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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O que é um autor


A maior parte do que se faz em ciência é uma espécie de repetição de grandes pensadores

Gonçalo Viana

Já se tornou um clássico o pequeno artigo do filósofo Michel Foucault chamado “O que é um autor”.  A tese geral é simples e eficaz. Há poucos fundadores de discurso. A maior parte do que se diz e do que se ouve, do que se faz e do que se critica, em ciência e literatura, é uma espécie de repetição de grandes esquemas interpretativos, dos quais o criador da psicanálise Sigmund Freud e os pensadores Friedrich Nietzsche e Karl Marx seriam exemplos maiores e hoje extintos, juntos com a figura do intelectual público. Também na literatura a pessoa do autor, com a sua incrível carga de autoridade moral, que os escritores Honoré de Balzac ou Emile Zola chegaram a alcançar, se dilui na função impessoal do autor, assim como a obra se desfaz na ideia de escritura, sistema de citações, paráfrases e inter-remissões que desconstrói o mito do texto original, reduzindo-o a um problema de copyright.  Em resumo: somos todos plagiários de ninguém. 

Contudo, há várias maneiras de permanecer anônimo. Duas experiências opostas me mostraram isso na mesma semana. Primeiro, fui realmente surpreendido pelo fato de que meu livro  Estrutura e constituição da clínica psicanalítica (Annablume, 2011) recebeu o prêmio Jabuti, na categoria Psicologia e Psicanálise. Festa na geral e arquibancada, como se o Palmeiras tivesse escapado da segunda divisão. Triunfo para os diferentes amigos, grupos de pesquisa, instituições, alunos e orientandos com quem partilhei a escrita, as ideias, apresentações e ensaios do texto. Escritura. Não há mais autores, só grupos de trabalho que funcionam.

Mas a segunda experiência me fez reconsiderar isso. Há sete anos Madalena Freire, a filha e herdeira intelectual do educador e filósofo Paulo Freire, realiza uma verdadeira aventura educacional nos morros do Rio de Janeiro. Coordenando um curso de formação universitária para professores de creches ela teve de se haver com a dura realidade da ausência de recursos, dos contrastes culturais, da pauperizada educação brasileira. Mas, ao contrário da estratégia majoritária na matéria, ela não escolheu a transmissão do saber por meio de métodos impessoais, de técnicas racionalizadas ou de escrituras pré-fabricadas sobre o ensino e aprendizagem. 

A fórmula, simples e eficaz como a de Foucault, baseia-se em começar o curso de três anos com uma recuperação cerrada e radical sobre o que teria sido a experiência escolar de cada uma das professoras. É condição de inscrição que as professoras convivam cotidiana e intimamente com a comunidade onde ocorre o curso. As suas autobiografias formativas revelavam os caminhos pelos quais cada uma delas havia chegado ao improvável desejo de educar. Contra a demanda de obedecer, contra a impessoalidade uniformizante do ensino de massa, contra a facilidade da identificação grupal, a experiência do Pró-Saber apostou em uma ideia simples, e aparentemente ultrapassada, de que cada um pode ser autor de pelo menos uma história: a sua própria história. O curso, baseado na descoberta da relação de autoria com o saber, que poderá desde então ser transmitida para as crianças, é um amplo sucesso. Bem menos noticiado do que as unidades de polícia pacificadora (UPPs), a evasão é baixa a excelência e o impacto transformativo, elevado. A disposição para a escrita -comprova-se pelos trabalhos de conclusão. Como na psicanálise, vale aqui a regra geral da formação: antes de praticar é preciso passar por, pensar sobre e se apropriar de.

Foucault estava certo, mas Madalena também. O autor, como grande figura de iluminação individual para o progresso das massas, está morto. Não passava de uma ilusão narcísica de que há algo ou alguém por trás dos sistemas impessoais de determinação. Mas o pequeno autor, aquele que é capaz de refazer os fios de indeterminação de sua história, criando e se desfazendo dos grandes processos administrativos e metodológicos de despersonalização educacional, este ainda vive.  E caminha lenta, mas seguramente, como um Jabuti.
 
Do site: www.mentecerebro.com.br


 

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Aprenda com ritmo

Aulas de dança de salão exercitam a cognição, a memória e as habilidades sociais 

Suzana Herculano-Houzel
Gonçalo Viana


Aprender é algo que o cérebro faz a vida toda, conforme nossas experiências vão deixando suas marcas em nossos neurônios e suas conexões. O que funciona, e é usado, fica; o que não serve vai sendo descartado, cedendo lugar para outras informações. Se você estiver precisando se convencer de que continua capaz de aprender, e ainda quiser se divertir, suar a camisa e fazer amigos tenho uma sugestão: experimente fazer aulas de... dança de salão.

Lições de dança são um ótimo exemplo de como o aprendizado, de modo geral, acontece, e dos fatores que o influenciam. Para começar: nada de aprender uma coreografia complexa de uma vez só. Os professores sabem há tempos que o cérebro assimila novos programas motores aos poucos, então ensinam os passos em etapas. O córtex motor elabora a nova sequência de movimentos, até então nunca usada, ordena sua execução e começa a ajustá-la, de acordo com erros e acertos, com a ajuda dos núcleos da base. Cada movimento fica mais fluido conforme o cerebelo, através de tentativa e erro, vai ajustando os movimentos adequados, antes mesmo que eles sejam executados.

Mas, para a dança de salão, não basta aprender os passos; é preciso aprender os sinais associados a cada um, os pequenos gestos com que o cavalheiro conduz sua dama, indicando-lhe, sem falar, qual será o passo seguinte. Tudo isso requer repetição, mas prestar atenção é fundamental. Por definição, já que nossa atenção é limitada a uma coisa de cada vez, tem sempre mais eventos ocorrendo do que nosso cérebro consegue dar conta – e a atenção é o filtro que serve como porta de entrada para a memória. Sem prestar atenção no professor ou no parceiro, nada feito. O que é ótimo: como é preciso concentrar esforços sobre as próprias pernas, os problemas do mundo ficam... lá fora.

Depois de aprender os sinais e polir cada sequência de movimentos, é hora de coordená-las em um programa motor completo, que cuida da execução fluida de combinações de sombreros, coca-colas, ochos e outros passos – no ritmo da música, de preferência, se seu cerebelo ajudar. E haja cerebelo para manter o prumo com tantos rodopios. Motivação também é fundamental. Afinal, para ter a prática que leva à perfeição, ou pelo menos ao bom desempenho, é preciso ter vontade: é preciso querer estar ali. Experimentar um pouco de tudo nos dá oportunidade para descobrir do que gostamos, mas poder escolher investir no que se realmente gosta é fundamental.

Com a prática, chega-se ao ponto tão desejado onde a execução dos programas motores aprendidos se torna automática, liberando o córtex cerebral para outros assuntos, como conversar com o parceiro ou até cantarolar a música. É aqui que dançar deixa de ser esforço e vira prazer puro: sequências de movimentos executados sem precisar de supervisão cortical, simplesmente em resposta aos movimentos do outro. Seu cérebro aprendeu a dançar!

Dança de salão é tudo de bom. Academias são lugares alegres, cheios de jovens e idosos, todos dispostos a aprender coisas novas – e ainda oferecem um exercício completo para corpo e cérebro. Dançando, é possível suar, dar um fim a toda tensão muscular acumulada durante o dia, e manter saudável a resposta do cérebro ao estresse. Dançar ainda treina a memória, com o aprendizado de passos e nomes novos; exercita suas habilidades sociais, necessárias para interagir de modo cortês com pessoas desconhecidas e fazer novos amigos, e ativa o sistema de recompensa, o que garante boas horas de prazer e diversão.


Do site: www.mentecerebro.com.br

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Criativos vivem mais e melhor

Pessoas com boas ideias lidam melhor com o excesso de estresse e tendem a buscar soluções

© Wavebreakmedia/Shutterstock

Além de solucionarem problemas com mais facilidade, pessoas que têm boas ideias com frequência sofrem menos perdas cognitivas ao longo dos anos e vivem mais, de acordo com artigo publicado no Journal of Aging and Health. Depois de acompanhar mais de mil homens idosos durante 20 anos, pesquisadores da Universidade de Rochester, em Nova York, observaram relação entre criatividade, preservação das funções cerebrais e maior longevidade.

O processo criativo mobiliza várias redes neurais ao mesmo tempo, explica o psiquiatra Nicholas Turiano, autor do estudo. “Os insights e a percepção de um problema por diferentes ângulos demandam o funcionamento conjunto de vários circuitos cerebrais, o que ajuda a mantê-los em forma até a idade avançada”, diz. Segundo ele, como o cérebro é o centro de comando de várias funções corporais, exercitá-lo pode ser decisivo para conservá-las.  De acordo com o psiquiatra, estudos anteriores mostram que os mais criativos lidam melhor com o excesso de estresse, que sobrecarrega os sistemas cardiovascular, imunológico e cognitivo, deixando o organismo mais vulnerável. “Talvez os criativos encararem situações estressantes como desafios. Em vez de ‘jogar a toalha’, tendem a se adaptar e a buscar soluções. Isso traz muitos benefícios para a saúde física e mental”, acredita Turiano. (05-11-2012).


Do site: www.mentecerebro.com.br

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Ensinando a ousar


“O que quer que você seja capaz de fazer, ou imagina ser capaz, comece.
Ousadia contém gênio, poder e magia.”
(Goethe)

A cada minuto de nossas vidas estamos sempre assumindo dois papéis: o de professor e o de aluno. Dependendo do momento, do tema e do interlocutor, colocamos um ou outro véu. E num diálogo realmente edificante, chegamos mesmo a utilizar ambos.

Porém, em regra, somos maus professores. Maus porque pregamos a mediocridade, inibimos a audácia, coibimos o risco, desestimulamos a galhardia. Ser medíocre é ser comum, mediano, modesto, despretensioso. Ser medíocre é estar seguro, ainda que não se esteja bem. Ser medíocre é fruto natural de nossa cultura ibérica e de nossa tradição católica.

Empregados sem empregos


Nossas escolas de ensino fundamental privilegiam uma alfabetização metódica, padronizada, enquadrando as crianças num plano bidimensional. São ao menos nove anos de estudos sem incentivo à criatividade e à ousadia. Depois, quem pode gasta uma soma considerável com um terapeuta ou em um curso de especialização para instruir seu filho a traçar linhas curvas e não apenas retas, a misturar cores quentes e frias, a experimentar outras formas geométricas, a unir nove pontos alinhados três a três com apenas quatro retas.

O ensino médio, por sua vez, produz exércitos dotados de baionetas com as quais assinalarão “x” dentre cinco alternativas possíveis para, aí sim, ingressando no chamado ensino superior, compor uma legião de empregados para um mundo sem empregos. A própria estrutura de ensino promove a subserviência, seja por intermédio do método expositivo de aulas, seja através do respeito incólume às hierarquias, seja por meio dos trabalhos de conclusão ou estágios supervisionados, sempre focalizados em grandes empresas e com conteúdo discutível.

Nosso modelo de ensino não instiga o pensar. História é para ser decorada, e não entendida. Matemática é para se aprender por tentativa e erro, e não por tentativa e acerto. Português tem muitas regras, não se sabe para quê, não é mano?

Abolimos as aulas de Educação Moral e Cívica porque remetiam à lembrança dos tempos da ditadura, em vez de modernizarmos seu programa. O resultado é que hoje não se sabe mais cantar o Hino Nacional, o qual só é ouvido em jogos de futebol ou quando somos agraciados com alguma façanha em um evento esportivo. Foi-se embora o culto ao patriotismo e o amor ao verde-amarelo. Foi-se também a oportunidade de se ministrar um pouco de ética e de responsabilidade social.

Mediocridade ensinada


Nossa mediocridade ensinada acaba permeada em nossas vidas sem que nos apercebamos disso. Nossas empresas tornam-se medíocres porque não têm o gene do empreendedorismo, em especial o empreendedorismo de oportunidade, aquele que gera valor, que produz riqueza, que semeia empregos qualificados e de forma sustentada. Falta-nos a ousadia para adotar novas práticas, da remuneração variável ao horário flexível, da gestão compartilhada à participação nos resultados.

Nossa mediocridade ensinada congela nossos ímpetos corporativos, impedem-nos de investir em nossas próprias ideias, de acreditar em nossos mais castos ou ambiciosos sonhos. O risco, palavra derivada do italiano antigo risicare e que significa nada menos do que “ousar”, deixa de ser uma opção, deixa de ser um destino.

Nossa mediocridade ensinada se mostra presente em nossas vidas pessoais, exacerbando nossa timidez, trazendo consigo a hesitação por uma palavra, por um beijo, por uma conquista mútua. Tempera relações sem usar sal ou pimenta, adota a monotonia e culpa a rotina. Observe como nunca somos medíocres no início de um namoro, da troca de olhares ao flerte, do perfume das flores ao sabor dos bombons. Tudo isso até o primeiro beijo, o único de fato verdadeiro, pois dele deriva muitos outros até os finalmente protocolares, como a nota cinco necessária para se passar de ano.

Pílula azul ou vermelha?


Vivemos em uma nação na qual, mesmo após mais de meio século, a terra ainda devolve com fartura tudo o que nela se planta. Não somos vitimados por catástrofes naturais. Somos dotados de grande simpatia e predisposição ao trabalho. Então, por que sermos medíocres?

O que nos impede de reproduzir em larga escala a criatividade de nossa publicidade, a inteligência de nosso design, a beleza de nossa moda, a eficiência de nossa agroindústria da soja, a ousadia de milhões de pessoas que teimam em se manter vivas com um punhado de reais ao longo de todo um mês?

Ou a vida é uma aventura ousada, ou não é nada. Do contrário, não vivemos, apenas vegetamos. À luz de um ícone criado no filme “Matrix”, podemos tomar a pílula azul, esquecer tudo isso, e tratar o ensino com objetivo exclusivo de satisfazer estatísticas, empenhados em reduzir índices de evasão e elevar taxas de escolaridade. Mas podemos optar pela pílula vermelha, e incentivar a escola democrática, substituir a forma desinteressante e desatrelada da realidade de educar pelo estímulo à curiosidade, encorajando o aprendizado ao invés do ensino porque ousadia é uma forma de ser e não de saber.


* Tom Coelho é educador, conferencista e escritor com artigos publicados em 17 países. É autor de “Somos Maus Amantes – Reflexões sobre carreira, liderança e comportamento” (Flor de Liz, 2011), “Sete Vidas – Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional” (Saraiva, 2008) e coautor de outras cinco obras. Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com..

Recebido do autor, por e-mail

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Como escapar da roda viva da vida moderna e arranjar tempo para pensar

!

Um dos mitos sobre a criatividade mais difundidos apresenta o ato de criar como um processo caótico, desordenado e que, de repente, culmina num estalo criativo. Este mito confunde a atitude mental de desafio às ideias vigentes com o método de trabalho para gerar e aprimorar ideias. As pessoas altamente criativas sabem combinar a audácia mental com a disciplina no trabalho. As ideias podem surgir num momento especial, mas, normalmente, este final glorioso resulta de um trabalho árduo e de muita concentração.

     Basta olhar para a biografia dos gênios para ver que a genialidade é uma qualidade desenvolvida com esforço, disciplina e rigor.  Gênios descobrem sua habilidade natural e trabalham duro, durante longos anos, para desenvolver o que há de melhor nessa sua habilidade. Foi isso que levou Michelangelo a dizer que, se as pessoas soubessem o esforço necessário para levá-lo aonde ele chegou, não o chamariam de gênio. Jacob Pétry, filósofo.

 Algumas pessoas podem pensar que o gerenciamento do tempo e a criatividade sejam duas coisas antagônicas, que não se misturam, como a água e o vinho. Para elas pode parecer que os conselhos para se organizarem e combater a procrastinação não se aplicam. Contudo, os testemunhos de pessoas altamente criativas, como Michelangelo, Picasso, Thomas Edison e Einstein, entre outros, enfatizam a disciplina no uso do tempo como suporte um crítico para a criatividade.

 No processo criativo, concentração é a palavra chave e isolar uma parte do tempo para pensar sem interrupções e interferências é essencial para se obter o máximo de nossas habilidades criativas. A maneira de usar este tempo varia de pessoa a pessoa, algumas preferem uma sala isolada, outras se sentem mais criativas ouvindo música suave ou sentadas à sobra de uma árvore, para citar apenas algumas das muitas preferências. O que importa é a plena concentração, sem interferências.
 Os paradoxos da moderna tecnologia

A coisa maravilhosa a respeito da moderna tecnologia é a quantidade de informação ao nosso alcance e a facilidade de compartilhá-la. O intercâmbio de ideias e informações é bom para a criatividade. O lado ruim da moderna tecnologia é a quantidade de informação disponível e a facilidade de disseminá-la. Somos inundados por um fluxo incessante de novas informações e conexões, via smartphones, e-mails, newsletters, websites, vídeos, redes sociais, etc. Pesquisas têm revelado que muitas pessoas gastam cerca de 3 horas por dia lidando com estas informações e conexões, a maioria delas trivialidades sem valor.

A ansiedade causada por estas múltiplas demandas acaba erodindo nossa capacidade de concentração, que é vital para a criatividade.

Este cenário lhe parece familiar? Você começa o dia cheio de entusiasmo com a oportunidade de trabalhar em uma nova ideia. Liga o computador, começa a trabalhar e se inicia também a enxurrada de e-mails e notificações de novas mensagens no Facebook e Twitter. Você interrompe o fluxo de ideias mal começado para responder as mensagens e ler as últimas atualizações na sua rede social. Depois de algum tempo, você tenta retomar seu trabalho, mas o telefone toca. Finalizada a conversa, você nota que há novas mensagens e novas atualizações no Facebook e Twitter. Assim se esvai o dia e terminamos reclamando que nos dias de hoje não há mais tempo para pensar e o trabalho criativo não passa de um sonho distante e inalcançável.

Na verdade, tempo há, mas o que acontece é que, sem planejamento e controle, ficamos a mercê dos ladrões de tempo.
Não permita que interfiram em sua criatividade

As pessoas criativas são notáveis pela capacidade de concentração e pela qualidade da atenção, determinadas pela plenitude e continuidade. A plenitude se refere à condição de concentração em único assunto por vez, afastando-se de outras preocupações durante o tempo reservado para o processo criativo. A continuidade se refere à ausência de interrupções causadas por demandas que podem ser atendidas em outros momentos.

Como escapar da roda viva da vida moderna, assumir o controle do uso de seu tempo e afastar as interferências no trabalho criativo? Talvez você pense em adquirir um sofisticado software para agendar e gerenciar suas atividades. Tudo bem se você gosta destes tipos de aplicativos, mas, na verdade, isto não é o essencial. Basta uma simples folha de papel, pois o que importa é sua atitude de considerar seu tempo um recurso valioso que deve ser usado com inteligência e disciplina. Na verdade, tudo se resume na atenção a somente três pontos.

Primeiro, identifique a hora do dia em que você se sente mais criativo e reserve este tempo para as atividades de pensar coisas novas, inovar e resolver problemas importantes e complexos. Na medida do possível, proteja este tempo e não permita interferências e perturbações. Questione a urgência e a importância de todas as pressões para interromper seu trabalho criativo.

Segundo, planeje o seu trabalho de modo a usar seu tempo de forma inteligente, melhorar sua produtividade e abrir espaço par o trabalho criativo. Para isto, você pode usar a Matriz de Gerenciamento do Tempo e classificar suas atividades conforme a importância e urgência.

Terceiro, elimine o hábito de abrir seu e-mail ou consultar sua rede social a todo momento e de responder todas as mensagens imediatamente. Reserve uma hora do dia para acessar sua rede social e examinar suas mensagens de uma única vez. Apague sem piedade as inutilidades; coloque as não urgentes e de pouca importância em uma pasta para serem respondidas mais tarde, numa ocasião reservada para esta finalidade; responda todas as demais consideradas importantes e urgentes. Faça isto uma vez por dia, ou no máximo duas.

Com estas medidas simples, você se surpreenderá com o aumento de sua produtividade e com a qualidade de suas ideias.


Jairo Siqueira  |  Publicado em: 30/07/2012, no site: www.qualidadebrasil.com.br

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

5 erros das pessoas superprodutivas



O artigo foi originalmente escrito por Amanda Previdelli consultando Fernando Serra, extraí da revista Exame On Line.

São cinco questões que realmente passamos no dia a dia e nem sempre agimos da forma adequada.

Abaixo de cada item, alguns comentários pessoais.

1. Achar que a internet só ajuda

Por mais que mobilidade seja importante, muitas vezes os gadgets atrapalham sua produção no trabalho. A tecnologia era um meio que acabou, em muitos casos, se tornando um fim, diz Serra. As interrupções que as notificações do seu celular causam acabam fazendo com que as pessoas percam a concentração – e percam tempo.

E não só tempo no trabalho é desperdiçado, a tecnologia acaba se infiltrando até nos momentos de lazer. Tecnologia é um instrumento, mas é preciso tomar cuidado, fala o especialista.

Sempre afirmei e afirmo: A tecnologia somente pode ser boa se for útil. Ter tecnologia pra bonito ou simplesmente porque outros têm, não compensa, somente atrapalha.

2. Esticar o tempo no trabalho

Esse é um dos maiores mitos na produtividade: o de que muitas horas trabalhadas equivalem a muito trabalho feito. Não é bem assim. Primeiro a pessoa tem de dormir. Cada um tem seu horário, mas ao menos umas seis horas por dia. É importante, determina Serra.

O raciocínio do especialista é bem lógico: quem dorme pouco durante a semana, acaba ficando extremamente improdutivo na sexta-feira. Aí de que adianta passar 12 horas por dia no escritório se, em um ou dois dias na semana, você está tão distraído e cansado que mal consegue trabalhar?

E não é só o sono que é importante: todo mundo precisa de um tempo de reflexão e descanso – independente da atividade (não-profissional) que escolher.

Com absoluta certeza: Se você fica focado no seu trabalho não há necessidade de ficar todos os dias fazendo serão. Caso aconteça isto todos os dias, com o tempo, você vai perdendo produtividade, pois vai considerar que o seu horário de trabalho vai até mais tarde, ou incluindo finais de semana. Cada coisa tem seu tempo, tempo para trabalho, tempo para lazer.

3. Abusar do multitasking

É bem verdade que não é fácil se concentrar em uma única tarefa. A maioria das pessoas faz ao menos duas coisas ao mesmo tempo (escuta música enquanto trabalha, toca dois projetos ao mesmo tempo ou almoça enquanto lê o jornal, por exemplo). Isso é fato, é comum e não é problemático.

O problema existe quando a pessoa não percebe que nem toda a tarefa pode ser feita em concomitância com outra, ou não impõe limites para quantas atividades vão ser feitas ao mesmo tempo, diz Serra. Para ele, quem não tem foco acaba não concluindo (ou concluindo mal) as tarefas que começa.

Como diria a música da Legião Urbana: Sempre faço mil coisas ao mesmo tempo... (já escrevi sobre isto: http://gestao.adv.br/index.php/sempre-faco-mil-coisas-ao-mesmo-tempo) O importante é não perder o foco dos prazos e importâncias de cada coisa a ser feita.

4. Não saber delegar

Pessoas superprodutivas têm problemas com isso. Muitos problemas. Quem gosta de trabalhar, assumir responsabilidades e produzir o máximo não raro prefere fazer tudo sozinho, sem delegar tarefas a ninguém. Isso é um problema por vários motivos.

Primeiro é que a maior parte das pessoas depende das tarefas e decisões que você vai tomar e cumprir de maneira solitária. Em segundo lugar, trabalho em grupo faz parte de um escritório e não saber se relacionar é um ponto negativo no seu currículo.

Fernando Serra ainda completa: As pessoas precisam conhecer suas limitações e perceber que tem coisas que outros colegas poderiam fazer melhor.

Concordo integralmente com ele. Cada um deve fazer o que faz de melhor, assim a empresa ganha com a totalidade dos bons trabalhos desenvolvidos.

5. Acreditar que tudo tem de ser começado e terminado rapidamente

Sem dúvida procrastinar é ruim, mas algumas tarefas não podem ser iniciadas de pronto, conta Serra. Para ele, as pessoas superprodutivas precisam aprender a priorizar projetos. Além disso, precisam se organizar para as tarefas que, de acordo com o especialista, têm um timing.

Não adianta forçar, alguns projetos têm calendários diferentes e não podem ser iniciados nem terminados de imediato, diz Serra. (Fonte geral dos erros: http://exame.abril.com.br/carreira/noticias/5-erros-das-pessoas-superprodutivas?page=1)

Outra situação comum: Produtividade não se mede apenas pelo tempo. Um recurso especial demora mais que uma réplica, isto é natural. Fazer 30 contestações padronizadas em um dia é produtividade, mas também o é produzir apenas uma contestação numa ação rural, por exemplo, com muitas matérias fáticas.

Enfim,

São cinco erros que podem ser cinco acertos se bem aplicados, certo?


Gustavo Rocha  |  Publicado em: 23/08/2012, no site: www.qualidadebrasil.com.br

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Engenharia do futuro e o apocalipse

Podemos dizer que a engenharia é a ciência, transformada em profissão, que desenvolve e aplica os conhecimentos matemáticos, técnicos e científicos,  na criação, aperfeiçoamento e uso de materiais , máquinas, sistemas e processos, para alcançar um objetivo ou desenvolver um projeto?
Certamente poderemos encontrar definições melhores do que esta, mas para nosso propósito vamos adotá-la.
Para tanto, a engenharia tem reunido   conhecimentos  e especializações  no sentido de materialização, beneficiando a sociedade, com apoio aos aspectos economicos, saúde, e agora com atenção também voltada ao meio ambiente.
As questões segurança e proteção estão na pauta do dia, em cada projeto pensado: pontes, prédios, estradas, alimentos, vestuários, veículos, equipamentos médicos, medicamentos...
 
Mesmo nas questões, até então românticas, como a salvação de espécies, por serem demasiadamente técnicas para uns e econômicas para outros, está a engenharia.
 
Para muitos, o lixo uma vez descartado longe de suas casas deixa de ser um problema, até que o cheiro, a fumaça e o risco de contaminação do lençol freático os atinjam.
 
Salvar baleias, golfinhos e tartarugas  deixou de ser tema apenas de ativistas e começa a ganhar a dimensão necessária.
 
A mensagem do planeta é muito simples: ”integre-se ou desintegre”.
 
Não acredita?
 
Tem idéia dos estragos que provoca um tsunami ou um deslizamento de terras?
 
Bom, muitas catástrofes são provocadas por nossas ações impensadas e ocupações de áreas que deveriam ser protegidas.
 
Não é sem motivos que técnicos vistoriam diariamente e bombardeiam montanhas cobertas de neve, provocando pequenos deslizamentos para evitar grandes avalanches.
 
Ocorre que a degradação do planeta é muito grande, os estragos não são reversíveis.
 
Talvez, ao ouvir isso, você diga mais um pessimista, um fatalista. Basta olhar em volta e observar algumas questões  as quais debatemos muito e fazemos pouco, ou quase nada, frente ao tamanho do problema.
Todo tipo de poluição só aumenta. A própria floresta amazônica chega a lançar mais poluentes em alguns momentos que retirá-los.
O Aquecimento global,  em mais alguns anos, no verão, deixará o polo norte sem qualquer indício de gelo.
Os reservatórios de água cada dia estão mais escassos.
Lencóis freáticos estão sendo contaminados, ainda que pouco sobre o assunto seja dito.
Animais, extremamente importantes para a flora, continuam desaparecendo.
Os oecanos morrem um pouco a cada dia.
 
O tema é extenso, cada tópico da um livro, uma tese.
 
A pergunta básica e simples de se fazer é a seguinte: por que o planeta precisa do homem?
 
Que falta faria o homem se este desparecesse, como num passe de mágica?
 
Como seria a terra se nunca tivéssemos existido?
 
Ora, se não houver contribuição, o sistema trabalhará pela nossa eliminação. Não é o que faz o seu organismo com corpos estranhos?
 
Quanto mais feroz se tornar o planeta, mais dificil a sobrevivência.
 
Não é o resgaste da tese do fim do mundo no ano 2.000, nem a defesa das profecias de 2.012, apenas a visão de uma pessoa, privilegiada pelas fantásticas criações da engenharia, que por satélite, na tv, no celular ou na internet, se mantém informada e pode dizer com segurança que a engenharia do futuro não terá como função apenas o conforto e segurança do homem, mas fundamentalmente sua salvação!

Ivan Postigo
Diretor de Gestão Empresarial
Postigo Consultoria Comunicação e Gestão
Fones (11) 4526 1197 / (11) 9645 4652
www.postigoconsultoria.com.br
Twitter: @ivanpostigo
Skype: ivan.postigo

Publicado em 1-Nov-2011, no site: www.gestopole.com.br

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

E-mail para o futuro

www.mentecerebro.com.br, em 15 de setembro de 2011

Escreva mensagens para você mesmo e receba daqui a 50 anos
 
© prism68 /shutterstock

De que você gostaria de se lembrar ou de dizer para si mesmo daqui a 50 anos ou mais? Ou que reação teria hoje se recebesse uma carta escrita por você no passado? No site FutureMe.org, o usuário pode escolher uma data (até o ano de 2061) e enviar um e-mail para si mesmo. Na lateral da página, estão relacionadas as mensagens mais recentes, com o nome do autor mantido em sigilo (há também a opção de não publicar o conteúdo). Em dezenas de línguas, com predomínio do inglês, os temas variam desde conselhos sobre como educar os filhos até parabéns por aniversários que ocorrerão daqui a meio século. Algumas cartas são escritas a dois – por casais, irmãos ou pais e filhos. Para enviar uma correspondência para o futuro ou mesmo se divertir com as mensagens deixadas no site, e refletir sobre elas, basta acessar www.futureme.org.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Azaléia

Desta vez a Azaléia ... exagerou!!!!

( clique na imagem para ampliar )

quinta-feira, 31 de março de 2011

A raiz da criatividade está na infância...



Publicado em 14-Mar-2011, por Prof. Menegatti .


Uma pesquisa sobre gênios que moldaram o século XX com sua criatividade, apontou que todos partilhavam uma espécie de entusiasmo infantil na abordagem de seu trabalho. Eles tinham alguma coisa de criança, tanto no sentido de fazer novas explorações, quanto no de admirar-se com as coisas que impressionam as crianças.
Einstein perguntava como seria viajar num raio de luz. Muitas crianças fazem essa pergunta, mas poucos adultos.
Picasso se perguntava: “O que acontecerá se apanharmos um objeto e o quebrarmos até fragmentá-lo em inúmeras partes diferentes?”
Freud fez perguntas rudimentares sobre sonhos.
Toda criança nasce com a semente da criatividade. Todas têm o desejo e impulso de explorar, de descobrir coisas, de tentar, de experimentar modos diferentes de manusear e examinar os objetos. Enquanto crescem, as crianças vão construindo universos inteiros de realidade em suas brincadeiras.
A máquina de lavar é entregue numa caixa de papelão grosso. Durante semanas as crianças brincarão com a caixa, abrindo-a, dobrando-lhes as bordas, inventando e reinventando: uma caverna de urso, um navio pirata, uma estação espacial, um avião, enfim tudo, menos uma caixa vazia dentro da qual veio uma máquina de lavar.
A maioria do tempo que passamos com nossos filhos, estamos ensinando alguma coisa. Acho que está na hora de começarmos a aprender um pouquinho com eles. Esse foi o segredo de sucesso de Einstein e pode ser o nosso também...






do site: www.gestopole.com.br

segunda-feira, 14 de março de 2011

Disciplina e Arte, as Principais Armas Para a Criatividade e Inovação


Publicado em 28-Feb-2011,  por Julio Cesar S. Santos



 Por Que as Organizações Devem se Transformar em Fábricas de Idéias? O Que Fazer Para Aflorar a Criatividade Nas Pessoas?

Desde a infância, passando pela adolescência e juventude somos treinados para deixar de lado nossa criatividade e intuição, enquadrando nossa vida numa visão rotineira e convencional das coisas. Mas, sob o ponto de vista de alguns escritores e cientistas para sermos criativos é necessário “desaprender” grande parte do condicionamento imposto sobre nós desde nosso nascimento.

Certa vez, o irreverente escritor americano Mark Twain afirmou que jamais permitiu que a escola interferisse nos seus estudos e, logo depois disso, o não menos famoso escritor inglês Bernard Shaw disse que teve que “interromper sua educação para ingressar na faculdade”.  

Na verdade, o que ambos estavam denunciando – com certo bom humor – era a uniformização mecânica do raciocínio e do conhecimento, o que reduzia drasticamente o espaço aberto à criatividade e a intuição nas escolas e nas organizações.

Com menos humor e de maneira mais critica um dos pensadores mais criativos da humanidade – Albert Einstein – certa vez disse que “a humilhação e a opressão mental impostas por professores pretensiosos causa danos irreparáveis na mente dos jovens, de tal forma que acabam exercendo influências maléficas na vida futura”.

Para ele a pior coisa para uma escola era usar os métodos do medo, da força e da autoridade artificial, pois isso destruiria os saudáveis sentimentos de sinceridade e autoconfiança e produziria indivíduos submissos.

Algo semelhante a isso pode ser dito no âmbito empresarial, pois chefes despreparados não percebem que a atual prioridade das organizações criativas é a de se transformarem em “fábricas de idéias”. John Kao – em entrevista a Revista HSM Management – afirma que as organizações vencedoras são aquelas que estimulam a criatividade nos seus funcionários, clientes e até nos seus fornecedores. Sob seu ponto de vista, existem três formas de aflorar a criatividade nas pessoas:
 
1.     Encontrar novos interesses.

2.     Ter as expectativas certas

3.     Fazer de seu local de trabalho um ambiente propício à criatividade.
 
Outros teóricos do comportamento humano denominam esse local de trabalho como o ambiente de “liberdade responsável”, o qual estimularia os sentimentos positivos e a própria criação do novo. Para esses estudiosos existem quatro (4) elementos que garantem boa produtividade individual aos funcionários de uma organização: (a) adotar metas bem definidas; (b) promover uma prestação de contas periódicas; (c) manter transparência de procedimentos; (d) proporcionar liberdade de ação aos colaboradores.

Um ambiente repressivo acentua sentimentos egoístas que devem ser reprimidos pela liderança, a fim de se manter certa ordem externa. Esses estudiosos acreditam que a criatividade esteja relacionada a certa capacidade de brincar com a vida. Ou seja, ter a satisfação de experimentar, olhando as coisas sempre pela primeira vez e não como mero prolongamento do passado.

A criatividade depende do que fazemos com nossa liberdade de agir e, além disso, ela também está relacionada com a intuição. Essas duas (2) funções pertencem a cada um de nós, mas só surgem quando nos libertamos das preocupações com nós mesmos e acabamos rompendo os muros da memória, da visão do passado e da busca de segurança.
  
Usando a Criatividade Para Resolver Problemas:
 
·        Coloque ao seu alcance papel e caneta. Identifique um problema concreto e relaxe. Ponha as mãos nos joelhos e mantenha sua coluna ereta, com as pernas formando ângulos retos e as pontas dos pés apontando para frente. Respire calma e profundamente, enquanto se concentra no relaxamento dos músculos dos pés, das pernas, das mãos, dos braços, dos ombros, do rosto e, depois de três minutos, examine serenamente a questão.

·        Visualize o problema. Sua atitude diante dele é decisiva. Parta do ponto de vista de que o problema existe para ajudar a vida a ensiná-lo algo e que, evitar a questão, é fugir da oportunidade de aprender a viver e a trabalhar corretamente. Examine o problema, identificando em você o que o causou ou o que dificulta sua solução. É aí que está a alternativa.

·        Ponha no papel uma lista dos possíveis problemas e não se censure, pois soluções aparentemente absurdas são bem vindas. Liberte sua imaginação, expressando seus sentimentos até em propostas exageradas e inviáveis. Tenha a certeza de que a lista seja bem ampla.

·        Examine as propostas transformando-as, adaptando-as ou eliminando-as. Selecione as melhores idéias e trace estratégias decidindo o que fazer de prático amanhã, na próxima semana ou no mês que vem. Ponha em prática o que você decidiu e, depois de terminado o período da experiência prática, avalie os resultados e revise as estratégias atualizando-as. Garanta que sua linha de ação será firme, ética e que não fará mal a ninguém. Lembrando-se que o seu bem pessoal está em fazer o bem aos outros.


do site: www.gestopole.com.br