mas com objetivos comuns de coletividade. Uma força realmente poderosa.
Mas, será que as pessoas sabem desta força?
Creio que ainda não. As pessoas não aprenderam que unidas tem força e separadas estão a mercê das empresas. Iremos publicar daqui alguns dias alguns exemplos práticos de twitter, onde explicitamos o poder que esta ferramenta tem diante de fornecedores inadequados. Não apenas o twitter, mas facebook, orkut, entre outros podem representar um marketing muito forte.
Se como coletividade temos força, porque não canalizar para o bem social?
Conforme a notícia, a iniciativa de usar o facebook para informações já deu resultado prático. Esperamos que continue assim em todo o mundo e não apenas na Inglaterra.
Infelizmente o exemplo negativo vem do Brasil. Crackers anunciam abertamente no UOL que não temem terem derrubado o site da presidencia porque as leis no Brasil não existem em relação a internet. Leia a notícia aqui.
O pior é que eles tem razão.
Ainda utilizamos leis antigas, a exemplo do código penal de 1940, para tratar dos crimes existentes. Como aqui o crime tem que ser tipificado, ou seja, sem o tipo penal não existe crime, enquanto os legisladores se preocuparem em aumentar seus salários ao invés de trabalharem para o povo, teremos leis inócuas ou inexistentes.
Precisamos urgente tipificar os crimes na internet. Ao atrair uma pessoa pela internet e tentar lhe assassinar, no Brasil podemos ter uma tentativa de homicídio. Agora, já que a pessoa dissimulou um perfil, buscou da boa fé de outras pessoas para conquistar a vítima, não temos um concurso de crimes ou até mesmo crime continuado? Não sou especialista em penal, mas penso que os crimes na internet são muitas vezes mais graves que os cometidos nas ruas. Primeiro porque são premeditados e ardilosos. Segundo, porque podem mascarar situações que na vida prática perceberíamos o problema.
Então, o que fazer?
Cobrar dos ilustres deputados que façam o que foram contratados através do voto a fazer: Legislem sobre o assunto.
Mas, infelizmente, tenho até medo de fazer este pedido, pois temos visto veradadeiros absurdos quando aquelas “mentes privilegiadas” falam em tecnologia. Vejam um exemplo aqui.
Peço que reflitam sobre o voto e o poder dele sobre nossas vidas. A mudança passa pelo legislativo numa democracia.
A escolha é sua e minha. O poder de decisão está no voto.
Pense nisto.
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Artigo escrito por Gustavo Rocha – Diretor da Consultoria GestaoAdvBr
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