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sábado, 9 de fevereiro de 2013

Pais que dormem perto de seu bebê são mais atenciosos

Homens mais envolvidos no cuidado dos filhos ficam mais sensíveis às demandas da criança e da parceira 

John Austin/Shutterstock

Dividir a cama com bebês é motivo de controvérsia entre especialistas em psicologia infantil. Alguns argumentam que isso ajuda a estreitar os vínculos; outros, porém, acreditam que, além de comprometer a segurança dos pequenos, não é saudável para a criança compartilhar do espaço de intimidade dos adultos. Agora, um estudo publicado na PloS One reforça os argumentos do primeiro grupo: homens que dormem perto de seus bebês apresentam quedas nos níveis do hormônio testosterona, o que os tornaria mais propensos ao cuidado e a atender as necessidades dos filhos.

O antropólogo Lee Gettler, da Universidade de Notre Dame, em Indiana, mediu as quantidades do hormônio em homens filipinos antes de serem pais e quatro anos depois do nascimento da criança. Os que relataram dormir na mesma cama que os filhos apresentaram quedas da produção de testosterona muito mais expressivas que os que dormiram em quartos separados. Estudos anteriores já mostraram que homens mais envolvidos no cuidado e na criação dos bebês têm menos testosterona. “Eles tendem a ficar mais sensíveis às demandas da criança e da parceira e a evitar comportamentos arriscados e de competição”, afirma Gettler.


Do site: www.mentecerebro.com.br

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Crianças relacionam super-heróis a alimentos saudáveis

Evocar ídolos infantis na hora das refeições incentiva os pequenos a colocar vegetais frescos no prato

Shutterstock / Fotomontagem Duetto Editorial

“O que o Batman comeria?” Segundo pesquisadores da Universidade Cornell, em Nova York, essa pergunta pode influenciar crianças a escolher comidas mais saudáveis. O pesquisador Brian Wansink observou o comportamento alimentar de 22 meninos e meninas entre 6 e 12 anos que participavam de um acampamento de férias na Holanda. Segundo ele relatou em artigo publicado na Pediatric Obesity, uma vez por semana, antes do almoço, ele e seus colegas mostraram aos pequenos uma dúzia de fotografias de heróis e vilões populares. Ao exibirem cada imagem, perguntavam às crianças qual opção de acompanhamento o personagem da foto escolheria: maçã fatiada ou batata frita – as mesmas oferecidas nas refeições do acampamento.

“Em média, apenas duas crianças optavam por frutas em vez de batata. Mas, nos dias em que fizemos o ‘exercício’ antes da refeição, cerca de dez delas pediram maçã”, diz Wansink, que explica que a maioria delas associou os ídolos aos alimentos mais saudáveis e os vilões à comida industrializada. “Talvez por terem uma ideia do que seria um comportamento alimentar mais correto”, acredita.

Uma porção de batata frita pequena, como a do estudo, contém 227 calorias, contra 34 do pacotinho com maçã. De acordo com os cálculos feitos pelos pesquisadores, no caso de crianças que consomem fast-food uma vez por semana, trocar a fritura pela fruta pode evitar o ganho de 3 quilos a mais em um ano. “Redes de fast-food investem pesado em publicidade. Vários estudos constatam o forte apelo sobre os mais jovens e até mesmo sobre os pais. Recorrer às imagens de super-heróis pode contrabalançar essa influência”, sugere Wansink.


Do site: www.mentecerebro.com.br

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Promessa de Ano Novo!


Eu prometo...

Que no ano que vem...

Eu vou mudar de time!

Confira: 

 


quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O que é um autor


A maior parte do que se faz em ciência é uma espécie de repetição de grandes pensadores

Gonçalo Viana

Já se tornou um clássico o pequeno artigo do filósofo Michel Foucault chamado “O que é um autor”.  A tese geral é simples e eficaz. Há poucos fundadores de discurso. A maior parte do que se diz e do que se ouve, do que se faz e do que se critica, em ciência e literatura, é uma espécie de repetição de grandes esquemas interpretativos, dos quais o criador da psicanálise Sigmund Freud e os pensadores Friedrich Nietzsche e Karl Marx seriam exemplos maiores e hoje extintos, juntos com a figura do intelectual público. Também na literatura a pessoa do autor, com a sua incrível carga de autoridade moral, que os escritores Honoré de Balzac ou Emile Zola chegaram a alcançar, se dilui na função impessoal do autor, assim como a obra se desfaz na ideia de escritura, sistema de citações, paráfrases e inter-remissões que desconstrói o mito do texto original, reduzindo-o a um problema de copyright.  Em resumo: somos todos plagiários de ninguém. 

Contudo, há várias maneiras de permanecer anônimo. Duas experiências opostas me mostraram isso na mesma semana. Primeiro, fui realmente surpreendido pelo fato de que meu livro  Estrutura e constituição da clínica psicanalítica (Annablume, 2011) recebeu o prêmio Jabuti, na categoria Psicologia e Psicanálise. Festa na geral e arquibancada, como se o Palmeiras tivesse escapado da segunda divisão. Triunfo para os diferentes amigos, grupos de pesquisa, instituições, alunos e orientandos com quem partilhei a escrita, as ideias, apresentações e ensaios do texto. Escritura. Não há mais autores, só grupos de trabalho que funcionam.

Mas a segunda experiência me fez reconsiderar isso. Há sete anos Madalena Freire, a filha e herdeira intelectual do educador e filósofo Paulo Freire, realiza uma verdadeira aventura educacional nos morros do Rio de Janeiro. Coordenando um curso de formação universitária para professores de creches ela teve de se haver com a dura realidade da ausência de recursos, dos contrastes culturais, da pauperizada educação brasileira. Mas, ao contrário da estratégia majoritária na matéria, ela não escolheu a transmissão do saber por meio de métodos impessoais, de técnicas racionalizadas ou de escrituras pré-fabricadas sobre o ensino e aprendizagem. 

A fórmula, simples e eficaz como a de Foucault, baseia-se em começar o curso de três anos com uma recuperação cerrada e radical sobre o que teria sido a experiência escolar de cada uma das professoras. É condição de inscrição que as professoras convivam cotidiana e intimamente com a comunidade onde ocorre o curso. As suas autobiografias formativas revelavam os caminhos pelos quais cada uma delas havia chegado ao improvável desejo de educar. Contra a demanda de obedecer, contra a impessoalidade uniformizante do ensino de massa, contra a facilidade da identificação grupal, a experiência do Pró-Saber apostou em uma ideia simples, e aparentemente ultrapassada, de que cada um pode ser autor de pelo menos uma história: a sua própria história. O curso, baseado na descoberta da relação de autoria com o saber, que poderá desde então ser transmitida para as crianças, é um amplo sucesso. Bem menos noticiado do que as unidades de polícia pacificadora (UPPs), a evasão é baixa a excelência e o impacto transformativo, elevado. A disposição para a escrita -comprova-se pelos trabalhos de conclusão. Como na psicanálise, vale aqui a regra geral da formação: antes de praticar é preciso passar por, pensar sobre e se apropriar de.

Foucault estava certo, mas Madalena também. O autor, como grande figura de iluminação individual para o progresso das massas, está morto. Não passava de uma ilusão narcísica de que há algo ou alguém por trás dos sistemas impessoais de determinação. Mas o pequeno autor, aquele que é capaz de refazer os fios de indeterminação de sua história, criando e se desfazendo dos grandes processos administrativos e metodológicos de despersonalização educacional, este ainda vive.  E caminha lenta, mas seguramente, como um Jabuti.
 
Do site: www.mentecerebro.com.br


 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Adeus, Papai Noel


Ícones da fantasia infantil influem no relacionamento consigo mesmo e com o outro na idade adulta

Rossella Apostoli/Shutterstock

por Gérald Bronner

Às vezes descobrir a verdade pode ser muito desagradável e até mesmo violento. Todos nós, no decorrer da vida, passamos pela experiência dolorosa da perda de ilusões. Umas das mais comuns no mundo ocidental é a crença na existência do bom velhinho vestido de vermelho e branco, guiando um trenó puxado por renas que voam e distribuindo presentes para todas as crianças do mundo. A descoberta da ficção ocorre geralmente quando a criança tem por volta de 6 ou 7 anos, Nem todos se recordam do “desaparecimento” desse personagem, mas entre os que conservaram alguma lembrança, muitos lamentam a desilusão que sofreram. E ela não vem sozinha.

O fim da primeira infância é acompanhado pela mudança dos sistemas de representação, pelo abandono de certa visão de mundo. É preciso deixar para trás um universo ao mesmo tempo terrível e encantado, o que gera perdas e ganhos. Desaparece o monstro no armário, mas também a fada capaz de realizar os nossos desejos.

Estes mitos são muitas vezes vistos pelos adultos como tolices sem importância, e alguns pais tendem a considerar o desaparecimento da possibilidade de acreditar em Papai Noel apenas como uma fase necessária no processo de amadurecimento. Desse modo, porém, subestimam aspectos importantes. Um deles é o fato de que essa etapa possa ser fundamental na constituição das bases de relacionamento consigo mesmo e com o outro ao longo da vida. Afinal, não se trata apenas do desaparecimento de uma crença, mas envolve a natureza das relações que a criança mantém com as pessoas que estão à sua volta – ainda que com boa intenção, mentiram para ela. Além disso, os adultos podem menosprezar a capacidade lógica dos pequenos, embora seja justamente na qualidade de ser racional que a criança adere a esse mito, inacreditável aos olhos do adulto – e, numa nova etapa do desenvolvimento cognitivo, se liberta dele.

Então, como enfrentar o problema para permitir que esta ruptura se produza sem traumas? A garantia de continuar a receber presentes parece servir como compensação para a agitação cognitiva – é útil lembrar-se dela quando a criança confessa o fim da própria crença. Além disso, deixando de acreditar em Papai Noel as crianças têm a impressão de entrar no “círculo das pessoas grandes”, em uma espécie de rito de passagem que pode ocorrer de maneira indolor se os pequenos tiverem a impressão de tirar uma vantagem da fantasia. Por exemplo, a passagem será sentida positivamente se a criança tiver irmãos, primos ou amiguinhos menores e aceitará de bom grado transformar-se em um dos atores da pequena comédia anual. Participando do segredo, ela tem a impressão de compartilhar algo do mundo dos adultos: obtém uma missão de confiança.

Se a criança é filha única, com certeza apreciará a ideia de fazer uma brincadeira com os adultos, vestindo-se ela própria de Papai Noel na noite de Natal. Isso lhe permitirá rir com os outros – e não se sentir traída. Em geral, quando a criança começa a ter dúvidas é melhor parar de mentir. Não se trata de lhe dizer brutalmente a verdade, porque o fim inesperado da crença poderia ser mal vivenciado, mas de lhe fazer as mesmas perguntas. Se a criança perguntar por que o Papai Noel não faz isto ou aquilo, basta dizer: “E você? O que você acha?”. Mas, se ela indagar diretamente se o velhinho existe, é possível dizer algo como “É uma pergunta que você deve responder sozinha, talvez você já saiba a resposta”. Se a criança estiver pronta para juntar suas constatações próprias, como os indícios que se conectam no fim de um livro policial para que o enigma seja solucionado, ela apresentará essa conclusão. E, nesse caso, merece receber os cumprimentos por sua perspicácia. Se ainda não for a hora de abrir mão da fantasia cabe aos adultos respeitar – e aguardar.

Porém, uma última questão permanece suspensa: por que induzir as crianças a acreditar que Papai Noel existe? Não é apenas uma maneira de fazer com que tenham uma decepção no futuro? Todo pai ou mãe deve tomar a própria decisão, mas – sem pretender ter a resposta certa e definitiva – vale lembrar que as pessoas têm a possibilidade de acreditar de maneira tão pura no mundo mágico apenas uma vez na vida. Além disso, as fronteiras do país das maravilhas se fecham cedo, por volta dos 6 ou 7 anos. Mas ele pode deixar boas recordações.


Do site: www.mentecerebro.com.br

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Repasse de Conhecimento




Estava um belo dia ensinando um colega de trabalho a como aplicar uma determinada ferramenta, na ocasião tratava-se da lógica de construção de um check-list de 5S e Gerenciamento Visual que atrelasse o ganho da gestão à redução de custos no processo.

Era algo bem específico do processo em questão. Para esse tipo de check-list não havia receita pronta nem padrão referencial inicial, deveríamos construí-lo do zero, de acordo com as características envolvidas, das variáveis que se controlava, dos objetivos que se desejavam alcançar e principalmente em como isso poderia ser feito sem que fosse encarado como mais um fardo, mas sim algo que ajudasse a gestão do supervisor.

Quando terminei e deixei-o fazendo o esboço inicial fui interpelado por outro colega que me questionou: “Por que você está dando a faca e o queijo não mão do cara? Isso só você aqui sabe fazer!”.

E me disse isso num tom quase que de espanto, que só foi superado pelo meu.

De imediato e quase autômato respondi: “É verdade! Fiz besteira!”. Fiz besteira? Como ensinar a alguém pode ser besteira? Desde quando repassar conhecimento é besteira? Cheguei a essa conclusão logo depois, quando já estava só e repassando esse momento na minha cabeça. Eu agradeço de mais e sempre o farei aos meus mestres, tanto os do conhecimento teórico quanto do prático. Foi o repasse do conhecimento deles que me ajudou a ser o que sou hoje. Então seria lógico que eu ajudasse quando coubesse a mim este papel. E era o que estava fazendo. Qual seria o problema nisso? O problema está em ver isso como problema.

O sentido da palavra repassar é passar de novo. Ora! Como assim passar de novo? Simples! Não geramos conhecimento do nada, no máximo adaptamos e transformamos o existente em algo novo.

Na natureza nada se cria, tudo se transforma. Já escutou isso,certo? Então, tudo que temos de conhecimento, de uma forma ou de outra nos foi repassado. Tentar quebrar essa lógica é ilógico, contraproducente e ineficaz sob vários pontos de vista. Não devemos entender repasse como transferência. Não transferimos conhecimento, pois transferir compreende uma imutabilidade do objeto transferido, o que não é o caso.

Transferimos um arquivo, um livro, algo sólido e palpável, não conhecimento. E a forma com que o recebemos e processamos varia de um para outro. Portanto, repassamos uma premissa, uma lógica, uma teoria, como ela vai ser absorvida e processada é uma incógnita. Aí é que está a diferença.

Podemos reter o conhecimento que temos, entregando fórmulas prontas ou soluções idem, dizendo “o que”, mas não “o como”. Mas, em algum momento essas fórmulas e soluções serão conhecidas ou melhoradas em outra parte e fora de nosso alcance de controle. Momentaneamente isso nos trará vantagem.

Se formos egoístas um pouco acima da média, veremos isso como vantagem a ser utilizada sempre. E até será dependendo do âmbito a que se trate. Dois exemplos simples? O primeiro trata-se de alguns consultores. Dificilmente eles dizem “o como”. Entregam a solução pronta, mas não repassam o conhecimento do como aplicá-la. Acompanham até certo ponto e saem de campo. O que acontece no final? Um retrocesso ao status quo, já que a empresa não mudou sua cultura, isso devido ao fato de que muitas vezes não há tempo hábil suficiente para que a correta compreensão se alinhe.

O segundo? Quantas vezes você já segurou alguma informação para se beneficiar dela antes de alguém? Ou quantas vezes ensinou apenas o básico, mas não o “pulo do gato” a alguém? O conhecimento talvez seja uma das poucas coisas na vida que não retrocedem. A não ser que se extinga a raça humana de súbito, o que é pouco provável que ocorra. No final das contas então, por que seria eu a quebrar esse elo? Não! Eu não.

Fui ensinado, e acredito nisso, que o repasse de conhecimento é fundamental no processo de melhoria. Quando se ensina, ganha-se tempo, uma vez que o objeto alvo do repasse tende a não cometer os mesmos erros, e reduz-se o custo, afinal, não faremos aporte de capital em tentativas fadadas à falha ou que desbravam riscos ainda não conhecidos. Empresas que entendem isso trabalham e mantêm o conhecimento vivo.

Mas infelizmente poucas o fazem. O que se vê comumente é sua estagnação quando aquele funcionário chave deixa a empresa e “leva-o” consigo.

As práticas desenvolvidas, a cultura implementada e os ganhos alcançados tendem à morte e os processos ao retrocesso. Lembra-se da especulação sobre a Apple depois da morte do Steve Jobs? Ela teria “virado” Steve Jobs ou apenas estava “sendo” Steve Jobs enquanto este a presidia? Vi isso acontecer inúmeras vezes. E de quem é a culpa? Do funcionário que levou o conhecimento embora? Dele ainda que não o repassou? Da empresa que não o segurou? Da empresa que não tem prática em manter uma cultura criada? Não sei.

Talvez um pouco de cada, talvez alguma outra coisa, ou tudo junto e mais uma outra coisa. Depende do contexto. Acredito que nossa parte deve ser cumprida: repasse incondicional do saber.

A empresa por sua vez deve criar e manter uma cultura que propicie não só esse repasse como sua manutenção, mesmo que os agentes iniciais da mudança mudem. Nossa parte deve ser cumprida.

Repito: repasse incondicional. Quando o fazemos nos obrigamos a melhorar, se quisermos continuar como referência. Isso é positivo, pois no joga num ciclo de melhoria constante.

Quando o fazemos nos obrigamos ao crescimento, pois, aprendemos no ensinar e reforçamos nossas premissas no confronto com outras. Refutamos as fracas e reiteramos as embasadas. “Ah! Mas, se você ensinar tudo vai ficar sem carta na manga”, disseram-me uma vez.

E pensei: “o que sei, qualquer um pode saber se buscar as fontes, mas concatenar os conhecimentos para pô-los em prática para gerar ganho, ninguém vai saber como eu sei”.

A forma com que sei, somente eu sei. O que nos diferencia não é o conhecimento que temos, mas o que fazemos com ele.

E isso é uma outra longa e complexa história.


João Paulo de S. Silva  |  Publicado em: 09/10/2012, no site: www.qualidadebrasil.com.br

domingo, 2 de dezembro de 2012

Peixe para as crianças

Consumo de pescados pode reforçar a inteligência e sociabilidade

Zurijeta/Shutterstock

Os ácidos graxos ômega 3 reduzem o risco de várias doenças. Melhoram a circulação sanguínea e a pressão arterial, reduzem o risco de doenças reumáticas, infarto e outros problemas cardíacos como arritmias. Em um estudo longitudinal, um grupo de pesquisa anglo-americano demonstrou que, ao incluir o peixe no cardápio de uma gestante, as vantagens repercutem também no desenvolvimento de bebês e crianças pequenas. Há indícios de que o consumo de produtos à base de peixe pode reforçar a inteligência e sociabilidade.

Mas nem todo peixe contém as mesmas quantidades de gordura: um percentual equivalente a 2,6 significa que 100 gramas de salmão criado em cativeiro contêm até 2,6 gramas de dois ácidos graxos ômega 3 poli-insaturados, em particular o ácido eicosapentaenoico (EPA) e o docosaexaenoico (DHA). A porcentagem oscila dependendo de fatores como a estação do ano e a alimentação do animal.

Porém, algumas espécies, como o peixe-espada e o lúcio, podem acumular substâncias venenosas, em particular o mercúrio, um metal pesado. Por isso, mulheres grávidas ou em fase de amamentação e crianças pequenas devem evitar o seu consumo. Mas os cinco peixes à frente da classificação por porcentagem de ômega 3 (veja abaixo) contêm não mais que 0,05 miligrama de mercúrio – o valor limite para metais pesados nesse tipo de alimento. A tabela mostra o conteúdo de EPA e DHA nas diversas espécies.

• Salmão de cativeiro 2,6%

• Anchova 2,1%

• Arenque (Atlântico) 2,0%

• Sardinha do Atlântico 1,2%

• Sardinha, salmão natural 1%

• Truta, atum branco 0,9%

• Peixe-espada, vôngole 0,8%

• Ostras 0,7%

• Hipoglosso, merluza preta, fishburger (fast food) 0,5%

• Caranguejo, vieira, sardinha real 0,4%

• Camarão de mar, mexilhão 0,3%

• Bacalhau, siluro, bolinhos de peixe (congelados) 0,2%

• Camarão 0,1%


Do site: www.mentecerebro.com.b r

sábado, 1 de dezembro de 2012

Nova tradução de Sigmund Freud


A editora Companhia das Letras está lançando, em 20 volumes, as Obras Completas do autor

Divulgação

Este ano, parte da obra do criador da psicanálise Sigmund Freud entrou em domínio público, o que permitiu que novas traduções fossem feitas diretamente do alemão, idioma em que ele escreveu. A editora Companhia das Letras está lançando, em 20 volumes, as Obras Completas do autor. Em setembro, chegou às livrarias o volume 11, Totem e tabu, contribuição à história do movimento psicanalítico e outros textos (1912- 1914). Traduzida pelo historiador Paulo César de Souza e organizada na sequência cronológica em que os ensaios foram originalmente publicados, a coleção, ricamente ilustrada com imagens das estatuetas que pertenciam à coleção pessoal do médico vienense busca ser o mais fiel possível ao autor, sem interpretações ou comentários teóricos. Souza rejeita, por exemplo, alguns termos popularizados, como “ego”, que volta a ser “eu”, como no alemão. 

O destaque do livro é o artigo “Totem e tabu”, um dos mais ousados trabalhos de Freud, considerado pelo próprio autor seu texto mais bem escrito e inovador – ele constrói uma reflexão sobre a origem da civilização e traça um paralelo entre o mito da horda primeval e o da morte do pai totêmico (basicamente, sobre a ambivalência de sentimentos em relação à figura paterna, que é ao mesmo tempo aquela que reprime e que protege) e as origens das instituições sociais e culturais, além da religião e da moralidade. Após ser publicado, o livro permaneceu como um de seus favoritos durante toda a vida, sendo mencionado com frequência em seus estudos posteriores. 

Obras completas, volume 11: Totem e tabu, contribuição à história do movimento psicanalítico e outros textos (1912-1914). Sigmund Freud. Paulo César de Souza (tradutor). Companhia das Letras, 2012. 448 págs., R$ 54,50.

Do site: www.mentecerebro.com.br

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Aprenda com ritmo

Aulas de dança de salão exercitam a cognição, a memória e as habilidades sociais 

Suzana Herculano-Houzel
Gonçalo Viana


Aprender é algo que o cérebro faz a vida toda, conforme nossas experiências vão deixando suas marcas em nossos neurônios e suas conexões. O que funciona, e é usado, fica; o que não serve vai sendo descartado, cedendo lugar para outras informações. Se você estiver precisando se convencer de que continua capaz de aprender, e ainda quiser se divertir, suar a camisa e fazer amigos tenho uma sugestão: experimente fazer aulas de... dança de salão.

Lições de dança são um ótimo exemplo de como o aprendizado, de modo geral, acontece, e dos fatores que o influenciam. Para começar: nada de aprender uma coreografia complexa de uma vez só. Os professores sabem há tempos que o cérebro assimila novos programas motores aos poucos, então ensinam os passos em etapas. O córtex motor elabora a nova sequência de movimentos, até então nunca usada, ordena sua execução e começa a ajustá-la, de acordo com erros e acertos, com a ajuda dos núcleos da base. Cada movimento fica mais fluido conforme o cerebelo, através de tentativa e erro, vai ajustando os movimentos adequados, antes mesmo que eles sejam executados.

Mas, para a dança de salão, não basta aprender os passos; é preciso aprender os sinais associados a cada um, os pequenos gestos com que o cavalheiro conduz sua dama, indicando-lhe, sem falar, qual será o passo seguinte. Tudo isso requer repetição, mas prestar atenção é fundamental. Por definição, já que nossa atenção é limitada a uma coisa de cada vez, tem sempre mais eventos ocorrendo do que nosso cérebro consegue dar conta – e a atenção é o filtro que serve como porta de entrada para a memória. Sem prestar atenção no professor ou no parceiro, nada feito. O que é ótimo: como é preciso concentrar esforços sobre as próprias pernas, os problemas do mundo ficam... lá fora.

Depois de aprender os sinais e polir cada sequência de movimentos, é hora de coordená-las em um programa motor completo, que cuida da execução fluida de combinações de sombreros, coca-colas, ochos e outros passos – no ritmo da música, de preferência, se seu cerebelo ajudar. E haja cerebelo para manter o prumo com tantos rodopios. Motivação também é fundamental. Afinal, para ter a prática que leva à perfeição, ou pelo menos ao bom desempenho, é preciso ter vontade: é preciso querer estar ali. Experimentar um pouco de tudo nos dá oportunidade para descobrir do que gostamos, mas poder escolher investir no que se realmente gosta é fundamental.

Com a prática, chega-se ao ponto tão desejado onde a execução dos programas motores aprendidos se torna automática, liberando o córtex cerebral para outros assuntos, como conversar com o parceiro ou até cantarolar a música. É aqui que dançar deixa de ser esforço e vira prazer puro: sequências de movimentos executados sem precisar de supervisão cortical, simplesmente em resposta aos movimentos do outro. Seu cérebro aprendeu a dançar!

Dança de salão é tudo de bom. Academias são lugares alegres, cheios de jovens e idosos, todos dispostos a aprender coisas novas – e ainda oferecem um exercício completo para corpo e cérebro. Dançando, é possível suar, dar um fim a toda tensão muscular acumulada durante o dia, e manter saudável a resposta do cérebro ao estresse. Dançar ainda treina a memória, com o aprendizado de passos e nomes novos; exercita suas habilidades sociais, necessárias para interagir de modo cortês com pessoas desconhecidas e fazer novos amigos, e ativa o sistema de recompensa, o que garante boas horas de prazer e diversão.


Do site: www.mentecerebro.com.br

domingo, 25 de novembro de 2012

Educação - Criando Exemplos


Você se torna o herói de seu filho quando ele lhe vê como o exemplo a ser seguido. É o pai herói, algo muito assustador. 
Por muitos anos convivi com um professor na USP que era muito estudioso. Ele era um idealista, acreditava que faria um mundo melhor se somente sua visão política fosse compartilhada por todos. Pregava a luta armada para chegar ao poder, coisa comum na universidade quando eu era mais jovem.
Era sério e sisudo, nunca o vi soltar uma gargalhada; trabalhava aos sábados e domingos e ia a todas as reuniões de protestos. Fumava, mas não bebia. Não tomava sol por causa dos raios ultravioletas e era vegetariano por convicção. Bastante tímido, vestia-se mal; não era necessariamente uma pessoa encantadora. Você tinha que fazer um enorme esforço para conhecê-lo. Não me parecia uma pessoa feliz, pois os problemas do mundo pareciam que residiam nos seus ombros.
Ele me fazia lembrar da famosa cena contada por Kierkegaard. Um homem abstraído, tão preocupado com problemas mais importantes que ele, que lentamente se esquece de que existe, de que tem valor por si só, a tal ponto que um dia ele acorda e descobre que está morto.
Muitos professores universitários acabam assim. Frustrados por não terem mudado o mundo, amargurados com o rumo diverso do planeta. Os seus filhos dificilmente irão considerar estes mestres como exemplos a ser seguidos. Infelizmente, são poucos os professores que seus filhos irão idolatrar.
Um aluno aprende mais pelos exemplos de seus pais, amigos e de alguns poucos professores do que pelas pérolas de sabedoria contidas nos livros textos e transmitidas em aula.
Nossos filhos sonham encontrar na faculdade belos exemplos de adultos líderes da sua sociedade, para fazer contraponto com as falhas e fraquezas de seus pais. Infelizmente, a maioria se decepciona. A maioria dos pais também se decepciona com o que os filhos aprendem na escola e os exemplos de vida que deveriam ser seus professores.
Lee Iacocca, ex-presidente da Chrysler, quis ser presidente da República e mandou publicar o seguinte anúncio: “Se a nossa sociedade fosse inteligente, colocaria seus membros mais qualificados como professores de nossos filhos, e nós, pobres mortais, ficaríamos com os empregos menos importantes da economia.”, como ser presidente da Chrysler.
Em defesa dos professores, devo lembrar os leitores que com os salários atuais da maioria dos professores não dá para contratar os “membros mais qualificados” da sociedade. São os membros mais altruístas da sociedade, isto sim.
Quantas vezes já participei de reuniões de pais de alunos, lutando para não reduzir as anuidades escolares, e sim aumentá-las para melhorar o nível dos professores. Muitos pais não percebem que reduzir anuidades das escolas significa reduzir a qualidade dos professores no ano seguinte.
Sociedades que se desenvolvem pela emulação e pelo exemplo são mais ágeis do que as que se desenvolvem com maciços investimentos em educação. Educação, na maioria das vezes, significa ensinar as teorias do passado — e não soluções inovadoras do presente.
Países onde se investe maciçamente em pesquisas, e onde os professores mostram em primeira mão estas pesquisas aos seus alunos, não estão ensinando no sentido clássico da palavra. Eles estão mostrando o exemplo, exemplos novos de teorias e soluções.
Não sou contra universidades. Sou a favor da criatividade, da pesquisa, da ciência, algo que nossas universidades públicas e privadas nem sempre ensinam. O Brasil até recentemente estava entre os últimos colocados em patentes.
Nossas universidades são inclusive pródigas em desdenhar os exemplos que surgem na sociedade civil, as lideranças que emergem do seio da sociedade. Empresários, executivos, administradores, políticos eleitos, e especialmente os líderes religiosos são vistos e retratados pelos nossos intelectuais com desprezo.
Nossa civilização está cada vez mais em frangalhos em termos éticos e morais justamente porque desdenhamos cada vez mais o exemplo da nobreza humana.
Ao escrever este capítulo, me dei conta de que praticamente dediquei a minha vida inteira a mostrar à sociedade brasileira os grandes exemplos que tínhamos neste país e que ignorávamos.
Iniciei minha carreira em 1974, quando criei a edição “Melhores e Maiores” para a revista Exame, na qual selecionava as trinta melhores empresas brasileiras, anualmente.
Foi o início de um movimento que hoje se chama benchmarking. Era uma nova forma de ver o mundo, era uma nova forma de desenvolver pesquisas, a de mostrar os bons exemplos, na área da administração.
A ciência de 1870 a 1950, e em alguns casos até hoje, era dominada por um método de pesquisa que consistia em observar doenças, o lado ruim, os defeitos, os fracassos. Até hoje a medicina gasta mais em cura de “doenças” do que em medicina preventiva, ou medicina sadia, em como manter um corpo sadio.
Sigmund Freud dominou a Psicologia por muitos anos baseado nas neuroses e as psicoses humanas, que ele observava nos seus pacientes doentes. Até hoje temos muito pouca pesquisa sobre personalidades sadias, justamente porque pessoas sadias não procuram médicos e psiquiatras.
Depois de 25 anos de “Melhores e Maiores”, decidi repetir a metodologia para criar e divulgar o prêmio “Bem Eficiente”, mostrando as melhores entidades beneficentes deste país, os grandes exemplos de solidariedade humana que temos.
O prêmio ajudou a mostrar o exemplo na área social, as cinquenta melhores entidades beneficentes deste país. Mas iniciativas como estas são poucas na imprensa brasileira. O tema diário é normalmente sobre nossos maus exemplos, casos de corrupção, politicagem, crimes de todos os tipos, desastres, etc.
Quem você conhece pessoalmente que lhe serve de exemplo? Quem são seus “gurus”, termo nem sempre bem visto no Brasil?
Quem seu filho terá como exemplo no futuro? Quem seu filho tem como exemplo no presente? Se você não se preocupar com esta pergunta e tiver respostas claras até os oito anos de idade dele, se você não criar oportunidades para que ele aprenda destas pessoas que você escolheu, ou ajudou-o a escolher você corre um enorme risco.
Bertolt Brecht, famoso dramaturgo alemão, dizia que “pobre era o país que precisava de heróis”. Eu diria justamente o contrário. Pobre é o país que possui poucos heróis e exemplos a seguir.
Os poucos heróis que surgem de tempos em tempos, parece que temos uma certa dose de prazer em logo os destruir.
Diante dessa triste situação, a verdade é esta. O grande exemplo para os seus filhos será você.
Você e seu cônjuge. Vocês dois são os únicos exemplos em quem seus filhos poderão se basear.
Portanto, cuide para que sejam bons exemplos. É assustador mas eles irão aprender muito mais de você do que você pode imaginar.
Seu filho só tem você para aprender que a vida é bastante diferente da vida intelectual da universidade. Com você ele aprenderá a lidar com erros, incertezas e flutuações da vida. Aprenderá a lidar com reveses, como os meses em que você não tem salário garantido para pagar as contas. Nessas ocasiões ele observará se você se desespera ou se segue em frente.

Do blog do Stephen Kanitz - Posted: 13 Nov 2012 01:00 AM 

Recebido do autor por e-mail

sábado, 10 de novembro de 2012

Guerras e guerras



“Combater a si próprio é a mais dura das guerras,
vencer a si próprio é a mais bela das vitórias.”
(Friedrich von Logau)


Desde pequeno acostumei-me com a guerra.

Primeiro foi uma guerra para sair do conforto do ventre de minha mãe, onde eu tinha alimento e segurança, num dia que chamaram de parto e depois deram o nome, talvez só para me tapear, de aniversário.

Depois veio uma guerra particular bem interessante que consistia em ficar em pé e aprender a andar.

Lá pelos quatro anos de idade fui apresentado a um verdadeiro arsenal de guerra, formado por bisnagas de plástico, confetes e serpentinas, durante uma festa que atendia pelo nome de Carnaval. Eram guerras bem animadas!

Anos depois, viriam as guerras que guardo com mais carinho na memória. A guerra de almofadas que começava na sala e terminava como guerra de travesseiros no quarto. Foi uma época de desenvolvimento de táticas de guerrilha. Eu me entrincheirava atrás do sofá e espalhava sapatos e chinelos-mina pela sala e corredores.

Trocar a TV, o videogame e as brincadeiras com os colegas pelas tarefas escolares eram uma guerra e tanto. O mesmo para arrumar o quarto, tomar banho e ir dormir cedo.

Então veio uma série de outras guerras. Guerra para ser aceito pelo time de basquete do clube, mesmo sendo baixinho. Guerra para tirar boas notas e se destacar na escola. Guerra para entender as transformações que os hormônios provocavam no corpo. Guerra para criar coragem e convidar aquela garotinha para sair...

Mais alguns anos e as guerras foram tomando conotação mais séria. Guerra para passar no vestibular. Guerra para obter o diploma. Guerra para conseguir um emprego e, estando nele, aprender a aceitar a hierarquia, os conchavos nos corredores, as conspirações no hall do café, as armadilhas no elevador. Guerras corporativas engendradas por coronéis sem patente, travadas por soldados muitas vezes lançados a campo sem treinamento e provisões. Guerra contra a concorrência, sem interesse na diplomacia. Guerra contra a ineficiência, sem previsão de armistício. Guerra pelo consumidor, por sua preferência e fidelidade.

E, nesta toada, guerra para encontrar uma alma gêmea. Guerra para seduzi-la a casar-se e, depois, a separar-se. Guerra pela custódia dos filhos. Guerra para montar uma empresa, pagar salários, pagar impostos – e, de repente, ter que fechar a empresa. Guerra contra os juros do cheque especial.

Lendo os jornais observo o desenrolar de outros tipos de guerra. Guerra pela demarcação geográfica, guerra pelo petróleo, guerra pela autoridade. E, talvez, a pior de todas: a guerra em nome de Deus, a que chamaram de guerra santa, apenas para envolver de corpo e alma milhões de inocentes, jovens ou maduros, mas que na verdade atende aos mesmos preceitos de terra, dinheiro e poder de todas as guerras convencionais.

Hoje, já adulto, dei-me por conta de como nossas guerras vão perdendo significado real na medida em que nossas pernas crescem. As guerras migram do prazer para a ignorância, da pureza para a intolerância. Bilhões gastos para matar mais gente, quando poderiam amenizar a dor e o sofrimento, a fome e a miséria, de milhões espalhados pelo mundo.  Muito dinheiro investido em produtos que não são desejados, em tecnologias que não serão usadas, em treinamentos que não proporcionam aprendizado, em confraternizações que não geram integração. Tudo porque as nações tratam as outras como países, isolando-se em torno de seus interesses. Tudo porque as empresas tratam seus colaboradores como móbiles, fertilizando o terreno para uma guerra civil ao não definirem seus valores, missão e ideais de forma compartilhada.

Olhamos para o lado e vemos a guerra para saber quem avançará primeiro o semáforo fechado, a guerra para determinar quem vencerá a licitação, a guerra contra o narcotráfico, a guerra pela sobrevivência. Nesta hora vemos que Darwin enganou-se, que a seleção não é natural porque a natureza quer, mas porque o homem assim o deseja.

Então, coloco-me diante de minha maior guerra pessoal: a de entender o porquê de as coisas serem assim. Compreender como fui me deixar convocar por este exército de insanos. E imaginar em qual ponto no espaço e em que momento no tempo desgarrei-me da criança que vivia e amava a guerra, como ela deveria ser.


* Tom Coelho é educador, conferencista e escritor com artigos publicados em 17 países. É autor de “Somos Maus Amantes – Reflexões sobre carreira, liderança e comportamento” (Flor de Liz, 2011), “Sete Vidas – Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional” (Saraiva, 2008) e coautor de outras cinco obras. Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.


Recebido do autor por e-mail

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Conhecimentos que Diferenciam



Quando criança, lembro-me que minhas únicas fontes de informação sobre a Escócia eram o professor de Geografia da 4ª série e duas enciclopédias que possuía em minha casa. Além disto, só alguma matéria casual ou durante uma Copa do Mundo, quando a Escócia conseguia classificação...

Acabo de teclar a palavra Escócia em apenas um dos mais conhecidos sites de busca e ele me indicou 538.000 fontes de pesquisa. São tantas alternativas e tamanha quantidade de informações que realmente ajudam, mas também atrapalham.

Este exemplo é apenas uma das conseqüências da “Globalização do Conhecimento” – o rápido e fácil acesso à informação provocaram uma enxurrada de possibilidades, mas também trouxeram à tona um outro problema ainda pouco analisado: o prazo de validade daquilo que você aprende está ficando cada vez mais curto.

Um acadêmico de Medicina inicia uma faculdade e quando conclui seu curso, muito daquilo que aprendeu nos primeiros meses só existe em seus antigos livros. Assim, ele aprende mas não tem possibilidade de usufruir daquilo que aprendeu; em outras palavras, estudo e dedicação jogados fora.

Não estou dizendo que o conhecimento está perdendo importância no concorrido mercado de trabalho. Pelo contrário, a grande mudança é que atualmente você precisa saber cada vez mais sobre áreas que jamais pensou estudar e compreender a influência deste saber em sua atividade profissional. Um advogado precisa conhecer fundamentos de administração e contabilidade para alcançar êxito, enquanto que se espera de um engenheiro empregável excelentes habilidades como negociador. Analise sua profissão e veja como isto também se encaixa em seu dia-a-dia.

Ao mesmo tempo, em meio ao turbilhão de novas fontes de informação, pesquisa e apreensão de conhecimento, vale ressaltar que a sede pelo saber é saciada mais facilmente por alguns meios.

São eles:


Formação acadêmica

Fazer uma boa faculdade continuará respondendo por uma parcela considerável do sucesso profissional de qualquer acadêmico. Eu sei que chega a ser antiquado dizer que “é imprescindível estudar em boas escolas”, mas taí algo que faz muita diferença naquilo que você é hoje ou será amanhã.


Idiomas

Se você pretende ser referência em sua profissão, procure estudar um segundo e até mesmo um terceiro idioma, pois eles garantirão sua empregabilidade por um bom tempo. Desde a Torre de Babel, é a mesma história!


Informática

Caso não trabalhe na área de informática e tecnologia, você não precisará ficar o dia inteirinho estudando todos os novos produtos e serviços que são lançados no mercado. Entretanto, conheça as ferramentas que têm relação direta com sua profissão ou você estará fadado a trabalhar em um museu. Por exemplo: um arquiteto que não domine o AutoCad não sobrevive (não sou quem digo, são eles mesmos).


Viagens

Uma excelente fonte de saber são as viagens que você realiza tanto dentro quanto fora do país, visto que é muito mais fácil reter aquilo que presenciamos. Nas próximas férias, pense num roteiro também cultural ao invés de praias cheias de gente e pouquíssimas alternativas no campo do saber. Aprender com diversão é muito melhor, e é isto que você consegue com um bom planejamento em suas viagens de lazer.


Leituras especializadas

Estar por dentro de tudo o que ocorre em sua área de atuação é condição sine qua non para que venha a se tornar (ou continue a ser) um profissional competente. O mundo muda cada vez mais rápido e a sua profissão também – cuidado para não dormir no ponto.


Conhecimentos gerais

“Conhecer um pouco de tudo e muito de pouco”, este é o lema do profissional generalista, mas com forte especialização. Esqueça que você não gosta de política e comece a ler este caderno em seu jornal diário, fique por dentro do “economês” e aprofunde seus conhecimentos jurídicos.

Bons estudos!


Wellington Moreira  |  Publicado em: 06/08/2012, no site: www.qualidadebrasil.com.br

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Ler Para Compreender



A Leitura Pode Ajudar as Pessoas a Vencerem na Vida? Como a Leitura Pode Transformação Nossa Realidade? Que Papel Ela Representa Na Transformação Social do Nosso País?

Vivemos numa era em que para nos inserir no mundo profissional devemos possuir boa formação cultural e muita informação. Nada melhor para obtê-las do que sendo leitor assíduo, pois quem pratica a leitura está fazendo o mesmo com a consciência, o raciocínio e a visão crítica.

A leitura tem a capacidade de influenciar nossa maneira de agir, de pensar e até mesmo de falar. Com a prática da leitura tudo isso é expresso de forma clara e objetiva e, certamente, as pessoas que não possuem o hábito de ler ficam presas a gestos e formas rudimentares de comunicação.

Tudo isso é comprovado por meio de pesquisas, as quais revelam que na maioria dos casos, pessoas com ativa participação no mundo das palavras possuem um bom acervo léxico e, por isso mesmo, entram mais fácil no mercado de trabalho, ocupando cargos gerenciais e de diretoria.

Porém, conter um bom vocabulário não é a única maneira de “vencer na vida”, pois é preciso ler e compreender para poder opinar, criticar e modificar situações.

Diante de tudo isso, sabe-se que o mundo da leitura pode transformar, enriquecer culturalmente e socialmente o ser humano. Não podemos compreender e sermos compreendidos sem sabermos utilizar a comunicação de forma correta e, portanto, torna-se indispensável a intimidade com a leitura.

Benefícios da Leitura

A leitura é extremamente importante para todos nós, não apenas por ser fundamental em nossa formação intelectual, mas também por permitir a todos nós um acesso ao mundo das informações, das idéias e dos sonhos. Sim, pois ler é ampliar horizontes e deixar que a imaginação desenhe situações e lugares desconhecidos e isto é um direito de todos.

A leitura permite ao homem se comunicar, aprender e até mesmo desenvolver, trabalhar suas dificuldades. Em reportagem recente, uma grande revista de circulação nacional atribuiu à leitura, a importância de agente fundamental para a transformação social do nosso país. Através do conhecimento da língua, todos têm acesso à informação e são capazes de emitir uma opinião sobre os acontecimentos. Ter opinião é cidadania e essa parte pode ser a grande transformação social do Brasil.

Os benefícios da leitura são cientificamente comprovados. Pesquisas indicam que crianças que têm o hábito da leitura incentivado durante toda a vida escolar desenvolvem seu senso crítico e mantém seu rendimento escolar em um nível alto. O analfabetismo, um dos grandes obstáculos da educação no Brasil está sendo combatido com a educação de jovens e adultos, mas a tecnologia está afastando nossas crianças dos livros.

Permitir a uma criança sonhar com uma aventura pela selva ou imaginar uma incrível viagem espacial são algumas das mágicas da leitura. Ler amplia nosso conhecimento, desenvolve a nossa criatividade e nos desperta para um mundo de palavras e com elas construímos o que gostamos, o que queremos e o que sonhamos.

Portanto, garantir a todos o acesso à leitura deve ser uma política de Estado, mas cabe – principalmente – a nós dedicar um tempo do nosso dia a um bom livro, incentivar nossos amigos, filhos ou irmãos a se apegarem à leitura e acima de tudo utilizar nosso conhecimento para fazer de nossa cidade, estado ou país, um lugar melhor para se viver.


Julio Cesar S. Santos  |  Publicado em: 13/08/201, no site: www.qualidadebrasil.com.br

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Por que crianças têm dificuldade de compartilhar

21 de agosto de 2012, no site: www.mentecerebro.com.br

Estudo sugere que o ambiente onde os pequenos vivem e a educação que recebem são decisivos para aperfeiçoar a sociabilidade
 
© Oleinikova Olga/Shutterstock

A recusa em emprestar brinquedos ou dividir alimentos pode resultar de conexões neurais imaturas. Um estudo publicado na revista Neuron revela que a interação de centros de controle de impulsos é mais frágil em crianças pequenas e tende a se intensificar com o passar dos anos, na mesma medida em que elas aprendem e colocam em prática estratégias sociais.

Cientistas do Instituto Max Planck de Ciências Cognitivas e do Cérebro, na Alemanha, observaram crianças de 6 a 10 anos e pré-adolescentes tomando decisões simples durante um jogo. Eles deviam dividir fichas que valiam pontos (e prêmios) com um receptor anônimo em duas situações: escolher aleatoriamente quanto ceder sem nenhuma consequência e correr o risco de ter sua oferta recusada se a outra criança a achasse injusta – nesse caso, nenhuma das duas ganharia nada. Ou seja, a segunda tarefa exigia maior habilidade social.

Todos os participantes se comportaram de forma semelhante na primeira situação. Na segunda, porém, os mais jovens fizeram ofertas piores e se revelaram mais propensos a aceitar poucas fichas mesmo percebendo que era injusto. Neuroimagens captadas durante o experimento revelaram menor atividade no córtex pré-frontal, centro de tomada de decisões e autocontrole, das crianças mais novas. Estudos anteriores apontaram que menor atividade nessa região está associada a habilidades sociais menos aprimoradas.

Os autores do estudo sugerem que o ambiente onde a criança vive e a educação que recebe podem ser decisivos para aperfeiçoar a sociabilidade e o controle de impulsos nesse período de amadurecimento neural. 

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Falta de seriedade


Por Benedicto Ismael C. Dutra
 No Brasil, os governantes não deram a devida atenção ao preparo da população. Em decorrência, estamos atrasados em muitos itens do chamado desenvolvimento humano e econômico. As administrações municipais não se preocuparam com a ocupação clandestina de áreas de proteção aos mananciais e encostas de morros. Conclusão: cidades como São Paulo e sua região  metropolitana ficaram saturadas de favelas desalinhadas, sem arruamento e infraestrutura, o que, obviamente, tinha de gerar consequências negativas para o progresso e o aumento da violência, roubos e crimes de variada natureza.

No final do mês de março, a cidade de Francisco Morato foi palco de uma explosão de vandalismo em decorrência de pane elétrica na linha 7 da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, afetando 90 mil passageiros. O secretário de Estado dos Transportes Metropolitanos disse acreditar em motivação política para o tumulto e a depredação da estação. O delegado titular da Delegacia de Francisco Morato, Aloysio Salotti, disse que foi uma ação de momento, sem premeditação. Mas de um jeito ou de outro, não deixa de ser uma atitude condenável e reveladora do despreparo da população, pois a estação e os trens são para seu próprio uso. Com certeza, outras formas de protesto devem ser postas em prática para assegurar a melhora do transporte das pessoas que ajudam a produzir a riqueza do país.

Se desejarmos aumento de produtividade e qualidade, temos de atentar também para os aspectos ligados ao transporte daqueles que trabalham e gastam muitas horas estressantes no percurso para ir e voltar do local de trabalho. O mesmo se aplica ao transporte de mercadorias. São muitos os acidentes envolvendo caminhões. As estradas se acham em péssimas condições e sem conservação, e os motoristas pressionados pelos prazos das entregas.

O imediatismo e a sede de poder e ganhos levaram a uma generalizada falta de governança séria. Faltam planos visando a melhora das condições de vida criando-se instabilidades pelo mundo inteiro. As populações ingênuas continuaram a ser manipuladas como nos tempos do colonialismo, quando os países atrasados eram explicitamente considerados como reserva dos mais adiantados. O sistema descambou para os individualismos e defesa de interesses pessoais. Políticos e grupos econômicos se associaram para defesa de interesses próprios. No Brasil, se associam até a grupos do crime organizado. Onde vai parar o País?

Em artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo de 1º de abril, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso declarou: “Haverá quem diga que sempre houve corrupção no País e pelo mundo afora, o que provavelmente é certo, mas a partir de certo nível de sua existência e, pior, da aceitação tácita de suas práticas como "fatos da vida", se ela não acaba com o País, deforma-o de modo inaceitável. Estamo-nos aproximando desse limiar”.

As coisas precisam ser planejadas com seriedade e responsabilidade, com olhar atento nos resultados, mas em nossas casas legislativas, em todos os níveis, os homens públicos têm agido como se fossem os donos deste país, exigindo que todos se curvem de forma subserviente com beija- mãos e bajulações. Os administradores indicados pelo povo devem se preocupar com a eficiência dos dispêndios do dinheiro público e com a melhora efetiva da qualidade de vida da população. Só assim que os estados democráticos podem prosperar.

Publicado em 26-Apr-2012, 6:08 PM por Simone Bertelli, no site: www.gestopole.com.br

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Profissionalidade Docente


          A profissionalidade docente dentro da pratica pedagógica, autonomia e identidade do profissional educador, tem como característica principal a atitude do professor dentro do seu campo de trabalho, ou seja, a questão toda está na disponibilidade do professor educador em buscar novos rumos, se adequando e se adaptando as variáveis que vão passando pelo seu caminho dentro de uma postura de humildade de não saber tudo e estar aberto a novas experiências de formação.

           Apesar das restrições impostas pelo sistema educacional atual com base numa visão neoliberal dos órgãos de controle, o professor tem a possibilidade de expandir sua formação através do uso de novos recursos midiáticos concretizando novos conhecimentos com ajuda da tecnologia. Na eventualidade de poder “passear” em diferentes campos do conhecimento com a ajuda de tais recursos, com certeza o professor estará, dentro de uma visão multidisciplinar, agregando valores para uma atuação mais rica dentro do processo de ensino aprendizagem. Desta forma, a articulação dos saberes como meio de instauração de uma prática compatível com uma visão de construção e colaboração do conhecimento docente, deverá ser feita a promover cada vez mais o professor, para que o mesmo tenha uma amplitude reflexiva de suas ações e que esteja inclinado a buscar o seu próprio desenvolvimento profissional. Logo, o professor deverá ser o protagonista de suas ações educativas contextualizadas na própria política educacional que está inserida dentro do sistema com base em uma formação continuada para fortalecimento da prática docente dentro da sala de aula.

          Contudo, a questão da profissionalidade do professor docente é um assunto que vem crescendo nas pautas de rodas educativas em diferentes níveis de ensino, no intuito de conhecer melhor essa prática socioeducacional importante com visão direta na dificuldade apresentada pelo assunto com vistas a uma intervenção reflexiva de uma proposta de produção social pautada na qualidade aplicativa do processo de ensino e aprendizagem.

           É extremamente interessante salientar, dentro dos chamados universais da situação de ensino, que Charlot (1997), propaga em seus escritos, de que ninguém aprende no lugar do outro e que a dependência do aluno em relação ao mestre responde a contradependência do mestre em relação ao aluno, portanto, segundo o mesmo autor, o professor deve ter em sua consciência de prática que é o aluno que detém a chave do sucesso ou do fracasso do ato pedagógico. Logo, Charlot (1997), preconiza que devido a tal questionamento e falta de consciência do profissional docente, o mesmo promove atitudes onde se torna vítima do processo e a culpa é toda do aluno que não se dedica a cumprir a sua obrigação dentro da prática do processo de ensino aprendizagem. Atitudes assim, só promovem a perda de prestígio do professor dentro da sua comunidade intraescolar e extraescolar, inclusive a questão do respeito ao profissional e sua insatisfação do exercício do magistério.

          É muito comum dentro da área pedagógica, visualizar um possível declínio de valor do professor como profissional quando levamos em consideração também a falta de reconhecimento do poder público e privado com relação ao fator econômico que está assentado no magistério hoje em dia. A questão econômica, portanto, é outro fator relevante que se encontra no processo de decadência da profissão docente e explica muitos fenômenos de baixa produtividade dentro das unidades escolares na atualidade.

          Outro problema de grande importância dentro do magistério é a formação do futuro professor dentro das instituições superiores, ou seja, o chamado profissional docente que vem para a prática escolar com uma base fraca e sem perspectivas de crescimento e capacitação de trabalho dentro do setor educativo por conta da falta de políticas públicas que não promovem intervenções nesse sentido.

          A verdade é que a profissionalidade docente é um fato circunstanciado de difícil avaliação e conceituação comparado a outras profissões bem mais reconhecidas e devidamente regulamentadas, pois a condição do professor é pautada numa diminuição da autonomia de trabalho e expressão, remuneração abaixo da qualificação profissional, variação de níveis de formação e de experiência. Contudo, o aspecto da valorização social prejudicado e a iminente falta de representatividade sindical tem provocado perdas gradativas e irreparáveis a esta importante profissão humana que tem a finalidade grata de formar e informar cidadãos atuantes dentro da sociedade de qualquer época (Silva, M. F., 2012).


Publicado em 7-Apr-2012, por Marte Ferreira Da Silva, no site: www.gestopole.com.br

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Professor reflexivo



          Nos dias atuais, dentro do cotidiano das escolas de uma forma geral, podemos observar que mudanças estão acontecendo a cada momento e, sendo assim, existe a necessidade de uma reformulação de posturas e adequação de ações para que o processo de ensino aprendizagem continue acontecendo, os agentes educadores inseridos no processo educativo, em vista disso, devem repensar suas práticas e reavaliar suas atitudes constantemente.

          O principal agente educador dentro das unidades escolares é o professor, como tal, a sua responsabilidade reflete nas ações desenvolvidas junto aos alunos dentro da sala de aula, portanto, este docente, deve repensar sempre, durante a sua prática educacional de ensinamento e depois dela, pois a sua reflexão, norteada de valores e conceitos educacionais, não pode ser orientada somente pela produção em sala de aula, mas de forma globalizada e integrada a sua formação de base com questionamentos que confrontam a prática com os conhecimentos adquiridos na universidade e na preparação do dia a dia, segundo a visão de Schön (2000).

          É importante, que esse processo reflexivo aconteça, pois quando falamos em escola, a primeira figura que aparece na mente das pessoas é a figura do professor educador, portanto, devido a tal representatividade que o professor possui dentro da escola, é importante que o mesmo cuide, de forma adequada, dos procedimentos inerentes a sua função, adequando-se de forma consistente a realidade que o cerca dentro da unidade escolar e fora dela.

          O professor, nos dias atuais, não apresenta o mesmo reconhecimento que possuía antigamente, o conceito apresentou mudanças, pois hoje é chamado de educador, não sendo simplesmente o centro das atenções ou o único detentor dos conhecimentos e fonte principal das informações acadêmicas, mas um elemento importante dentro do processo de formação, pois tem a responsabilidade de mediação e auxílio na construção do conhecimento pelo aluno.

          Todavia, o professor deve sempre tentar fugir da rotina diária, procurando momentos específicos para “falar” consigo mesmo, como forma de buscar o ato de reflexão das suas ações cotidianas antes de agir, quando estiver agindo e depois do processo ser finalizado. Essa postura possibilitará ao profissional educador, momentos importantes durante a sua vida profissional, munindo-o de ferramentas conceituais que refletirão sobre a problemática da sua prática educacional.

          Quando um professor abre a possibilidade de repensar a sua formação e, desta forma, compatibilizar com a prática associando aos seus saberes de fato, o mesmo estará abrindo portas para ampliar sua visão sobre o cotidiano escolar e contribuindo para a melhoria da qualidade de ensino de seus alunos.

          Atualmente, o que podemos observar é que o professor não possui uma cultura de reflexão do seu trabalho, colocando em pauta questionamentos sobre a sua disciplina curricular, as propostas curriculares e sua experiência atitudinal dentro da sala de aula. Logo, isso se torna um problema, que somado a outros fatores de ordem social, política e econômica do nosso país, acaba desqualificando o trabalho educativo do profissional docente e refletindo em péssimos resultados inclusive nas avaliações institucionais como o SARESP, IDESP, IDEB, PROVA BRASIL, entre outros.

          Contudo, as chamadas competências e habilidades do professor, se forem contextualizadas numa cruzada de ações planejadas dentro de uma reflexividade voltada para suas ações na prática do ensino de forma direta, pode minimizar conflitos de ordem pessoal e social acerca da proposta de trabalho do próprio professor enquanto cidadão, pessoa, profissional, educador, capacitador e agente multiplicador de conceitos e atitudes que promove intervenções importantes e pertinentes no desenvolvimento de toda uma sociedade emergente e em constante processo de mudança, avaliação, reprodução e desenvolvimento (SILVA, M. F., 2012).  

 
Publicado em 7-Apr-2012, por Marte Ferreira Da Silva
, no site: www.gestopole.com.br

terça-feira, 8 de maio de 2012

Inteligente é quem escolhe bem



Inteligente; Inteligência.

Duas palavras que soam bem em qualquer ocasião.

Tem uma conotação positiva quando se pensa "tal pessoa é inteligente".

Quem não que ser considerado inteligente? Quem não gosta de trabalhar ou conversar com pessoas inteligentes?

Inteligente oriunda do latim. INTELLIGENTIA, de INTELLIGERE, "discernir, compreender, entender", formado por INTER-, "entre", mais LEGERE, "escolher, separar". No século XV passou a abranger "informações obtidas por meio sigiloso".

Podemos concluir que ser inteligente não mais é do que fazer as escolhas certas.

Qualquer um pode ser inteligente independente do grau de instrução ou formação acadêmica, mas é óbvio que quanto mais informação melhor preparada está para enfrentar uma determinada situação. Algumas dicas...

Primeiro: esteja consciente das suas escolhas. Bem ou mal o tempo todo fazemos escolhas. Desde o que comemos no café da manhã, decisões profissionais, até mesmo o horário certo para dormir e revitalizar suas energias. Nada de deixar ao acaso, pense em que tal decisão irá afetar a sua vida e de pessoas próximas a você. Em vendas é assim! Você toma decisões que melhoram o bem-estar do seu cliente? Como posso fazer o meu cliente se beneficiar com o meu produto? Escolha sempre a favor do cliente desde que isso não afete a saúde financeira da sua empresa.

Segundo: compreenda a situação. Para de presumir! Ouça atentamente o seu cliente, pergunte mais e fale menos. Por vezes o cliente acha que sabe e não sabe, mas por vezes ele sabe e você não sabe! Desça do seu pedestal e tente compreender os sonhos, anseios, medos e inseguranças que cercam o seu cliente antes de decidir pela sua empresa. Cada venda é um aprendizado. Aprenda com isso!

Terceiro: faça as escolhas certas. Decidir certo é fácil. Difícil é arcar com as consequências. Pense se a sua escolha gera um CÍRCULO VIRTUOSO ou um CÍRCULO VICIOSO. Já notou que o correto muitas vezes é o chato, é o careta, o quadrado? Agir corretamente e ser fiel a bons princípios faz parte da cartilha de qualquer profissional de sucesso. Pense em quem você admira! Que tipo de escolhas ele faz para a sua vida?

Quarto: ao obter a informação faça bom uso dela. A informação nunca esteve tão disponível e democratizada como hoje. Internet, livros, TV, cinema, rádios, revistas; enfim você hoje você tem acesso ao que décadas atrás era inimaginável. Mas informação não é poder. Transformar a informação em ação sim é poder. Essa é a diferença entre as pessoas de sucesso e as pessoas comuns. Elas fazem, persistem, erram, acertam, aprendem, sentem dor, caem, se levantam, mas de uma coisa eles nunca abrem mão: o direito de tentar fazer. Quem tenta, uma hora consegue.

No fim podemos perceber que ser inteligente é uma questão de escolher bem.

E você? Como andam as suas escolhas?


Paulo Araújo

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Publicado em 26-Mar-2012, no site: www.gestopole.com.br

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Exames de (In)suficiência



Exames de proficiência, cada vez mais utilizados no País por entidades de classe, representam um avanço no processo educaional ou a cristalização de um anacronismo?
 
Há muitos anos em minhas andanças por universidades brasileiras por todo o Brasil tenho sido interpelado por alunos, professores e profissionais a respeito de minha opinião sobre os exames que são aplicados aos bacharéis de algumas carreiras de nível superior, como condição para, se aprovados, acessarem o mercado de trabalho como profissionais técnica e legalmente habilitados.

Passo a expor abaixo algumas das reservas que tenho em relação a essa prática que cada vez mais preocupa os jovens – outros não tão jovens assim – que freqüentam as universidades e que temem ver seus sonhos de trabalhar em determinada área interrompido por rigorosos e restritos exames ditos de proficiência.

Sabemos que compete às Instituições de Ensino Superior, autorizadas e reconhecidas pelo Ministério da Educação (MEC), o papel de formação de quadros de profissionais de nível superior no Brasil. Essa competência se refere às licenciaturas, aos tecnólogos, aos bacharéis e, ainda, à formação de mestres e de doutores. Transferir essa atribuição para os Conselhos e Ordens profissionais soa como colocar em dúvida a competência dessas IES no que diz respeito à preparação dos profissionais. O que está errado, então, é formação propiciada pelas IES, fonte e limite do problema da má qualificação profissional no Brasil. Ora, por que não capacitá-las e supervisioná-las efetivamente para que cumpram o seu papel institucional?

Colocar os Conselhos e Ordens Profissionais para cumprirem esse papel representa que o MEC abdica de suas competências institucionais em favor das entidades classistas, cujo foco institucional deve ser o profissional formado no exercício do trabalho e não na qualificação do estudante durante o seu curso de formação. Os Conselhos e Ordens profissionais não são apêndices ou sucursais do MEC para suprir, na sua ausência e incapacidade, uma deficiência flagrante que o próprio MEC se mostra incompetente para equacionar adequadamente.
 
Por que não questionar o próprio MEC por desídia e omissão no desempenho de suas competências e responsabilidades? Se o MEC não sabe ou não cumpre o seu papel que aprenda a fazê-lo. É o MEC e apenas o MEC que tem a responsabilidade de constantemente avaliar a qualidade dos diversos cursos de nível superior; é ele próprio que os autoriza e reconhece; que lhes garante legalidade e legitimidade na concessão de seus diplomas. Será que os Conselhos e Ordens, em apenas um exame de suficiência em processos massivos de seleção, têm mais capacidade objetiva de afastar do mercado cidadãos profissionalmente incapazes, pois mal formados para o desempenho de determinado ofício?

 Seriam os Conselhos e Ordens mais competentes em avaliação num só exame de suficiência do que a universidade em que esses mesmos cidadãos passaram pressupostamente milhares de horas em processo de formação profissional? Em especial quando os processos seletivos de que ambos se valem (academias e entidades profissionais) são os mesmos, academicistas e teóricos, meras repetições de suas estruturas de conteúdo e de forma de seleção. As provas de suficiência são da mesma natureza dos exames vestibulares de seleção para o ingresso na universidade. Os cursinhos para o vestibular se repetem nos cursinhos para exame de ordem; a literatura técnica é sempre a mesma, apenas variando nos apelos mercadológicos de venda de livros e de compêndios de uns e outros, sempre prometendo aprovações miraculosas. E as provas utilizadas são de mesma natureza e na mesma direção e sentido.
 
Até que ponto esses exames, por imprecisão em suas aferições e métricas, não alijam do mercado de trabalho profissionais que possuem certas competências, habilidades e atitudes que são, muitas vezes, expressamente demandadas e valorizadas pelo mercado, mas absolutamente não captados pelo tipo de exame academicista que se repete sucessivamente nos mesmos testes de seleção, tanto no sistema universitário como nos realizados por Conselhos e Ordens?

Não esqueçamos: os que preparam os exames de suficiência dos Conselhos e Ordens são, o mais das vezes, os mesmos profissionais das áreas respectivas que desempenham funções de magistério nas universidades. Se falham no ensino, na formação e na seleção de seus alunos nas faculdades, por que não o fariam também de forma defeituosa na preparação das questões seletivas das provas de suficiência? São quase sempre os mesmos, lá e cá, ora como professores das universidades, ora como profissionais membros das juntas de seleção dos exames de suficiência.

Devemos levar em consideração que uma prova não é capaz de aferir tudo o que o profissional conseguiu apreender nos bancos escolares. Estamos falando de conhecimentos formal e tácito, de técnicas e de vivência profissionais, de elaboração intelectual de um projeto e da importância de relacionamento com os demais interessados em determinada atividade. Um exame de duas horas pode no máximo ser muito eficiente em apontar aqueles que foram competentes o suficiente para decorar e entender o que está nos livros e apostilas de cursos preparatórios para essas provas. Há que se ter cuidado para não tirarmos do mercado de trabalho profissionais que são destinados a ocupar segmentos da economia (micro empresas, por exemplo) ou a trabalhar em regiões que embora não tenham tanto destaque na mídia fazem parte da cadeia produtiva e, portanto, precisam de mão-de-obra que razoavelmente dê conta do recado.

Se os exames de proficiência forem obrigatórios e se destinarem a privilegiar apenas os "profissionais excelentes", corremos o risco de ver o Brasil desabastecido de profissionais que, mesmo não sendo brilhantes academicamente, podem ser úteis em diversos estratos sociais importantes, se, evidentemente, tiverem formação profissional ajustada às necessidades de mercado e não às necessidades da academia, como hoje se faz já que essas provas de ordem focam primacialmente o conhecimento teórico acadêmico. Esses exames de ordem são uma ode ao anacronismo na sociedade do conhecimento. A obsolescência do conhecimento é inexorável, que se inicia no dia posterior à realização do exame de ordem.

No âmbito do Sistema CFA/CRA discute-se a aplicação de uma prova, não obrigatória, que possa conferir aos profissionais esse tipo de "certificação de qualidade" em áreas específicas da Administração: recursos humanos, logística, finanças, marketing, gestão ambiental, etc. Mas ainda não há previsão para o início desse exame de proficiência que, defendo, deve ser facultativo e, repito, apenas e simplesmente uma certificação não obrigatória, de opção explicitamente facultativa. O Sistema CFA/CRA-RJ tem que lutar pela denúncia e pelo fechamento das entidades educacionais deficientes no ensino de Administração. Não pode continuar a vê-las como nacos generosos de consultoria acadêmica a serem compartilhados pelos "enturmados" no MEC e com os donos dessas faculdades deficientes, máquinas caríssimas de má formação profissional.

Afinal, esses projetos de consultoria, o mais das vezes, acabam apenas por dar uma sobrevida ao que já não mais podia existir, sem promover qualquer melhoria efetiva do desempenho acadêmico, mas tão-somente, e nem sempre, apenas dando-lhes cumprimento dos ritos e dos formalismos academicistas tão em voga na pesada, empoada e lerda burocracia do MEC.

Publicado em 23-Mar-2012, por Wagner Siqueira, no site: www.gestopole.com.br

sexta-feira, 4 de maio de 2012

A arrogância é o tapete da sala da incompetência


 
Qualidade de vida está diretamente ligada à competência. Esse não é um atributo desejado apenas no mundo dos negócios.
 
As boas relações nas famílias e com os amigos também têm em seu alicerce um conjunto de competências.
 
Competência provoca a magia da simpatia e empatia.
 
Simpatia significa estar ao lado, ouvir, dar atenção, abrir as portas para a compreensão. Contudo, a simpatia nem sempre traz a solução. Não adianta só dizer à criança que embaixo na cama não há monstro ou ao colaborador que a planilha não é tão complicada de usar. A corrente das boas relações tem os elos das simpatias entrelaçado aos elos das empatias.
 
Empatia é colocar-se no lugar da pessoa. Ir com a criança espiar embaixo da cama, sentar com o colaborador, enquanto este se esforça no uso da planilha e entendimento do problema, trocando de cadeira se necessário.
 
Toda relação coloca frente a frente duas pessoas, pelo menos. Esse contato pode ser desejadamente amistoso e amigável, ou indesejadamente turbulento. A soma das experiências e comportamentos é determinante na qualidade das relações.
 
Falar sobre o homem é refletir sobre seu caráter e personalidade. Caráter é o conjunto de aspectos congênitos que as pessoas possuem desde o nascimento.  Já a personalidade se forma com as experiências de vida, que contribuem para formar os modelos mentais.
 
Competência, como costumamos tratá-la, é o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que permitem tomar boas decisões e que produzem efeitos favoráveis na condução de questões complexas. Ainda que alguém possa defender a possibilidade de seu uso em sentido negativo, fiquemos com as boas intenções.
 
O primeiro passo para alcançar a competência é abertura mental, que leva à disposição de aprender. Temos que nos lembrar, sempre, que nossas portas psicológicas só abrem por dentro.
O processo de aprendizado e ensino tem um ingrediente que faz o mundo sempre melhor: a generosidade.
 
Dar uma aula, porque esse é o trabalho que permite ao cidadão uma renda, sem que resulte em aprendizado, não significa ensino.  Frequentar um curso para constar em currículum, não significa aprendizado.
 
Nas duas situações a generosidade não se fez presente. Dessa forma, está concretizada a falência do processo que permite subir a escada do conhecimento.  Este, com grande probabilidade, foi afetado pelo vírus que tece o tapete da arrogância. A arrogância é caracterizada pela falta de humildade.
 
A escada do conhecimento exige, sempre, que os envolvidos desçam alguns degraus para que juntos possam retomar a caminhada. Nesse ponto é que a altivez, a soberba, o orgulho excessivo, a vaidade, impedem que a possibilidade de aprendizado ou a aceitação da ajuda oferecida se tornem elementos de solução.
 
Estendido o tapete da arrogância, para baixo deste serão varridos as fragilidades e os problemas encontrados na sala da incompetência. Para desconforto de quem a visita, e desespero daqueles que tem a responsabilidade por sua manutenção, quanto maior a sala, maior o tapete.

 
Ivan Postigo
Diretor de Gestão Empresarial
Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação de carreira na área de vendas
Free e-book: Prospecção de clientes e de oportunidades de negócios
Postigo Consultoria Comunicação e Gestão
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Publicado em 16-Mar-2012, no site: www.gestopole.com.br