Mostrando postagens com marcador Mente e Cérebro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mente e Cérebro. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 20 de março de 2013

Estudos discutem relação entre curiosidade e aprendizagem


Trabalho em grupo e feedback são chave na educação infantil

Morgan Lane Photography/Shutterstock

Alguns pesquisadores veem a fonte natural da motivação humana na ampliação das próprias competências. Já que novas situações ocultam tanto chances quanto riscos, formaram-se ao longo da evolução dois sistemas de motivos antagonistas:  curiosidade e medo. O psicólogo Clemens Trudewind, da Universidade de Bochum, Alemanha, estudou essa interação. Ele descobriu que crianças curiosas e destemidas resolvem problemas com mais eficácia do que as temerosas e passivas. No entanto, a curiosidade e o medo não são opostos: crianças muito medrosas e ao mesmo tempo curiosas também se revelaram boas solucionadoras de problemas no estudo de Trudewind. Motivos supostamente antagônicos, portanto, não obrigatoriamente se excluem. 



Para aumentar a motivação dos alunos, pedagogos geralmente tentam despertar seu interesse pelo objeto de aprendizagem. Porém, como o estudo educacional internacional TIMSS (Tire International Mathematics and Science Study), publicado em 2007, comprovou, os fatores “interesse” e “bom desempenho” não estão muito fortemente associados. Uma pessoa pode se interessar pelo céu estrelado, mas nem por isso querer estudar astronomia.

Como então podemos reforçar a motivação para o aprendizado na escola de forma mais efetiva? Segundo o pesquisador Albert Ziegler, da Universidade de Ulm, Alemanha, isso depende de três fatores: em primeiro lugar, os alunos devem se sentir no controle. Isso é possível, por exemplo, com uma “negociação” comum dos objetivos do aprendizado. Em segundo lugar, a competência de cada um deve ser reconhecida e valorizada. Para tanto, é importante que haja feedback positivo frequente. Em terceiro lugar, é fundamental a ligação social proporcionada pelo aprendizado − por exemplo, por meio de trabalhos em grupo.


Do site: www.mentecerebro.com.br

terça-feira, 19 de março de 2013

Estimulação cerebral para tratar Parkinson


Técnica poderá ser testada em humanos em menos de 5 anos

Jezper/Shutterstock

Desenvolvimento recente, a estimulação cerebral profunda (DBS, na sigla em inglês) consiste em implantar eletrodos metálicos no cérebro com o objetivo de estimular áreas específicas por meio de impulsos elétricos. O procedimento tem mostrado bons resultados no tratamento de dor crônica, epilepsia e dos tremores causados pelo Parkinson. Agora, uma tecnologia ainda mais sofisticada pode ampliar os efeitos da DBS: magnetos microscópicos, capazes de agir com maior precisão, pois os eletrodos metálicos, apesar de minúsculos, são muito volumosos para atingir os circuitos neurais mais intrincados. 



Em uma série de experimentos relatada na Nature Communications, os neurofisiologistas John T. Gale, da Fundação Clínica Cleveland, e Giorgio Bonmassar, da Universidade Harvard, especialista em imageamento cerebral, testaram se micromagnetos (que têm menos da metade de um milímetro de diâmetro) poderiam induzir neurônios da retina de coelhos a disparar. Eles descobriram que quando energizavam eletricamente um icromagneto posicionado perto de um neurônio a célula se ativava.



Ao contrário das correntes elétricas induzidas pela DBS, que excita neurônios em várias direções, os campos magnéticos, como o que envolve a Terra, percorrem linhas de polo a polo. Os pesquisadores observaram que é possível dirigir o estímulo precisamente para um neurônio específico e até mesmo para areas particulares da célula. “Isso pode nos ajudar a evitar alguns efeitos colaterais da DBS, como as emoções negativas que por vezes são desencadeadas em pacientes com Parkinson submetidos ao tratamento para aliviar tremores”, diz Gale. 



Além disso, os magnetos, de revestimento plástico, estão menos sujeitos à corrosão que os eletrodos de metal, o que previne possíveis inflamações dos tecidos cerebrais. “Pesquiso a DBS há 14 anos e o uso de magnetos se revelou um meio totalmente inovador de ativação cerebral. Se as pesquisas com animais continuarem a demonstrar que são seguros e eficazes, eles poderão ser testados em humanos dentro dos próximos 5 anos”, diz Gale.


Do site: www.mentecerebro.com.br

segunda-feira, 18 de março de 2013

Software ensina crianças a montar pratos saudáveis

Programa criado na Unesp ajuda a desenvolver alimentação saudável

Zurijeta/Shutterstock

A incidência de sobrepeso aumentou 200% entre crianças brasileiras de 5 a 9 anos nos últimos 30 anos, Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Sedentarismo e o consumo de alimentos industrializados são as causas mais imediatas, mas especialistas chamam a atenção para mudanças nas relações culturais com a comida: vários estudos apontam que a publicidade tem grande influência sobre as preferências alimentares infantis – cientistas da Universidade Corwell, por exemplo, descobriram que o cérebro dos pequenos reage fortemente quando eles veem imagens de logotipos de redes de fast food. Diante do crescimento dos índices de obesidade no mundo, têm surgido várias linhas de pesquisa em educação alimentar, que comprovam a importância de formar hábitos alimentares saudáveis desde cedo para prevenir problemas relacionados ao excesso de peso. Alunos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) criaram um jogo que ajuda as crianças a descobrirem o valor nutritivo dos alimentos. No software Lanche saudável, o usuário monta uma refeição a seu gosto e a submete a uma avaliação, que aponta o que falta e o que há de excesso no prato: http://sourceforge.net/projects/lanchesaudavel

Do site: www.mentecerebro.com.br

domingo, 17 de março de 2013

Estudo brasileiro mostra que Ritalina não melhora o desempenho neural



Droga não beneficia a atenção nem a memória e pode causar dependência

James Steidl/Shutterstock

Prescrito para o tratamento de transtorno de deficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e de narcolepsia (crises de sono incontroláveis), o medicamento metilfenidato, comercializado com o nome de Ritalina, tem sido usado sem acompanhamento medico por estudantes que acreditam que a droga pode “turbinar” o rendimento intelectual, diminuindo a necessidade de sono e favorecendo a memória. Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), no entanto, descobriram que, além de não ter efeitos cognitivos esperados no cérebro de pessoas saudáveis, a “pílula da inteligência” ainda pode aumentar a chance de desenvolver problemas cardiovasculares.



A psicóloga Silmara Batistela dividiu 36 voluntários entre 18 e 30 anos em quatro grupos: um deles  tomou placebo e os outros uma dose única de 10 mg, 20 mg ou 40 mg de Ritalina. Em seguida, todos fizeram testes cognitivos. Segundo Silmara, o desempenho foi semelhante, independentemente de terem tomado o remédio ou da quantidade administrada, o que sugere que o medicamento não aprimora as funções neurais, apesar de os que ingeriram a dose de 40 mg relatarem maior sensação de bem-estar, o que é compreensível, pois a droga é um estimulante. 



Medicamentos “turbinadores” têm ganhado popularidade entre vestibulandos, adultos jovens que estão estudando para concursos ou em situações de grande pressão por resultados. A segurança da  Ritalina como aprimorador neural não é comprovada e, no Brasil, ela é  comercializada para esse fim de forma ilegal. Estudos sugerem, aliás, que o uso contínuo aumenta o risco de dependência, complicações cardiovasculares e, em um grupo restrito de pessoas, pode até piorar o desempenho cognitivo.


Do site: www.mentecerebro.com.br

sábado, 16 de março de 2013

Mudar forma de se expressar ajuda a emagrecer


Voluntários de estudo americano que repetiram "não posso" tiveram piores resultados

Özgür Donmaz/iStockphoto

Dizer "não como" ajuda resistir às tentações, de acordo com um estudo publicado no Journal of Consumer Research. Ao analisar a fala de voluntários que seguiam programas de emagrecimento, os pesquisadores observaram que as pessoas que diziam, por exemplo, “não como açúcar” em vez de “não posso comer açúcar” conseguiam recusar alimentos poucos saudáveis e driblar o desejo de faltar à academia com mais frequência. Para a autora do estudo, a professora de marketing Vanessa Patrick, da Universidade de Houston, “não posso” evoca ideia de privação, e que se faz algo que contraria o próprio desejo, enquanto “não faço” nos faz sentir mais donos da própria força de vontade e aptos a persistir nos projetos de longo prazo.

Do site: www.mentecerebro.com.br

sábado, 2 de março de 2013

Trauma pode ser transmitido de avós para netos


Maior risco de ansiedade está relacionado a interação de fatores sociais e bioquímicos

konstantin Christian/Shutterstock

Eventos estressantes vivenciados na infância, como negligência ou abuso, deixam marcas e não raro se manifestam em problemas psíquicos na vida adulta. Agora, um estudo mostra que as sequelas podem extrapolar gerações: filhos e netos de pessoas que sofreram traumas tendem a ser mais ansiosos e vulneráveis ao estresse.

Os bioquímicos Larry Feig e Lorena Saavedra-Rodríguez, da Universidade Tufts, em Massachusetts, estimularam o estresse em ratos jovens, mudando-os seguidamente de gaiola ao longo de sete semanas. Quando os animais se tornaram adultos, os pesquisadores os submeteram a testes que avaliam a ansiedade social em roedores, como a frequência com que se aproximam e interagem com ratos desconhecidos. As fêmeas adultas apresentaram comportamentos mais ansiosos em comparação com animais do grupo de controle, mas os machos não. Entretanto, posteriormente, os filhotes dos ratos de ambos os sexos mostraram-se mais vulneráveis ao estresse que a média.

O interessante, segundo Feig e Lorena, é que os ratos machos do início do estudo transmitiram o comportamento para as fêmeas de sua terceira geração, as “netas”. “Estudos anteriores sugerem que as fêmeas têm maior risco de ansiedade, o que pode ser causado por uma interação de fatores sociais e bioquímicos”, diz Feig. Ele afirma, porém, que é cedo para estender os resultados a humanos. “Os ratos do estudo foram criados em gaiolas simples, com número limitado de influências ambientais. Humanos, claro, são sujeitos a uma variedade muito maior de estímulos e também têm a habilidade de desenvolver formas de enfrentamento”, acredita.


Do site: www.mentecerebro.com.br

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Filhote de bonobo tem sinais de autismo


Primata pode ajudar a desvendar causas do transtorno

Rahmo/Shutterstock

Teco, de 3 anos, é capaz de passar horas olhando para uvas ou para brinquedos. Passa a maior parte do tempo sozinho. Quando bebê, não se agarrava à mãe como os outros filhotes de bonobo nascidos no cativeiro Great Ape Trust, em Iowa – ele evita o contato físico e o visual de forma muito semelhante a crianças diagnosticadas com autismo. Teco é um caso raro de primata com sintomas de autismo e pode oferecer pistas para o estudo de possíveis causas genéticas e ambientais do transtorno. Segundo os cuidadores, sua mãe passou mais de 60 horas em trabalho de parto, o que leva cientistas a considerarem a interação entre o trauma sofrido no nascimento e fatores genéticos. Ele também tende a se fixar em objetos brilhantes e tem dificuldade de coordenar o movimento de pernas e braços.

Do site: www.mentecerebro.com.br

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Hidrocefalia inspira espetáculo debaixo da água


Distúrbio neurológico causa visões fantásticas em protagonista

Divulgação

Três mil litros de água preenchem a piscina construída no centro do palco. O cenário significa a cabeça de Laura, personagem com hidrocefalia que transborda poesia na peça A Marca da água, que comemora 25 anos da companhia de teatro Armazém.

Aos 40 anos, Laura leva uma vida aparentemente calma, mas sente uma espécie de tristeza. Certo dia um peixe enorme aparece em seu jardim. A estranha presença é o primeiro sinal da doença neurológica, caracterizada pela acumulação de líquido cefalorraquidiano no interior da cavidade craniana e que, entre outros sintomas, causa confusão mental e perda das habilidades motoras. A água que toma seu cérebro, porém, vem acompanhada de uma música envolvente, que dá cor à sua vida e a impulsiona a mudar as relações afetivas. “Ela escolhe os sintomas em vez da cura”, resume o diretor e autor do texto Paulo de Moraes, que se inspirou, entre outras referências, na obra do neurologista e escritor Oliver Sacks.


A marca da água. Sesc Santana. Av. Luís Dumont Villares, 579, Santana, São Paulo. Sextas e sábados, às 21h. Domingos, às 18h. R$ 24,00. De 16/02 a 24/03.

Do site: www.mentecerebro.com.br

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Primeiro sentimos, depois julgamos


Tomografias cerebrais sugerem que nossas avaliações se baseiam mais em intuições e emoções do que em processos racionais

Zayats-and-zayats/Shutterstock

por Jorge Moll e Ricardo de Oliveira-Souza

De que maneira os sentimentos afetam nosso julgamento sobre o que é moral? Um estudo publicado na Nature de abril de 2007 apresenta uma nova e importante concepção sobre a relação entre raciocínio moral e emoção. Os pesquisadores Michael Koenigs, pós-doutorando do Instituto Nacional de Transtornos Neurológicos e AVC, Liane Young, aluna de pós-graduação em psicologia cognitiva da Universidade Harvard e seus colegas descobriram que uma lesão no córtex pré-frontal ventromedial (CPFVM, uma região do cérebro localizada acima das órbitas dos olhos) aumenta a preferência por escolhas “utilitárias” em situações de dilema moral. Nesses casos, os julgamentos favorecem o bem-estar agregado em detrimento do bem-estar de menor número de indivíduos. O estudo coloca lenha na fogueira de um já acalorado debate sobre os malabarismos que fazemos com fatos e emoção para tomarmos decisões morais.

Koenigs e Liane aplicaram um teste sobre tomada de decisão moral em três grupos: um deles formado por seis pacientes com lesão bilateral de CPFVM; outro constituído por pessoas com lesões em outras regiões do cérebro, e um terceiro grupo de -indivíduos controle neurologicamente saudáveis. As pessoas submetidas ao teste enfrentaram cenários de tomada de decisão em quatro classes. Uma delas continha cenários morais “pessoais de alto conflito” (moralmente ambíguas) e emocionalmente incômodas; exigia que a pessoa tomasse a decisão de empurrar ou não um estranho, obeso, em direção aos trilhos de um trem descontrolado (o que, consequentemente, mataria essa pessoa) para salvar a vida de cinco trabalhadores adiante na linha.

Uma segunda classe continha cenários de “baixo conflito” (sem ambiguidade moral), mas altamente pessoais, tais como se seria moral que um homem contratasse alguém para estuprar a esposa para que, depois, pudesse consolá-la e reconquistar seu amor. Uma terceira classe oferece situações moralmente ambíguas, mas relativamente impes-soais, como se seria certo mentir para um segurança e “tomar emprestada” uma lancha veloz para avisar os turistas sobre uma tempestade mortal iminente. Uma quarta classe consistiu em avaliar situações ambíguas, mas amorais, como tomar um trem em vez de ônibus para chegar pontualmente a algum lugar.

Nas situações bem-definidas de baixo conflito pessoal, os pacientes com lesão no córtex pré-frontal ventromedial e os indivíduos-controle tiveram desempenhos semelhantes, respondendo unanimemente de forma negativa a exemplos semelhantes. Mas, ao ponderarem sobre as situações emocionalmente mais carregadas de ambiguidade, os pacientes com lesão de CPFVM exibiram uma probabilidade muito maior que os demais de endossar decisões utilitárias que levariam a um maior bem-estar agregado. Eles se mostraram muito mais dispostos que os demais a, por exemplo, empurrar um passageiro circunstante na frente do trem para salvar um grupo de trabalhadores no caminho adiante.

Por que as pessoas com lesão no CPFVM deveriam exibir maior preferência por escolhas utilitárias? É tentador atribuir esta preferência a um embotamento emocional geral – um traço habitualmente encontrado nos pacientes com lesão pré-frontal. Emoção diminuída supostamente tornaria esses pacientes mais propensos ao raciocínio utilitário. Mas uma pesquisa anterior realizada por Koenigs e Daniel Tranel, professor de neurologia dos Hospitais e Clínicas da Universidade de Iowa, com pacientes com lesão no CPFVM mostra o oposto. Naquele estudo, os voluntários participavam do “jogo do ultimato”. Nessa atividade, é oferecida uma soma em dinheiro a um par de jogadores. O jogador A propõe alguma divisão do dinheiro com o parceiro B; se este último rejeitar os termos da divisão, nenhum deles recebe nenhum dinheiro. Para o jogador B, a decisão estritamente utilitária é aceitar qualquer proposta, mesmo que receba apenas 1% do dinheiro, já que a rejeição da oferta implica nenhum ganho. A maioria das pessoas, porém, rejeita ofertas excessivamente desequilibradas porque determinadas propostas ofendem seu senso de justiça. Os jogadores com lesão de CPFVM, contudo, rejeitaram com maior frequência as ofertas desequilibradas que os indivíduos-controle – aparentemente por se sentirem insultados pela proposta desigual, ainda que lucrativa, o que invalida os argumentos utilitários. Um embotamento emocional geral e um maior raciocínio utilitário parecem, portanto, explicações improváveis para o comportamento dos pacientes com lesão de CPFVM.

Uma causa mais parcimoniosa, apresentada como hipótese em um artigo da Nature Reviews Neuroscience, é que razão e emoção cooperaram para produzir sentimentos morais. O CPFVM teria especial influência nos chamados “sentimentos pró-sociais” – que incluem culpa, compaixão e empatia. Eles emergem quando estados como tristeza e afiliação, que se originam das áreas límbicas, são integrados com outros mecanismos mediados por setores anteriores do córtex pré-frontal ventromedial – como avaliação de possíveis desfechos. Estudos que utilizam técnicas de imageamento funcional corroboram esta ideia. Como descrevemos num artigo de 2007 na Social Neuroscience e numa pesquisa anterior, o córtex participa ativamente não apenas dos processos explícitos de julgamento moral, mas também quando as pessoas são passivamente expostas a estímulos evocativos de sentimentos pró-sociais (como os despertados pela cena de uma criança com fome). Curiosamente, o CPFVM era acionado quando os voluntários optavam por sacrificar dinheiro para doar a obras de caridade – decisão que é, ao mesmo tempo, utilitária e emocional –, como descrevemos em um artigo de 2006 do Proceedings of the National Academy of Sciences USA.

A deterioração dos sentimentos pró-sociais, resultante de lesão na parte ventral (ou lado de baixo) do córtex pré-frontal, juntamente com uma capacidade preservada de experimentar reações emocionais aversivas associadas a ira ou frustração (dependendo mais dos setores laterais do córtex e conexões subcorticais), poderiam explicar os resultados dos dois estudos de Koenigs. Os pacientes com lesão de CPFVM que participam do jogo do ultimato, por exemplo, deixam que emoções como raiva e desdém governem as decisões não utilitárias para rejeitar ofertas injustas. Os pacientes com lesão de CPFVM foram mais práticos – ou utilitários – ao enfrentar dilemas morais difíceis, justamente porque a lesão nas partes centrais do córtex pré-frontal reduziu os sentimentos pró-sociais, dando vantagem relativa ao raciocínio impiedoso.

Esta explicação nos leva de volta ao dilema de Einstein. A carta de Einstein a Roosevelt ajudou a preparar os EUA e a construir as primeiras bombas atômicas. Aquelas bombas mataram dezenas de milhares de civis – mas, ao fazê-lo, deram um fim à Segunda Guerra Mundial. Teria sido cruel a escolha utilitária de Einstein, resultante das emoções sendo subjugadas pela pura cognição? Acreditamos que não. Aparentemente, a razão e os sentimentos de Einstein estavam trabalhando juntos muito bem, refletindo inteiramente a interação entre pensamento, emoção, empatia e presciência – bem como angústia e ambivalência – que complexas decisões morais incitam.


Do site: www.mentecerebro.com.br

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Brilho das telas de computador influi na qualidade do sono


Uso frequente dos aparelhos pode alterar produção de hormônios e desregular o sistema circadiano

Dewayne Flowers/Shutterstock

Usar o Ipad por duas horas com a tela com o grau máximo de luminosidade é suficiente para reduzir a produção normal de melatonina durante o sono, essencial para a regulação do sistema circadiano, o relógio interno – esse hormônio alerta o corpo de que é noite e de que é necessário dormir.

De acordo com estudo do Instituto Politécnico Rensselaer, em Nova York, o uso de telas brilhantes está relacionado ao atraso gradual no horário de ir para a cama. A autora, Mariana Figueiro, sugere que o uso crônico de eletrônicos luminosos pode desregular o sistema circadiano. Ela e sua equipe desenvolveram óculos de proteção contra a luminosidade e observaram os efeitos em voluntários. “A produção de melatonina deles aumentou, então comprovamos que a luz artificial dos monitores tem efeito sobre a produção do hormônio”, diz Mariana, que acredita que, futuramente, os designers e fabricantes de computadores lançarão versões mais “circadianamente amigáveis”. Até lá, ela recomenda substituir o tablet pela leitura do bom e velho livro antes de cair no sono.


Do site: www.mentecerebro.com.br

domingo, 17 de fevereiro de 2013

O que os ratos nos ensinam sobre amor e sexo


Camundongos podem ajudar a entender alguns dos mistérios das relações afetivas

Eric Isselee/Shutterstock

por Kelly Lambert

Ratos têm sido estudados intensamente – o que nos permite usá-los como modelo para conhecer a influência de hormônios, medicamentos, da idade e inúmeras outras variáveis, inclusive sobre atuação sexual. Depois de décadas de pesquisa, sabemos que esses animais têm comportamentos bastante previsíveis na “intimidade”. Ao longo de muitos anos, diversos estudos sobre o comportamento sexual de ratos têm lançado luz sobre os efeitos de diferentes hormônios em vários aspectos do processo de reprodução. Em todo o mundo, pacientes que utilizam técnicas de fertilidade têm se beneficiado do trabalho em endocrinologia reprodutiva, com pioneira contribuição de roedores. Também podemos aprender algo com os ratos a respeito das potenciais perturbações de certas drogas ou aprimorar condições ambientais em relação a respostas sexuais.

O cineasta Woody Allen é autor da famosa declaração de que o cérebro é seu segundo órgão favorito. Mas a verdade é que o cérebro é tão essencial para o comportamento sexual quanto os órgãos reprodutivos. Os hormônios envolvidos na reprodução, como estrogênio, progesterona, testosterona e prolactina, acionam os gatilhos neurais apropriados para eliciar respostas reprodutivas. Nos roedores, se os hormônios são removidos também o comportamento é anulado – suas respostas sexuais são consideradas hormonodependentes. Essas substâncias exercem efeitos ao entrar no cérebro através de um sistema de segurança, a barreira hematoencefálica, e ativam regiões responsáveis por comportamentos relacionados à reprodução.

Estudos com fêmeas têm focado na pequena estrutura chamada hipotálamo. Do tamanho da cabeça de um alfinete, a região está envolvida principalmente no controle das emoções e comportamentos, como comer, beber, copular, fugir e lutar. Dentro dessa estrutura há grupos semelhantes de células nervosas com funções específicas. O núcleo hipotalâmico ventromedial, por exemplo, está intimamente envolvido com a lordose exibida pela fêmea. Se essa área do cérebro é removida a rata já não terá a postura necessária para iniciar o ato sexual. Por outro lado, se o hormônio reprodutivo progesterona passa por essa região, provoca o comportamento de flerte na fêmea – pulos, movimentos rápidos e balanço das orelhas. Juntamente com outras áreas do cérebro, o hipotálamo ventromedial controla também a sensação de saciedade, nos informando quando estamos satisfeitos. Talvez o cérebro feminino perceba pouca diferença entre sexo e comida, o que pode explicar por que o chocolate é um dos produtos mais oferecidos quando o objetivo é agradar à mulher amada – ou, pelo menos, desejada.

A dopamina, envolvida na recompensa neuroquímica do cérebro, e o núcleo accumbens, ligado à sensação de prazer, estão envolvidos na resposta para a cópula. Se houver algum problema nessa área, as fêmeas rejeitam os machos mais frequentemente do que quando têm um circuito de recompensa intacto. Um interessante estudo realizado na década de 70 fornece uma forte evidência da intensidade da motivação da fêmea para encontros sexuais. Os pesquisadores descobriram que, para ter acesso a um macho, as ratas corriam até por uma cerca eletrificada – mais uma descoberta que contraria a crença de que elas desempenham papel passivo na cópula.

Outra parte do hipotálamo, a área pré-óptica medial, contribui para a resposta sexual em ratos machos, assim como a amígdala, que participa do processo de regulação emocional. Em um experimento, o neurocientista Barry Everitt e seus colegas, da Universidade de Cambridge, treinaram ratos machos para pressionar uma barra e ter acesso a uma fêmea sexualmente receptiva. Depois que os animais machos aprenderam a tarefa, os cientistas interferiram no funcionamento da área medial pré-óptica e devolveram os animais à “câmara de sexo”. Os ratos com lesão cerebral continuaram a pressionar a barra e ter acesso às fêmeas, sugerindo que ainda as queriam. Mas, quando uma fêmea se aproximava, eles não conseguiam copular. No entanto, após terem a amígdala danificada, ocorreu o contrário: os machos não mais pressionaram a barra para ter acesso às ratas – o desejo se foi –, mas, se uma fêmea era apresentada, eles tentavam copular novamente. Everitt e sua equipe concluíram que desejo sexual é dissociado do desempenho.

O circuito de recompensa cerebral também está envolvido no comportamento sexual de machos. Os pesquisadores administraram anfetamina – uma droga que aumenta a dopamina – no centro de prazer do cérebro de ratos machos com a amígdala lesionada e os roedores voltaram a pressionar a barra para ter acesso às fêmeas, o que indica que o incremento no centro de recompensa compensou a falta da função da amígdala. A dopamina no centro de prazer do cérebro dos ratos também aumenta naturalmente depois de eles visualizarem uma fêmea receptiva.

O grupo de Larry J. Young, da Escola de Medicina da Universidade Emory, também acompanhou o padrão de receptores de oxitocina em ratos silvestres do sexo feminino. A equipe identificou altos níveis desses receptores em torno do núcleo accumbens e do córtex pré-frontal, uma área responsável por funções cognitivas. Além disso, a dopamina facilita a ligação amorosa entre ratazanas da pradaria de ambos os sexos. A pesquisa sobre Romeus e Julietas roedores revela a receita para um coquetel romântico: oxitocina e vasopressina combinadas com uma pitada de dopamina. Naturalmente, o processo é delicado e complexo – e a poção do amor está muito longe de poder, um dia, ser comercializada.


Do site: www.mentecerebro.com.br

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Desabafar é bom

O alívio de falar de si mesmo está relacionado a ativação de estruturas cerebrais de recompensa

Suzana Herculano-Houzel
Gonçalo Viana

Ah, como é bom ter para quem contar as coisas. Outro dia cheguei em casa com fumacinhas saindo da cabeça, tamanha minha irritação com questões variadas no trabalho, que vim remoendo no caminho. Se meu marido não estivesse em casa, eu teria continuado insistindo mentalmente no assunto por um bom tempo, e só me irritando mais.

Mas não: ele estava aqui, e me ofereceu seus ouvidos e comiseração. Era tudo de que eu precisava: uma oportunidade para meu cérebro finalmente executar o longo programa motor que ele vinha montando havia horas, desfiando e revisando minhas misérias do dia, e botar tudo para fora, em palavras, para então poder sossegar.

Por isso segurar um segredo dá tanto trabalho – e por isso contar é tão bom. Preocupações, assim como segredos, são representações mentais angustiantes, aflitivas, que levam à ativação de uma estrutura do cérebro especializada em antecipar problemas, o córtex cingulado anterior. Ativado, ele, por sua vez, dispara uma série de alarmes, parte da resposta ao estresse da preocupação, que deixam tanto corpo como cérebro tensos. Além disso, já que o cérebro sabe colocar seus pensamentos em palavras, ficamos remoendo a preocupação ou o segredo, ensaiando mentalmente sua versão motora, produzida pela boca. Mas, sem ter com quem desabafar, ou para quem contar, esse programa motor fica só na vontade, e não sai. E assim tem-se um cérebro cada vez mais aflito, que tem de fazer força cognitiva, atenta, para segurar ativamente suas palavras.

Por isso colocar tudo para fora é tão bom: assim o programa motor tão ensaiado é executado e não precisa mais ser segurado pelo seu córtex pré-frontal; assim o cingulado anterior pode soltar um “Ufa!” e desligar os alarmes que ajudavam o resto do cérebro a manter o controle.

Essa é uma das razões pelas quais a psicoterapia pode ser tão boa: o simples desabafo. Claro, amigos, parentes, padres, e às vezes até a pobre da pessoa sentada ao seu lado esperando o ônibus também servem quando tudo o que se precisa é uma oportunidade para despejar as preocupações em palavras.

Falar da gente mesmo é muito bom. Um estudo recente da Universidade Harvard mostrou que, tendo opção entre responder perguntas sobre os gostos e hábitos dos outros, sobre simples fatos, ou sobre si mesmos, os participantes preferiam falar do próprio umbigo – e até pagavam para escolher esta alternativa, e de dentro de um aparelho de ressonância magnética, onde só os pesquisadores viam suas respostas. A preferência por falar de si mesmo está relacionada a uma maior ativação das estruturas do sistema de recompensa, o que gera prazer.

Funciona mesmo quando segredo completo é garantido. Mas, seres sociais que somos, a ativação do sistema de recompensa é especialmente alta quando os voluntários sabem que suas respostas serão ouvidas pelo acompanhante que eles levaram para o estudo. Falar de si é bom, mas falar de si para os outros é melhor ainda.

Não é à toa, portanto, que a liberdade de expressão pessoal e de opinião é altamente valorizada. Não se trata apenas de um construto social ou cultural: o prazer de expressar seus próprios pensamentos e estado de espírito é real, mensurável, e vem lá dos cafundós do cérebro. E quando os próprios pensamentos são aflitivos, o desabafo ainda é um alívio só.

Uma ressalva, contudo: pelas mesmas razões, ficar revisitando e remoendo um mesmo problema meses a fio, ao longo de sessões e mais sessões de terapia, muitas vezes é um tiro no pé. É preciso saber deixar o problema ir embora. (05/02/2013).


Do site: www.mentecerebro.com.br

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

O mito da frigidez

Maioria dos casos de disfunção sexual feminina está relacionada a insatisfação com o relacionamento

© DMITRY SHIRONOSOV/SHUTTERSTOCK

Mulheres podem ter prazer por meio de grande variedade de estímulos, mas muitas delas têm dificuldade de se excitar e de experimentar o orgasmo. Conhecida como “frigidez”, a disfunção sexual feminina (DSF) é um diagnóstico controverso, pois se refere a bloqueios psíquicos e fisiológicos que interferem no desejo, na excitação e no orgasmo. E os fatores de risco mais frequentes são a insatisfação com o relacionamento afetivo e o desempenho do parceiro, aponta um estudo da King’s College de Londres com 1.500 britânicas, publicado na Journal of Sexual Medicine. Os resultados questionam a concepção de que a ausência de prazer é causada pela falta de resposta do corpo feminino a estímulos sexuais.

“O termo frigidez sugere que a sexualidade naturalmente variável das mulheres é uma patologia. Mas a maioria dos problemas sexuais está relacionada a crenças pessoais, aspectos culturais ou simplesmente à falta de intimidade e confiança no parceiro”, diz a sexóloga Andrea Burri, uma das autoras da pesquisa. Segundo ela, 5,8% das entrevistadas, que tinham entre 18 e 85 anos, relataram problemas recentes. O mais comum deles é a falta de desejo. Em geral, essas mulheres se consideravam insatisfeitas em seus relacionamentos. Mais de 15% disseram que sempre tiveram dificuldades para sentir prazer. De acordo com Andrea, os casos de DSF contínua não raro estão associados a experiências de abuso sexual, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e distúrbios de ansiedade. “Tratamento psíquico e melhora da comunicação com o parceiro podem ajudar mais que intervenções focadas na ‘mecânica’ do sexo”, diz.

Outra pesquisa publicada no ano passado, da Universidade de Deakin, na Austrália, aponta o descontentamento com a relação amorosa como fator de risco para a DSF, assim como a ejaculação precoce masculina. “Em um casal, a disfunção de um interfere na do outro. Por isso é complicado diagnosticar ‘frigidez’”, observa a psicóloga Marita McCabe, da mesma universidade. Segundo ela, cientistas têm considerado a “angústia pessoal” como critério diagnóstico. Ou seja, dor durante o ato sexual e falta de desejo ou orgasmo não são indicativos de transtorno, a menos que incomodem a própria mulher.

Andrea, porém, adverte que esse critério pode ser falho. “Um número considerável de mulheres que não têm problemas sexuais relata, por exemplo, que entra em conflito com o parceiro por causa da frequência de atividade sexual. Apesar de não afetar o ato em si, isso aflige a mulher”, diz ela, ressaltando que as expectativas sobre um bom relacionamento sexual muitas vezes não correspondem à realidade. As duas pesquisadoras, no entanto, concordam que a psicoterapia pode ajudar de forma significativa no tratamento da DSF. “É uma forma de as pacientes se sentirem mais confortáveis com o próprio corpo e incentivá-las a se comunicar com o parceiro”, comenta Marita.


Do site: www.mentecerebro.com.br

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Rede do bem

Página na internet exibe vários tipos de iniciativas sociais, como visitar idosos em asilos e ensinar português para refugiados

Reprodução

Você gostaria de fazer trabalho voluntário, mas não sabe por onde começar? O site Atados.com ajuda quem tem interesse em doar um pouco de seu tempo para quem precisa. De layout semelhante a uma vitrine, a página exibe vários tipos de iniciativas sociais na cidade de São Paulo. Alguns trabalhos exigem experiência profissional, como atendimento terapêutico de mulheres que sofreram violência, outros, apenas boa vontade: esquentar o jantar de crianças de creches, visitar idosos em asilos, ensinar português para refugiados. É possível filtrar a busca por região e foco de interesse – idosos, pessoas com deficiência, animais etc. Vários estudos mostram que, da mesma maneira que dar presentes, ajudar os outros traz bem-estar mais para quem doa do que para quem recebe. Por que não tentar? Basta se cadastrar em www.atados.com.br.

Do site: www.mentecerebro.com.br

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Anticoncepcionais interferem no sentimento

Uso de pílulas contraceptives influência na escolha do parceiro e percepção que a mulher tem da relação amorosa

© 9LIVES/SHUTTERSTOCK

Alguns experimentos mostram que os anticoncepcionais influem na preferência sexual: mulheres que usam essa forma de prevenção da gravidez se sentem mais atraídas por homens com traços menos másculos. “Essa característica é interpretada como indício de menos testosterona e de maior probabilidade de que o parceiro seja fiel e permaneça junto da família”, analisa o psicólogo Craig Roberts, da Universidade de Stirling, na Escócia, pelo viés da psicologia evolutiva. Ele é autor de um artigo publicado na Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, que sugere que os anticoncepcionais orais, além de interferirem na escolha do parceiro sexual, também afetam a percepção que a mulher tem da relação amorosa.

Mais de 2.500 mulheres de vários países responderam, pela internet, a um questionário elaborado por Roberts. Ele constatou que as participantes que tomavam pílula quando conheceram o parceiro mas que no momento da pesquisa não usavam mais esse contraceptivo se diziam menos atraídas pelo companheiro e menos sexualmente satisfeitas do que no início do relacionamento. A mudança de percepção foi menos nítida entre as voluntárias que não tomaram o hormônio. O pesquisador também verificou que as que mantiveram o uso de anticoncepcionais afirmaram com mais frequência considerar o apoio financeiro do parceiro e outros aspectos não sexuais como importantes para o relacionamento, e se revelaram menos dispostas a se separar.


Do site: www.mentecerebro.com.br

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Padrões de beleza realistas previnem bulimia

Valorizar a identidade étnica ajuda a evitar o transtorno alimentar

© AISPIX BY IMAGE SOURCE/SHUTTERSTOCK

Garotas negras que admiram e se reconhecem em mulheres que têm a mesma cor de sua pele são menos propensas a desenvolver bulimia – transtorno alimentar que alterna compulsão por comida e medidas extremas para tentar perder peso, como indução de vômito. Em estudo publicado no Journal of Black Studies, a psicóloga Mary Shuttlesworth, da Universidade de Maryland, aplicou questionários a alunas do segundo grau e descobriu que, entre adolescentes negras, maiores níveis de identidade étnica estavam relacionados, com mais frequência, a ideias como “beleza envolve, além da forma física, personalidade, estilo e atitude” e “corpos de medidas e tamanhos que não se encaixam nos padrões estéticos também podem ser bonitos”.

Por outro lado, Mary descobriu que, entre as alunas brancas, a identidade étnica está associada à maior probabilidade de desenvolver bulimia. “Os ideais de beleza caucasianos tendem a valorizar a magreza e considerar a aparência mais importante que fatores como personalidade ou bem-estar com o próprio corpo”, explica.


Do site: www.mentecerebro.com.br

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Longa brasileiro aborda insatisfação sobre a vida


Ganhador de sete prêmios no Festival de Cinema de Brasília, Era uma vez eu, Verônica, trata da relação de psiquiatra com seu próprio sofrimento por meio do contato com as pessoas que atende

Patricia Porchat
Divulgação

A realidade é dura. O filme Era uma vez eu, Verônica é o avesso de um conto de fadas. Nada é mágico, tampouco encantador. A realidade ali aparece nua e crua. A protagonista é uma jovem recém--formada em medicina que inicia residência em psiquiatria no Hospital Central de Recife. Pacientes de verdade participam da filmagem. A loucura aparece tal qual é de fato: confusa, bruta, deprimente e invasiva. A cidade é mostrada em sua feiura – cinza, suja, sem graça. Não é um filme de ação. O que sobra para o espectador?  Uma grande atriz, Hermila Guedes, ajudando Verônica a se tornar paciente de si mesma. O filme ganhou sete prêmios no Festival de Cinema de Brasília, 2012.

Corajoso, o filme prescinde de grandes momentos dramáticos. Apenas acompanhamos Verônica em suas descobertas: profissão, amor, sexo. A personagem se relaciona, mas não ama. Onde há sexo, há Verônica. Mas onde há Verônica, não há amor. O que exatamente lhe falta para ser feliz?  Tem amigos, um pai que a adora, uma profissão e um emprego, um namorado que a quer cada dia mais... Verônica não sabe. Olha muito para mulheres desconhecidas e também é olhada. Será que as deseja? Tem vontade de ser cantora, mas é médica. Namora firme, mas beija outros homens e mantém relações sexuais com vários deles em qualquer folia do carnaval.

No começo de seu traballho como psiquiatra, Verônica admite que o que aprendeu na teoria não lhe serve na prática. Não sabe escutar, não sabe perguntar. Não sabe o que fazer com os pacientes nem consigo própria. Mas conversa com seu gravador. Uma primeira fala nos revela que usou o aparelho para auxiliá-la nos estudos – e não pretende usá-lo mais. Mas sua angústia a leva novamente a falar e a escutar a própria fala.  Primeiramente, diz que falará da paciente Verônica. Numa segunda vez, a paciente é “eu mesma”. Por último, Verônica se diz “paciente de mim mesma”. É nesse momento que parece alcançar certa liberdade.

Verônica é paciente porque sofre, mas passa boa parte de sua vida sem saber o motivo disso. A relação com os pacientes se dá de maneira igual.  Num primeiro momento, seu “coração de pedra” – como ela mesma diz – não sabe o que fazer com o outro. O impacto diante de um paciente catatônico revela a paralisia de sua própria alma. Sua impaciência com a paciente depressiva revela aquilo que evita.  Podemos fazer um paralelo com a psicanálise e pensar que somente quando nos tornamos pacientes de nós mesmos é que olhamos de forma diferenciada para o próprio sofrimento. É possível dizer que Verônica sofre porque está aprisionada num determinado padrão social que espera da mulher que se dirija de modo doce e romântico ao casamento. Sofre porque transgride as normas e se furta às cobranças. Mas isso seria reduzir demais o filme. Ou ainda, que sofre porque seu pai está idoso e não vai viver muito tempo. Mas esse é o destino de todos os filhos que se tornam adultos – os pais envelhecem. É justamente porque não sabe o motivo de seu sofrimento que Verônica pode caminhar de uma situação de alienação para um momento de perguntar-se “Quem sou eu?” ou “O que desejo?”.

Verônica sofre por não se perguntar (seja lá o que for). O filme, por sua vez, nos deixa uma questão: o pai de Verônica está sempre em casa, olhando fotos, escutando frevos e às vezes bebericando. O afeto de Verônica aparece de modo intenso e exclusivo dirigido ao pai. O filme não traz uma única referência sobre a mãe. Falar dela é tabu? Mas como contar nossa história – era uma vez... – se não falarmos sobre a nossa origem?

O filme inicia e termina com uma cena de sexo grupal na praia. Mar, sol, corpos e prazeres. Fantasia das origens? Origem das fantasias?   Verônica alimenta a alma nessa cena paradisíaca. Ao perguntar a alguém quem ele definitivamente é, é importante não esperar uma resposta que, definitivamente, irá nos satisfazer. Toda história tem algo de conto de fadas. Toda narrativa de si tem um limite. O psicanalista francês Jean Laplanche sustenta que o limite para uma plena articulação de si são as esmagadoras e enigmáticas impressões vindas do mundo adulto em sua especificidade sobre a criança. Elas marcarão para sempre a sua formação como sujeito.

Era uma vez eu, Verônica. 90 minutos – Brasil, 2012. Direção: Marcelo Gomes. Elenco: Hermila Guedes, João Miguel, W. J. Solha, Renata Roberta, Inaê Veríssimo.

Do site: www.mentecerebro.com.br

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Internet: novo meio de vigiar

A maior parte de brigas por motivos de ciúme entre casais que usam o facebook está relacionada ao site

Fernanda Ribeiro
Mehmet Dilsiz/Shutterstock

Em uma cena do filme A rede social (The social network, 2010), o jovem Mark Zuckerberg tem uma ideia para incrementar o site de perfis sociais que acabara de criar: colocar a opção “status de relacionamento” – isto é, o usuário tem opção de descrever-se como “solteiro”, “casado”, “em relacionamento sério” etc. em sua página. Em poucos dias, a rede cai no gosto de universitários e seu número de usuários aumenta em progressão geométrica. Romanceada ou não, a passagem da cinebiografia do jovem bilionário Zuckerberg, criador do Facebook, a rede social mais popular da atualidade, reflete um aspecto real da rede: estudos mostram que ela não se tornou apenas uma via comum de flertar, mas também um meio de acompanhar atuais e ex-parceiros.

Segundo uma pesquisa da Universidade de Guelph, no Canadá, baseada nas respostas anônimas de mais de 300 universitários “compromissados” que usam o site, a maioria das brigas por motivos de ciúme estão relacionadas ao site – fotos colocadas por ex-namorados(as) e comentários deixados por amigos do sexo oposto são as principais causas. De acordo com a autora, a psicóloga Amy Muyise, a pessoa ciumenta na “vida real” tende a atribuir significados a mensagens e imagens postadas na rede com facilidade. “A interação do amado com um contato que ela não conhece pode ser motivo de desconfiança. Além disso, fotos e informações antigas lembram-na constantemente que o namorado(a) teve um vida amorosa antes dela”, exemplifica Amy.

Outro estudo, da Universidade Western, também no Canadá, revela que quase metade dos quase 1 bilhão de usuários do Facebook têm o(a) ex entre seus amigos virtuais. Um terço deles volta e meia (ou constantemente) visita o perfil do antigo amor e até mesmo da pessoa com quem suspeita que ele esteja se relacionando. Leia mais na edição de fevereiro de Mente e Cérebro, "Como o ciúme distorce a realidade", já nas bancas.


Do site: www.mentecerebro.com.br

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Pais que dormem perto de seu bebê são mais atenciosos

Homens mais envolvidos no cuidado dos filhos ficam mais sensíveis às demandas da criança e da parceira 

John Austin/Shutterstock

Dividir a cama com bebês é motivo de controvérsia entre especialistas em psicologia infantil. Alguns argumentam que isso ajuda a estreitar os vínculos; outros, porém, acreditam que, além de comprometer a segurança dos pequenos, não é saudável para a criança compartilhar do espaço de intimidade dos adultos. Agora, um estudo publicado na PloS One reforça os argumentos do primeiro grupo: homens que dormem perto de seus bebês apresentam quedas nos níveis do hormônio testosterona, o que os tornaria mais propensos ao cuidado e a atender as necessidades dos filhos.

O antropólogo Lee Gettler, da Universidade de Notre Dame, em Indiana, mediu as quantidades do hormônio em homens filipinos antes de serem pais e quatro anos depois do nascimento da criança. Os que relataram dormir na mesma cama que os filhos apresentaram quedas da produção de testosterona muito mais expressivas que os que dormiram em quartos separados. Estudos anteriores já mostraram que homens mais envolvidos no cuidado e na criação dos bebês têm menos testosterona. “Eles tendem a ficar mais sensíveis às demandas da criança e da parceira e a evitar comportamentos arriscados e de competição”, afirma Gettler.


Do site: www.mentecerebro.com.br

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Crianças relacionam super-heróis a alimentos saudáveis

Evocar ídolos infantis na hora das refeições incentiva os pequenos a colocar vegetais frescos no prato

Shutterstock / Fotomontagem Duetto Editorial

“O que o Batman comeria?” Segundo pesquisadores da Universidade Cornell, em Nova York, essa pergunta pode influenciar crianças a escolher comidas mais saudáveis. O pesquisador Brian Wansink observou o comportamento alimentar de 22 meninos e meninas entre 6 e 12 anos que participavam de um acampamento de férias na Holanda. Segundo ele relatou em artigo publicado na Pediatric Obesity, uma vez por semana, antes do almoço, ele e seus colegas mostraram aos pequenos uma dúzia de fotografias de heróis e vilões populares. Ao exibirem cada imagem, perguntavam às crianças qual opção de acompanhamento o personagem da foto escolheria: maçã fatiada ou batata frita – as mesmas oferecidas nas refeições do acampamento.

“Em média, apenas duas crianças optavam por frutas em vez de batata. Mas, nos dias em que fizemos o ‘exercício’ antes da refeição, cerca de dez delas pediram maçã”, diz Wansink, que explica que a maioria delas associou os ídolos aos alimentos mais saudáveis e os vilões à comida industrializada. “Talvez por terem uma ideia do que seria um comportamento alimentar mais correto”, acredita.

Uma porção de batata frita pequena, como a do estudo, contém 227 calorias, contra 34 do pacotinho com maçã. De acordo com os cálculos feitos pelos pesquisadores, no caso de crianças que consomem fast-food uma vez por semana, trocar a fritura pela fruta pode evitar o ganho de 3 quilos a mais em um ano. “Redes de fast-food investem pesado em publicidade. Vários estudos constatam o forte apelo sobre os mais jovens e até mesmo sobre os pais. Recorrer às imagens de super-heróis pode contrabalançar essa influência”, sugere Wansink.


Do site: www.mentecerebro.com.br