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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Dinheiro, comida e aversão ao sexo

Novos tipos de dependência devem aparecer na próxima versão do DSM-5

Yuri Arcur/Shutterstock

Em fevereiro de 1969 David L. Rosenhan apareceu na recepção de um hospital psiquiátrico na Pensilvânia. Ele se queixava de vozes desconhecidas dentro de sua cabeça que repetiam as palavras “vazio”, “baque” e “oco”. Além disso, não tinha mais nenhum sintoma incomum. Foi imediatamente internado no hospital com diagnóstico de esquizofrenia.

Entre 1969 e 1972, sete universitários amigos de Rosenhan, então professor de psicologia da Swarthmore College, acabaram em algum hospital dos Estados Unidos depois de afirmar que também ouviam vozes – a única queixa deles. Os estudantes foram diagnosticados com esquizofrenia ou transtorno bipolar pelos psiquiatras e internados em hospitais por períodos que variaram entre 8 e 52 dias. Os médicos forçaram os internos a aceitar medicamentos antipsicóticos  – 2.100 comprimidos ao todo. A maioria, no entanto, era guardada pelos pacientes no bolso ou na bochecha até que pudessem cuspir a medicação. O que ninguém percebeu foi que todos eram saudáveis – aliás, desde antes da internação. Alegar que ouviam vozes era apenas um ardil para a realização de uma pesquisa.

O caso dos oito pseudopacientes se tornou tema de artigo na Science em 1973, “On being sane in insane places” (Sobre ser são em lugares insanos). Conclusão do trabalho: os psiquiatras não têm uma forma válida para diagnosticar doença mental.

O experimento de Rosenhan motivou uma transformação radical no essencial guia de referência para psiquiatras, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), publicado pela Associação Americana de Psiquiatria (APA, na sigla em inglês). O DSM-III, publicado em 1980, inseria cada patologia em uma lista de sintomas “necessários” para formar um diagnóstico.

Agora, a APA trabalha na quinta versão da “bíblia psiquiátrica”, prevista para publicação em maio. O DSM-IV foi em grande parte semelhante ao seu antecessor, por isso, o DSM-5 incorpora a primeira mudança substancial para diagnóstico psiquiátrico dos últimos 30 anos. Afinado com interesses da indústria farmacêutica o manual apresenta diretrizes para a classificação da gravidade dos sintomas esperados para possibilitar diagnósticos mais precisos e fornece uma nova maneira de rastrear a melhora. Os autores do DSM também fragmentam inteiramente alguns transtornos, como a síndrome de Asperger, e adicionam outros novos, como compulsão alimentar e dependência em jogos de azar.

Na última década, vários estudos mostraram que pessoas se tornam dependentes de jogos da mesma forma que se tornam adictas de drogas e álcool. Além disso, se beneficiam do mesmo tipo de tratamento: terapia em grupo e retirada gradual do objeto de desejo. Estudos com neuroimagem revelam que dependentes químicos e jogadores compulsivos respondem à lembrança da droga e às recompensas monetárias de formas semelhantes: nesses pacientes, áreas cerebrais do circuito de recompensa são muito mais intensamente ativadas do que em jogadores eventuais ou em quem experimenta drogas pela primeira vez. O DSM-5 também pode incluir obsessões relacionadas à comida e ao sexo:

Transtorno de compulsão alimentar periódica

Consumir “quantidade de comida definitivamente maior do que a maioria das pessoas ingere em um período similar em circunstâncias semelhantes”; falta de controle sobre o que, quanto e quão rápido se come.

Transtorno hiperssexual

Necessidade sexual excessiva por pelo menos seis meses; uso frequente do sexo em resposta ao estresse ou ao tédio, sem levar em conta danos físicos ou emocionais para si e para outros, com interferência negativa na vida social e no trabalho.

Transtorno absexual

Excitação ao deixar de lado a prática sexual, comportando-se como se, moralmente, se opusesse ao sexo, com excessiva rejeição a tudo que faça alusão à sexualidade.


Do site: www.mentecerebro.com.br

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Pinturas do inconsciente


Obras do artista plástico baiano Valdney Suzart mesclam imagens oníricas e referências regionais

Divulgação
O grito e o silêncio 

A mãe do pintor Valdney Suzart foi a inspiração de Primavera, a imagem de uma idosa com flores brotando de suas veias: vitalidade onde aparentemente há sequidão. A tela é umas das 15 obras da mostra Sonhos e recôncavo, em cartaz na Caixa Cultural, em São Paulo.

A seleção traz pinturas que são realistas a ponto de lembrar montagens com fotografias, mas que também evocam o surrealismo, movimento artístico que, influenciado pelas teorias de Sigmund Freud, enfatiza o papel do inconsciente na criação artística – imagens oníricas, aliás, como o nome da exposição deixa entrever, são uma das fontes de inspiração de Suzart, bem como o sincretismo característico da região do Recôncavo Baiano, onde ele nasceu e vive, na cidade de Muritiba, como se vê na obra O grito e o silêncio.

SONHOS E RECÔNCAVO. Caixa Cultural São Paulo. Praça da Sé, 111, Centro, São Paulo. Terça a domingo, das 9 às 21h. (11) 3321-4400. Grátis. Até 24 de fevereiro.


Do site: www.mentecerebro.com.br

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

A pedra da exclusão


O crack provoca a liberação de grandes quantidades de dopamina no cérebro, o que causa efeitos mais intensos que a cocaína
 

Fernanda Ribeiro
 


Christy Thompson/Shutterstock

  Hoje deparei com algo novo. Na avenida Tigertale, em Miami, há uma garagem onde uns sujeitos com alguns trocados no bolso estão experimentando um tipo diferente de ‘viagem’. Estão fumando cocaína. Chamam essa versão de ‘base’. Tenho de perguntar ao traficante o que é isso”, anotou o sociólogo americano James Inciardi, ex-diretor do Centro de Estudos em Álcool e Drogas da Universidade de Delaware, sobre uma pesquisa de campo em 1973. Ele menciona um dos produtos feitos do extrato da planta Erythroxylon coca, que menos de dez anos depois seria batizado por usuários e meios de comunicação de “crack” – uma mistura caseira de pasta básica de cocaína, obtida pela maceração ou pulverização das folhas de coca com solvente (como querosene, parafina e álcool), ácido sulfúrico e bicarbonato de sódio. O nome da droga faz referência aos locais onde era comercializada e fumada: casas abandonadas (crack houses) de bairros pobres de Miami, Los Angeles e Nova York, onde usuários se reuniam em grupo para fumar a droga, vendida em “pedras”, em cachimbos improvisados com materiais como latas e copos de plástico. O fogo fazia os cristais estralar, produzindo o som descrito como cracking.

Quando inalada, essa mistura de cocaína penetra na corrente sanguínea através dos pulmões e é rapidamente metabolizada, chegando ao cérebro em menos de 20 segundos. A droga estimula a liberação de grandes quantidades do neurotransmissor dopamina, associado à sensação de prazer e de motivação. Esse componente químico age na fenda sináptica, o espaço entre os neurônios, para levar essa informação de uma célula neural a outra se ligando a receptores nas extremidades dos neurônios pós-sinápticos, isto é, aqueles que recebem o estímulo. O resultado é a sensação de bem-estar. Normalmente, a dopamina que sobra na sinapse é reabsorvida pela membrana dos neurônios pré-sinápticos e a sensação é regulada de forma natural. As substâncias presentes no crack agem diretamente sobre esses receptores, bloqueando-os temporariamente. Assim, a dopamina permanece na fenda sináptica, o que aumenta e prolonga o prazer. Por isso, os efeitos mais característicos da droga são euforia e percepção de que se tem confiança e poder – semelhantes aos da cocaína em pó, mas pelo menos dez vezes mais intensos –, além de constrição das artérias cerebrais, o que aumenta o risco de desenvolver doenças cardiovasculares.

O uso contínuo leva à diminuição progressiva da dopamina na sinapse, o que pode causar ansiedade, irritabilidade, sintomas depressivos e desejo de consumir a droga novamente. A absorção da substância pelo organismo vai se alterando, e ele se “habitua” a ela, dando origem à tolerância, fenômeno toxicológico que induz o dependente a aumentar a quantidade de droga para atingir o mesmo efeito inicial ou a buscar outros tipos de substância, como maconha, nicotina e principalmente álcool, para atenuar a “fissura” e os efeitos indesejáveis do consumo.

FATORES DE RISCO

“Basta experimentar uma única vez para ficar preso ao vício. Ele deixa as pessoas agressivas, causa depressão, perda da capacidade de raciocínio e leva ao crime”, diz o cartaz de uma campanha veiculada pelo governo do Distrito Federal, no qual a palavra “crack” aparece entre duas algemas. Especialistas, no entanto, discordam das abordagens que invariavelmente vinculam drogas à dependência e à criminalidade. “Não é só a droga que causa dependência. O processo é mais complexo, pois depende  de como cada pessoa reage a ela. Isso envolve mais de um determinante, causas conjuntas, como propensão genética, facilidade de acesso à substância, frequência de uso, presença anterior de transtornos mentais, familiares, entre outros aspectos”, diz a psiquiatra Ana Cecília Marques, da Associação Brasileira do Estudo de Álcool e Drogas (Abead).

Em outras palavras, desemprego e situação de rua podem ser considerados fatores que aumentam a vulnerabilidade, pois um dos efeitos do crack é a redução das sensações de fome e sono. Além disso, ele é mais acessível que os opioides e a cocaína em pó, por exemplo. O preço de uma pedra pode variar entre R$ 5 e R$ 10, enquanto um papelote de cocaína custa pelo menos R$ 20. O senso comum também acredita que a miséria é consequência da adição – sendo o inverso mais provável. “Dos usuários de crack, cerca de 80% são recreacionais: pessoas que têm família, trabalham e são produtivas, o que também não significa que o risco não é alto”, diz o psiquiatra Dartiu Xavier, coordenador do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “A ideia de que uma única dose é suficiente para causar dependência não se aplica a nenhuma droga. A noção é distorcida e pode ter resultado contrário ao desejado, principalmente entre os mais jovens, que podem experimentar o crack e, diante dos efeitos, desacreditarem as campanhas e achar que as consequências relatadas não são reais”, diz Ana Cecília.

Além disso, a relação entre consumo de cocaína e comportamentos impulsivos e violentos, sugerida por estudos mais antigos, é reducionista. O mais adequado para medir a possibilidade de dependência seria o que a Organização das Nações Unidas (ONU) define como “fatores de risco”, tanto individuais como sociais, como autoestima baixa, predisposição genética, dificuldade de interação social, ambiente familiar instável, falta de acesso a moradia, saúde e educação. “Até para drogas ‘pesadas’ existem usuários ocasionais. Por que alguns conseguem cheirar cocaína esporadicamente e outros são dependentes? O que basicamente os diferencia são outros fatores – se a pessoa tem algum transtorno psíquico associado, como depressão e ansiedade, ou se começa a usar o álcool e a cocaína para resolver problemas”, explica Xavier.

AMOSTRA DA “CRACOLÂNDIA”

Segundo pesquisa da Confederação Nacional de Municípios (CNM), divulgada em novembro de 2011, 98% das 4 mil cidades que ofereceram dados para o estudo enfrentam problemas com o consumo da droga, até mesmo as com menos de 20 mil habitantes. Pesquisadores do Instituto Nacional de Políticas Públicas de Álcool e Drogas (Inpad) e da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (Uniad) da Unifesp analisaram em dezembro de 2011 o padrão de consumo de frequentadores da “Cracolândia” – como é conhecida a região do centro de São Paulo onde traficantes e usuários comercializam a droga a qualquer hora do dia.

A maioria dos 170 entrevistados tornou-se usuária antes dos 18 anos. Um em cada dez faz sexo em troca de dinheiro para sustentar a dependência e 25% fumam mais de 20 pedras por dia, ou seja, passam grande parte do tempo entre os efeitos alucinatórios e o desejo incontrolável de consumir a substância novamente. Quase metade acredita que não conseguiria enfrentar o tratamento para parar de usar a droga sem internação. O risco é maior entre os mais jovens, com menos de 21 anos, pois o cérebro está em formação.

Em 1999, um dos autores da pesquisa, o psiquiatra Marcelo Ribeiro, relatou um estudo em que acompanhou 131 usuários da droga durante cinco anos. O dado mais expressivo foi a alta taxa de mortalidade, quase 20%. As causas mais frequentes são complicações decorrentes da infecção pelo vírus da aids e homicídio. “Há duas décadas, o crack se popularizou como uma opção à cocaína injetável diante do enorme crescimento do contágio de HIV por essa maneira. Hoje, sob o efeito da droga ou na ‘fissura’, o usuário fica mais vulnerável à violência e ao sexo desprotegido”, diz Ribeiro. A prostituição, aliás, é uma forma comum de financiar a dependência, principalmente entre as mulheres. Muitas delas mantêm relações sexuais completamente destituídas de poder para negociar o preço do programa e o sexo seguro – usam a droga para conseguir fazer sexo com os “clientes” e garantir meios de sobrevivência nas ruas. Dessa forma, expõem-se a doenças sexualmente transmissíveis e a gravidez indesejada para prover a dependência.

EQUIPE MULTIDISCIPLINAR

Em dezembro de 2011 o governo federal anunciou o “Plano de enfrentamento ao crack e outras drogas”, que prevê o investimento de R$ 4 bilhões no combate ao tráfico, no tratamento de usuários e em estratégias de prevenção até 2014. Uma das medidas previstas é a internação compulsória, ou seja, definida pelo médico e a Justiça e com tempo determinado. É comumente confundida com a involuntária, em que um profissional de saúde reconhece risco de morte no paciente e entra em consenso com seus parentes sobre a internação. No entanto, a eficácia da internação compulsória é baixa. “É malsucedida em 98% dos casos. A pessoa internada deixa de ter acesso à substância porque está em isolamento social. No entanto, no momento em que sai do hospital e depara com os mesmos problemas de antes, recai”, diz Xavier.

A maioria dos especialistas concorda que a estratégia mais eficiente seria a ação de uma equipe multidisciplinar, formada por agentes sociais e profissionais, preparados para atender dependentes químicos. Com esse trabalho, é possível identificar, caso a caso, problemas diretamente relacionados à busca pela droga. Muitas vezes os agentes mediam a relação do usuário com a família. Isso não significa, obviamente, que a intervenção médica não seja necessária para algumas pessoas. “Ela pode ser feita de forma ambulatorial, nos Centros de Atendimento Psicossocial (Caps). Nesse modelo, o dependente segue um tratamento sem deixar de viver em sociedade. Mas faltam profissionais bem treinados para atender a essa demanda”, diz o psiquiatra.

Em 2010 o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) avaliou o atendimento psiquiátrico de 230 Caps do estado. Constatou que faltam médicos, leitos de retaguarda e capacitação de pessoal – dos dez Caps de Álcool e Drogas analisados, apenas um tinha psiquiatra disponível.

VACINA DE COCAÍNA

Apesar de não “diagnosticarem” a dependência de substâncias psicoativas, os exames de neuroima-gem podem mostrar a extensão dos danos causados pela cocaína e seus derivados. Em pessoas que consomem a droga com frequência, há diminuição do fluxo sanguíneo em áreas relacionadas a comportamentos de dependência, como o córtex pré-frontal, envolvido no planejamento de ações e movimento, e os núcleos da base, associados à cognição, às emoções e ao aprendizado. Também há diminuição da integridade da substância branca na região do córtex frontal, relacionada por alguns estudos ao aumento da impulsividade nos usuários.

A intensidade dos efeitos de euforia é proporcional ao bloqueio da reabsorção de dopamina. Ele ainda é mais intenso no caso do crack, ou seja, da droga fumada, o que explica, em parte, a capacidade dessa versão da cocaína de causar maior dependência. Pesquisadores têm estudado o uso de medicamentos que agem sobre as proteínas transportadoras de dopamina, como o modafinil, para tentar reduzir o desejo incontrolável de usar a droga. Em um experimento com 62 dependentes, cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade da Pensilvânia observaram que a taxa de abstinência foi maior entre os que usaram o remédio (prescrito em vários países para o tratamento de sintomas da narcolepsia) do que entre os que tomaram placebo.

Pesquisadores da Faculdade Médica Weill Cornell, em Nova York, desenvolveram em animais de laboratório uma vacina que estimula a produção de anticorpos capazes de se conectar e neutralizar as moléculas de cocaína antes que elas cheguem ao cérebro, impedindo a hiperatividade cerebral. A vacina combina o vírus da gripe comum com uma substância que imita a cocaína, de forma que o corpo “interpreta” a cocaína como algo a ser combatido. Ela vem sendo testada em humanos, mas ainda está longe de ser comercializada. O maior desafio é produzir um volume mínimo suficiente de anticorpos e em manter seu efeito ao longo do tempo – o bloqueio dura apenas 2 meses.

Diferentemente da heroína, não há drogas da mesma classe da cocaína que possam ser usadas como estratégia de redução de danos. Entretanto, um estudo observacional com 50 usuários de crack, conduzido por Xavier, apontou que 68% deles conseguiram resistir à abstinência com o uso de maconha. A descoberta mostra que estudar os canabinoides e como eles agem no cérebro pode ajudar a desenvolver tratamentos mais eficazes para a dependência química.

Especialistas concordam que a abordagem, não só para o crack como para outros psicoativos, deve considerar a presença de problemas psíquicos, principalmente depressão e ansiedade, identificadas em mais da metade dos casos. “Esses transtornos devem ser tratados junto à dependência física, como se existissem sozinhos”, diz Ribeiro.


Do site: www.mentecerebro.com.br

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Estudo mostra como nascem os neurônios


Cientistas esperam ser capazes de induzir o cérebro a se autorreparar

Mopic / Shutterstock

Células-tronco neurais são fonte de novas células no cérebro. Elas se dividem periodicamente em duas áreas principais: os ventrículos, que contêm fluido cérebroespinhal para nutrir o sistema nervoso central, e o hipocampo, estrutura crucial para o aprendizado e a memória. Ao proliferarem, as células-tronco neurais originam outras células-tronco e precursores neurais que, ao se desenvolver, podem tornar-se tanto neurônios como células de apoio, denominadas células gliais (astrócitos e oligodendrócitos).

No entanto, essas células-tronco neurais recém--formadas precisam afastar-se de suas progenitoras antes de se diferenciarem. Apenas 50%, em média, migram com sucesso, enquanto as outras morrem. No cérebro adulto, neurônios recém-formados foram encontrados no hipocampo e nos bulbos olfatórios, onde o olfato é processado. Pesquisadores esperam ser capazes de induzir o cérebro a se autorreparar estimulando as células-tronco neurais a se dividir e se desenvolver onde forem necessárias.


Do site: www.mentecerebro.com.br

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Neurolinguística - O estudo na prática


  
O estudo da Neurolinguística, bem como suas aplicações, tanto no campo profissional quanto no pessoal , vem se consagrando cada vez mais e ganhando reconhecimento, entre as relações humanas.

No campo profissional, na prática, pode auxiliar bastante em momentos de negociação, e nos relacionamentos interpessoais de um modo geral, tais como, no aperfeiçoamento das apresentações verbal e corporal, melhorando-se a comunicação, sabendo-se utilizá-la de forma mais estratégica, técnica e consciente. Neste contexto, pode facilitar nos relacionamentos com clientes e, tão logo, nos resultados empresariais.

Já, no campo pessoal, é uma ferramenta muito útil para o autoconhecimento e para auto-motivação, e para se reconhecer pessoas e situações. Também nos orienta em processos de mudança, de metas e de objetivos individuais.

Neste caso, para metas e objetivos, é importante ressaltar que o estudo não traz soluções, mas sim, sugestões de caminhos para se obter a mudança desejada. Mas, a mudança sempre começa dentro de cada um, que aceita e se propõe a praticar tais técnicas. Ou seja a Neurolinguística não é um fim, mas sim um meio.

Com base em comprovações cientificas, o estudo tem mostrado sua eficácia, na medida em que os especialistas no assunto conseguem aprimorar e apresentar de forma mais clara e objetiva suas características e benefícios.

Dentro dos tópicos relacionados destacam-se, de forma prática, os seguintes conceitos e definições, tanto para o uso profissional quanto para o pessoal:

    Linguagem verbal:   tom, velocidade e volume de voz; conteúdos e expressões-chaves, emitidos pelo cérebro conscientemente.

    Linguagem corporal: aprimoramento dos sentidos humanos (tato, visão, paladar, audição, olfato) e, ainda, postura, aparência, atitude, dentre outros aspectos expressados pelo corpo que são reflexos, emitidos pelo cérebro, consciente ou inconscientemente.
    Postura congruente:  harmonia entre a linguagem verbal e a corporal, e uma melhor percepção  sobre pessoas e ambientes, ou seja, sobre a postura congruente do receptor e de lugares e situações.

    Rapport ( Relacionamento): forte congruência, verbal e corporal, consciente ou inconscientemente, entre emissor e receptor;
    As 3 ecologias; pessoal, social e ambiental ( harmonia vital);
    Hipnose Erickssoniana (hipnose moderna de Milton Ericksson, auto-hipnose, relaxamento, aprofundamento no inconsciente, tornar o inconsciente consciente).
    Alinhamento dos níveis neurológicos (pilares da mudança para as metas e os objetivos): ambiente, comportamento, capacidade, crença, identidade e espiritualidade.
    Mente consciente:  tudo que pensamos, sentimos e desejamos produz resultados físicos, desde nossas reações corporais até os mais desapercebidos resultados psicossomáticos.

Sobretudo, com base nestas considerações, é importante ressaltar que, em um processo de comunicação, nosso corpo diz mais ao nosso receptor do que nossas palavras.

Por estas e outras razões, a Neurolinguística é uma ferramenta eficaz tanto no processo de autoconhecimento, quanto na identificação de pessoas, nos auxiliando, através de suas técnicas, a reconhecermos sentimentos, desejos, necessidades, ansiedades, pontos fortes e fracos, nossos, de nossos clientes, ou de outros receptores de um modo geral.


Daniel Lascani, publicado em 22/11/2012, no site: www.qualidadebrasil.com.br

Jornalista, publicitário, palestrante, consultor empresarial, apresentador do programa Trabalho em Foco, do canal BusTV.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Remédio para epilepsia pode prevenir Alzheimer


Pesquisadores acreditam que a droga pode desacelerar o declínio cognitivo relacionado à patologia

MalDix/Shutterstock

Um dos primeiros sinais do Alzheimer, o tipo de demência mais frequente entre idosos, são os lapsos de memória, que não raro são considerados um reflexo do avanço da idade pelos parentes da pessoa com a doença. Em alguns anos, porém, os esquecimentos tornam-se mais frequentes e intensos e se tornam decisivos para o diagnóstico clínico da doença, que ainda não tem cura. No entanto, um artigo publicado na revista Neuron revela que um medicamento usado no tratamento da epilepsia pode prevenir a perda cognitiva e melhorar a memória das pessoas com risco de desenvolver Alzheimer.

 Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, em Maryland, medicaram 17 pessoas com risco de Alzheimer com o remédio anticonvulsivante levetiracetam, que atua principalmente no hipocampo, região do cérebro que, além de ter importante função na memória, é hiperativa em epiléticos. “Tudo indica que o medicamento desacelera a atividade dessa área, o que de alguma forma reduz a perda de memória”, explica a neurocientista Michela Gallagher, autora do estudo, ao relatar que os pacientes apresentaram melhor desempenho em testes cognitivos depois do tratamento.

A neurocientista acredita que a droga pode desacelerar ou mesmo impedir o declínio cognitivo que causa os sintomas do Alzheimer. A ciência já comprovou a relação entre altos níveis de atividade neural e o aumento de placas amiloides (proteína beta-amiloide) no cérebro. Michela pretende agora verificar se, já que o levetiracetam pode reduzir a atividade do hipocampo, ele pode conter a deposição de placas de proteína e a consequente evolução da doença.


Do site: www.mentecerebro.com.br

domingo, 9 de dezembro de 2012

Experiências dolorosas afetam os cromossomos

Vítimas de agressão durante a infância podem ter maior vulnerabilidade a doenças

Zentilia/Shutterstock

Crianças que vivenciaram episódios de violência doméstica têm, em média, as extremidades dos cromossomos – chamadas telômeros – mais reduzidas, descobriram neurocientistas da Universidade Duke. O grupo coordenado por Idan Shalev investigou o DNA de 236 meninos e meninas britânicos, aos 5 anos e depois aos 10. Nesse meio-tempo, os pesquisadores perguntaram regularmente às mães se seus filhos testemunharam ou foram vítima de qualquer tipo de agressão verbal ou física dentro de casa. Shalev também levantou informações sobre possíveis assédios na escola. De acordo com a análise genética, crianças que enfrentaram mais de duas dessas experiências, consideradas altamente estressantes, apresentaram telômeros muito menores que as que viviam em ambiente pacífico.

O encurtamento das pontas dos cromossomos é um efeito característico do envelhecimento celular. Assim, as crianças de 10 anos que viram a violência de perto seriam biologicamente “pré-idosos”, o que pode explicar, segundo os pesquisadores, sua maior vulnerabilidade a doenças. Os telômeros selam a cadeia de DNA como os invólucros de plástico na ponta de cadarços. A cada divisão celular os cromossomos perdem um pouco de sua proteção telomérica, de forma que chega um momento em que as células não podem mais se dividir. Estudos já comprovaram que as tampas protetoras do DNA diminuem com o aumento da idade biológica e são influenciadas por fatores como tabagismo e obesidade.


Do site: www.qualidadebrasil.com.br

sábado, 8 de dezembro de 2012

Ciência com H

Modo de avaliação de currículo de pesquisadores brasileiros incentiva produção de muitos artigos modestos em vez de poucos com maior qualidade 

Gonçalo Viana

Até pouco tempo atrás havia apenas dois modos de medir a qualidade da pesquisa. O melhor deles sempre foi compreender minuciosamente os resultados em questão para depois julgar com profundidade sua importância, em comparação com outros estudos. Por ser subjetivo e especializado, esse método é afetado tanto pela qualidade da pesquisa quanto do leitor. Não se presta ao uso no atacado para mensurar a produção de uma comunidade de cientistas, nem pode ser usado para orientar políticas públicas.

Por essa razão, tornou-se praxe pontuar currículos apenas com base no número de publicações, configurando a infame “numerologia” que ainda domina o sistema de avaliação brasileiro. Esse modo de avaliação incentiva os pesquisadores a publicarem muitos artigos modestos em vez de poucos com maior qualidade e complexidade. O problema fica evidente quando contrastamos o avanço recente na quantidade de artigos brasileiros com a estagnação do impacto internacional dessas publicações. Cada vez mais numerosos, os artigos brasileiros continuam em sua maioria pouco citados, invisíveis internacionalmente.

Isso fica claro quando se calcula o índice H, proposto para estimar o impacto da produção de um cientista com base no número de vezes que seus trabalhos foram citados. O índice H de uma pessoa ou grupo é definido como o número de artigos publicados com citações maiores ou iguais a esse número. Para dar um exemplo, se alguém tem índice H igual a 10, significa que tem 10 trabalhos publicados com pelo menos 10 citações cada. O índice H traz embutida a avaliação criteriosa não de um único leitor, mas de toda a massa da comunidade de especialistas na área. Quando se calcula o índice H dos cientistas brasileiros, verifica-se que a maioria não chega a 10 mesmo ao final da carreira.

É, portanto, curioso que jovens cientistas brasileiros tenham sido criticados por terem “índice H de adolescente”. Por sua própria natureza, o índice H começa em zero e tende a aumentar com o tempo. Isso significa que todos os cientistas que têm H alto passaram em algum momento pelo nível intermediário. Ter “índice H de adolescente” é algo que só acontece a quem conseguiu escapar da produção invisível, inseriu-se internacionalmente e ruma para a maturidade acadêmica.

Um bom exemplo ocorre com Richardson Leão, Katarina Leão e Adriano Tort, docentes do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). São neurocientistas com menos de 40 anos que vêm produzindo artigos focados na qualidade e não na quantidade. Têm índice H entre 5 e 15. Em outubro de 2012 publicaram na revista Nature Neuroscience um importante estudo optogenético sobre o processamento de memórias no hipocampo, em colaboração com cientistas da Universidade de Uppsala, na Suécia. O mesmo artigo poderia ter sido desmembrado em vários pequenos textos, gerando um número maior de publicações à custa da diminuição de seu impacto. Meus colegas optaram por concentrar seus esforços, publicando num único manuscrito várias descobertas, mirando nos critérios de avaliação internacional mais rigorosos. Criticá-los por ainda não terem um maior índice H é esquecer que o futuro pertence aos jovens.


Do site: www.mentecerebro.com.br

domingo, 2 de dezembro de 2012

Peixe para as crianças

Consumo de pescados pode reforçar a inteligência e sociabilidade

Zurijeta/Shutterstock

Os ácidos graxos ômega 3 reduzem o risco de várias doenças. Melhoram a circulação sanguínea e a pressão arterial, reduzem o risco de doenças reumáticas, infarto e outros problemas cardíacos como arritmias. Em um estudo longitudinal, um grupo de pesquisa anglo-americano demonstrou que, ao incluir o peixe no cardápio de uma gestante, as vantagens repercutem também no desenvolvimento de bebês e crianças pequenas. Há indícios de que o consumo de produtos à base de peixe pode reforçar a inteligência e sociabilidade.

Mas nem todo peixe contém as mesmas quantidades de gordura: um percentual equivalente a 2,6 significa que 100 gramas de salmão criado em cativeiro contêm até 2,6 gramas de dois ácidos graxos ômega 3 poli-insaturados, em particular o ácido eicosapentaenoico (EPA) e o docosaexaenoico (DHA). A porcentagem oscila dependendo de fatores como a estação do ano e a alimentação do animal.

Porém, algumas espécies, como o peixe-espada e o lúcio, podem acumular substâncias venenosas, em particular o mercúrio, um metal pesado. Por isso, mulheres grávidas ou em fase de amamentação e crianças pequenas devem evitar o seu consumo. Mas os cinco peixes à frente da classificação por porcentagem de ômega 3 (veja abaixo) contêm não mais que 0,05 miligrama de mercúrio – o valor limite para metais pesados nesse tipo de alimento. A tabela mostra o conteúdo de EPA e DHA nas diversas espécies.

• Salmão de cativeiro 2,6%

• Anchova 2,1%

• Arenque (Atlântico) 2,0%

• Sardinha do Atlântico 1,2%

• Sardinha, salmão natural 1%

• Truta, atum branco 0,9%

• Peixe-espada, vôngole 0,8%

• Ostras 0,7%

• Hipoglosso, merluza preta, fishburger (fast food) 0,5%

• Caranguejo, vieira, sardinha real 0,4%

• Camarão de mar, mexilhão 0,3%

• Bacalhau, siluro, bolinhos de peixe (congelados) 0,2%

• Camarão 0,1%


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sábado, 1 de dezembro de 2012

Nova tradução de Sigmund Freud


A editora Companhia das Letras está lançando, em 20 volumes, as Obras Completas do autor

Divulgação

Este ano, parte da obra do criador da psicanálise Sigmund Freud entrou em domínio público, o que permitiu que novas traduções fossem feitas diretamente do alemão, idioma em que ele escreveu. A editora Companhia das Letras está lançando, em 20 volumes, as Obras Completas do autor. Em setembro, chegou às livrarias o volume 11, Totem e tabu, contribuição à história do movimento psicanalítico e outros textos (1912- 1914). Traduzida pelo historiador Paulo César de Souza e organizada na sequência cronológica em que os ensaios foram originalmente publicados, a coleção, ricamente ilustrada com imagens das estatuetas que pertenciam à coleção pessoal do médico vienense busca ser o mais fiel possível ao autor, sem interpretações ou comentários teóricos. Souza rejeita, por exemplo, alguns termos popularizados, como “ego”, que volta a ser “eu”, como no alemão. 

O destaque do livro é o artigo “Totem e tabu”, um dos mais ousados trabalhos de Freud, considerado pelo próprio autor seu texto mais bem escrito e inovador – ele constrói uma reflexão sobre a origem da civilização e traça um paralelo entre o mito da horda primeval e o da morte do pai totêmico (basicamente, sobre a ambivalência de sentimentos em relação à figura paterna, que é ao mesmo tempo aquela que reprime e que protege) e as origens das instituições sociais e culturais, além da religião e da moralidade. Após ser publicado, o livro permaneceu como um de seus favoritos durante toda a vida, sendo mencionado com frequência em seus estudos posteriores. 

Obras completas, volume 11: Totem e tabu, contribuição à história do movimento psicanalítico e outros textos (1912-1914). Sigmund Freud. Paulo César de Souza (tradutor). Companhia das Letras, 2012. 448 págs., R$ 54,50.

Do site: www.mentecerebro.com.br

domingo, 2 de setembro de 2012

Cientistas brasileiros desenvolvem técnica para diagnóstico precoce de Alzheimer

21 de agosto de 2012, no site: www.mentecerebro.com.br
Cientistas brasileiros desenvolvem técnica para diagnóstico precoce de Alzheimer
Recurso identifica os primeiros sinais da doença
© Levent Konuk/Shutterstock

Uma técnica desenvolvida por  neurocirurgiões do Hospital do Coração pode facilitar o diagnóstico precoce de Alzheimer, o tipo de demência mais frequente entre idosos, caracterizada pela perda progressiva das funções cognitivas. Os pesquisadores Antônio de Salles e Alessandra Gorgulho, do Hospital do Coração (HCor), desenvolveram originalmente na Universidade da Caliórnia (Ucla), um método capaz de localizar por meio de exames de neuroimagem pontos de desenvolvimento da patologia com grande precisão. Agora, os pesquisadores trazem o projeto para o Brasil.

A técnica consiste em combinar imagens geradas por PET/CT, um equipamento que une os recursos diagnósticos da medicina nuclear e da radiologia, com a ressonância magnética, e permite identificar os locais de maior concentração de células inativas no cérebro do paciente. “Ao visualizar os exames, vemos diferentes áreas do cérebro e suas vias representadas por cores diferentes, dependendo da direção das fibras nervosas. Os locais com baixa absorção de glicose no córtex cerebral representam áreas com função deficiente e são vistas com menos intensidades que as áreas normais. A partir desse indício, intensificamos as análises por meio do uso de comparação e adição de imagens", explica Salles. O neurocirurgião acredita que o recurso pode permitir o desenvolvimento de tratamento precoce ou preventivo de doenças neurodegenerativas associadas ao envelhecimento.

A doença de Alzheimer atinge cerca de 35,6 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais, 1 milhão estão no Brasil. Este número deve triplicar nos próximos 40 anos, segundo estudo da Alzeimer`s Disease International (ADI), somando 115,4 milhões em 2050. Embora ainda não haja cura, existem tratamentos para atenuar o declínio cognitivo associado a patologia. Por isso, quanto mais cedo o diagnostico, maiores são as chances das intervencões. “Diante da situação, é imprescindível contar com ferramentas capazes de diagnosticar a doença com antecedência e precisão”, conclui Salles.

sábado, 1 de setembro de 2012

Uma viagem pelo cérebro

20 de agosto de 2012, do site: www.mentecerebro.com.br

Neurônios se especializam para coordenar movimentos
 
© Sebastian Kaulitzki/Shutterstock

por Benjamin Wilhelm, William Zhang e Silvio Rizzoli

Mais de 100 bilhões de células nervosas se encarregam de nossos pensamentos. Assim como os empregados de uma empresa, são divididas em áreas de produção e competência: cada neurônio é especializado em um âmbito específico da elaboração dos sinais e da coordenação dos comportamentos. E, exatamente como numa empresa, o cérebro funciona somente se aqueles que têm a tarefa de transmitir as informações se comunicam entre si com eficiência. Mas como se dá esse processo?

As células nervosas transmitem informações sob a forma de impulsos elétricos, os potenciais de ação. Estes se difundem pelos prolongamentos da célula, em cujas terminações estão presentes minúsculas protuberâncias em forma de botão, as sinapses. Cada neurônio é conectado a outras células nervosas através de mais de 10 mil desses minúsculos pontos de contato.

Existem dois tipos de sinapse, dependendo de como transmitem a informação: as elétricas – relativamente raras – e as químicas. No primeiro tipo, o sinal elétrico é transmitido pelo contato entre as membranas de dois neurônios. Estas sinapses fazem o papel de mediadoras, entre outras coisas, nos estímulos elétricos das células musculares cardíacas, permitindo a contração do coração.

A maior parte dos neurônios, porém, apresenta sinapses químicas, separadas da célula receptora da chamada fenda sináptica, com apenas 20 nanômetros (1 nanômetro é uma unidade de medida que equivale a 1 bilionésimo de metro). Visto que um potencial de ação não conseguiria ultrapassar esse espaço, os estímulos elétricos devem ser convertidos em sinais químicos que, ao contrário, superam os obstáculos sem dificuldades.

Essas moléculas, os neurotransmissores, se encontram nas células transmissoras no interior de vesículas de membrana esferoidais. Assim que é gerado um potencial de ação, as vesículas se fundem com a membrana celular na terminação de uma sinapse – a membrana pré-sináptica – e liberam a molécula mensageira na fenda sináptica: é a chamada exocitose ou endocitose.

Os pequenos transmissores se difundem através do espaço sináptico e alcançam os receptores nas membranas das células receptoras que, por sua vez, ativam uma cascata química. Esta transforma novamente o sinal químico em impulso elétrico, que se propaga ao longo do neurônio até suas sinapses. E a cada vez o ciclo recomeça. 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Neuroimagens comprovam relação entre culpa e sintomas de depressão

Em 9 de agosto de 2012, no site: www.metecerebro.com.br

Conexão entre lobo temporal e córtex pré-frontal é menor em pessoas com a patologia
© CLIPAREA L CUSTOM MEDIA/SHUTTERSTOCK

Em Luto e melancolia (1917), o psicanalista Sigmund Freud apontou como um dos traços mentais da “melancolia” ­– como se referia aos transtornos depressivos – a presença de sentimentos exagerados de culpa. Agora, cinco neurocientistas, entre eles o brasileiro Jorge Moll, registraram imagens do cérebro de pessoas com histórico de depressão e descobriram que a “troca de informações” entre regiões envolvidas na autorrecriminação e na percepção de comportamentos socialmente aceitos é deficiente.

Os pesquisadores usaram ressonância magnética funcional (fMRI) para examinar o cérebro de pessoas que se recuperaram dos sintomas da depressão havia mais de um ano e de outras que nunca tiveram o transtorno enquanto elas relatavam como se sentiram em situações como trair a confiança de um amigo ou se recusar a ajudálo. Os resultados, publicados na Archives of General Psychiatry, mostram pela primeira vez a interação entre o lobo temporal, associado ao julgamento de comportamentos, e a região subgenual, área do córtex pré-frontal relacionada ao processamento de emoções e a circuitos neurais responsáveis pela regulação de neurotransmissores como serotonina e dopamina. Segundo os neurocientistas, a conexão entre essas partes é menor em pessoas com histórico de depressão.

Curiosamente, a interação entre essas áreas revelou-se menor apenas quando os voluntários foram induzidos a se culpar – ao desaprovarem a conduta de outras pessoas, não foram detectadas alterações significativas. Estudos complementares já foram iniciados na Inglaterra para avaliar se  dissociação entre regiões neurais pode representar risco de desenvolver depressão ou de retorno dos sintomas depois do tratamento.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Batalha entre neurônios

Do site: www.mentecerebro.com.br
Estudo sugere que o cérebro seleciona as células neurais mais competitivas para aprimorar a memória

© KANNANIMAGES/SHUTTERSTOCK

Em uma pesquisa publicada no periódico Neuron, o neurocientista Hisashi Umemori da Universidade de Michigan e seus colegas, identificaram um mecanismos cerebral que regula a memória descartando os neurônios “menos eficientes” para conservar os “bons”.  Os cientistas focaram o estudo na conexão entre o hipocampo – crucial para a aprendizagem e a memória – e o córtex cerebral, área chave da percepção e da consciência e descobriam que o processo de escolha dos melhores neurônios apefeiçoa o desenvolvimento cerebral.

À medida que as células nervosas crescem, elas se espandem para ligar diferentes circuitos neurais. Com o desenvolvimento do cérebro, essas conexões se tornam mais eficientes. Falhas nesse processo de refinamento abrem caminhos para o desenvolvimento de distúrbios neurológicos, como o Alzheimer, o autismo ou a esquizofrenia. No entanto, para Umemori e sua equipe, a maneira como os neurônios se desenvolvem não é novidade. Eles estavam interessados em descobrir as reações do cérebro quando detecta células neurais menos eficientes.

Os pesquisadores “desligaram” 40 % de determinadas conexões entre neurônios de camundongos geneticamente modificados e observaram que o cérebro eliminou as células inativas após alguns dias, mas poupou as “boas”. Em seguida, Umemori e sua equipe, desativaram todos as células neurais e se surpreendaram com o resultado: os impulsos elétricos se mantiveram normalmente. Depois, os pesquisadores analisaram a parte do hipocampo chamada giro dentado, uma importante área do cérebro responsável pela gênese neuronal durante toda a vida e encontraram outro tipo de competição: a de células “recém-nascidas” com as maduras. Os cientistas bloquearam a capacidade do giro dentado de criar novos neurônios e como resultado o cérebro interrompeu a eliminação das células, mesmo que elas fossem inativas.

O neurocientista acredita que o cérebro tenha um modo eficaz de escolher o grupo de células do sistema nervoso com as melhores conexões. Mas, quando estão nessa espécie de competição e o aparato cerebral identifica todas como inadequadas, não as elimina, pois nesse caso perderia completamente as funções neurais.

“Os resultados sugerem que os processos de aprendizagem estão relacionados a exclusão de neuronios menos efetivos. Quanto mais pudermos entender como esses mecanismos funcionam, mais seremos capazes de compreender o que acontece quando eles não estão funcionando", conclui Umemori.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

A máquina de levitar

Do site: www.mentecerebro.com.br, em 30 de julho de 2012

Estrutura criada por engenheiro capta impulsos neurais e ergue as pessoas até 6 metros do chão
 
© REPRODUCÃO

De pé sobre uma superfície circular, o visitante é atado em um equipamento de segurança contra quedas, semelhante aos usados para escalar montanhas. Em sua testa e nas laterais da cabeça são colocados eletrodos, os mesmos usados em exames de eletroencefalograma (EEG), que registram os impulsos elétricos do cérebro e os enviam para microcomputadores. Assim começa a diversão na estrutura The ascent. Criada pelo engenheiro Yehuda Duenyas, do Instituto Politécnico Rensselaer, em Nova York, a máquina que faz pessoas levitar com o poder do pensamento tem atraído curiosos a um teatro na periferia da cidade, onde está instalada.

Os registros neurais são processados e o espectador é iluminado por um feixe colorido – se for vermelho, significa que ele está “distraído” demais para levitar; verde, que tem concentração suficiente para subir cerca de 1 metro; azul, que está com a mente limpa de pensamentos que desviam sua atenção do foco e por isso pode voar. Segundo os organizadores do projeto, a maioria das pessoas não passa da “fase verde”. No entanto, alguns poucos conseguem atingir os 6 metros, marca comemorada com uma explosão de confetes prateados. “Geralmente costumam praticar meditação”, assegura Duenyas.