terça-feira, 3 de agosto de 2010
Músculos em forma, cabeça saudável (1)
Embora seja bastante disseminada a ideia de que manter o sistema cerebral ativo realizando tarefas mentalmente exigentes - "usar para não atrofiar" -, uma revisão de vários estudos mostra que manter a mente afiada requer mais que isso. Outras coisas que você faz - incluindo praticar exercícios regulares, manter relacionamentos sociais e, até mesmo, cultivar atitudes positivas - têm influência significativa na cognição.
Uma das melhores constatações que a neurociência nos trouxe nos últimos tempos foi que o cérebro maduro tem mais plasticidade do que se acreditava. Embora adultos mais velhos em geral aprendam novas ocupações de forma mais lenta que os jovens, e nem sempre atinjam o auge da especialização em alguns campos, como teriam feito se começassem mais cedo, sabe-se que com algum esforço é possível melhorar seu desempenho - evitando a diminuição de cognição que aparece com o avanço da idade.
A notícia surge num momento propício. A proporção de idosos tem crescido consideravelmente e, do ponto de vista social, o prolongamento de uma vida saudável e produtiva não só é desejável pelos benefícios que traz individualmente, mas também se traduz em uma forma de reduzir os custos sociais com cuidados em longo prazo.
Da revista Mente & Cérebro n° 211, agosto/2010
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
O enigma ALZHEIMER (2)

[ continuação]
Por Roland Brandt e Hartwig Hanser
Conforme o processo degenerativo avança, neurônios são destruídos em distintas regiões encefálicas, a começar pelo lóbulo temporal, decisivo para as funções da memória.
No que diz respeito às possíveis causas, o primeiro indício é a notável contração observada no cérebro de pacientes mortos. Conforme o processo degenerativo avança, um grande número de neurônios é destruído em distintas regiões encefálicas. A destruição começa pelo lóbulo temporal, decisivo para as funções da memória. A memória explícita ou declarativa (que se refere à recordação de fatos ou acontecimentos), em oposição às habilidades motoras, é a mais prejudicada.
O hipocampo e uma zona adjacente, o "córtex entorrinal", duas regiões cerebrais situados no extremo inferior de ambos os lóbulos temporais, são as que sofrem maior dano ainda nas primeiras etapas da doença. Essas regiões são imprescindíveis para processar as informações, por isso concentração e capacidade de fixação tornam-se praticamente impossíveis quando ambas estão ausentes. Eis porque pessoas com a doença de Alzheimer vão ficando cada vez mais incapazes de realizar tarefas cotidianas, como vestir-se pela manhã ou manter uma conversa telefônica com um velho amigo.
Da série especial "Doenças do Cérebro - Revista Mente & Cérebro n° 1, maio/2010
No que diz respeito às possíveis causas, o primeiro indício é a notável contração observada no cérebro de pacientes mortos. Conforme o processo degenerativo avança, um grande número de neurônios é destruído em distintas regiões encefálicas. A destruição começa pelo lóbulo temporal, decisivo para as funções da memória. A memória explícita ou declarativa (que se refere à recordação de fatos ou acontecimentos), em oposição às habilidades motoras, é a mais prejudicada.
O hipocampo e uma zona adjacente, o "córtex entorrinal", duas regiões cerebrais situados no extremo inferior de ambos os lóbulos temporais, são as que sofrem maior dano ainda nas primeiras etapas da doença. Essas regiões são imprescindíveis para processar as informações, por isso concentração e capacidade de fixação tornam-se praticamente impossíveis quando ambas estão ausentes. Eis porque pessoas com a doença de Alzheimer vão ficando cada vez mais incapazes de realizar tarefas cotidianas, como vestir-se pela manhã ou manter uma conversa telefônica com um velho amigo.
Da série especial "Doenças do Cérebro - Revista Mente & Cérebro n° 1, maio/2010
domingo, 1 de agosto de 2010
Mentes em Movimento (1)

Por Steve Ayan
CONCEITOS-CHAVE:
- Exercícios de resistência moderados têm efeito positivo não apenas sobre o corpo, mas também sobre o cérebro. A atividade física estimula, estabiliza e protege o condicionamento mental. Nos últimos anos, pesquisadores têm esclarecido os mecanismos desse efeito: várias substâncias que facilitam a circulação sanguínea e a reorganização neuronal revelaram-se benéficas para o cérebro. Elas são produzidas de forma intensificada durante atividades musculares.
- Outros estudos comprovam que o exercício periódico pode refrear o declínio intelectual na velhice e ainda combater o estresse, pois o treinamento regular reduz o nível do hormônio do estresse, cortizol, que a longo prazo prejuica as células cerebrais. A atividade física funciona aqui de forma "neuroprotetora". o exercício também eleva a concentração de triptofano, uma substância precursora do neurotransmissor serotonina que favorece a recaptação do neurotransmissor, diminuindo efeitos da depressão. Além disso, durante a atividade física, são liberadas substâncias endógenas que estimulam a sensação de bem estar.
Em que você pensa quando falamos em esporte? Em disciplina, desempenho, condicionamento? Na academia onde você malha muito raramente? Ou no parque onde caminha de vez em quando apesar de, no fundo, preferir estar relaxado no sofá de casa? Não se deixe enganar pela ladainha do prêmio que não vem sem suor ou da juventuide eerna! O exercício que realmente faz bem está muito distante desses conceitos. Infelizmente muitas pessoas associam a ideia de esporte principalmente ao esforço. Impusionados pelo peso na consciência, muitos tentam se animar a ser ativos - a fim de manter o corpo em forma, perder alguns quilos ou ser mais saudáveis. Com um resultado bastante modesto. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que 1,6 bilhão de pessoas no plenata têm excesso de peso. No Brasil estima-se que esse número chegue a 70 mlhões, sendo 25% considerados obesos. O motivo principal, além da má alimentação, é a falta de exercício. Segundo estimativas, isso gera custos de pelo menos 70 bilhões de euros por ano aos órgãos de saúde.
Contudo, a solução parece simples. Não é novidade que a atividade física moderada e regular estimula e mantém a saúde do corpo. O que cada vez mais pesquisadores têm comprovado é que a prática não fortalece apenas o coração e os músculos, mas também a capacidade mental, ajuda crianças a se desenvolver melhor, é aliada no combate à depressão e torna mais lento o declínio intelectual atrelado à idade. Para tanto, não é necessário nenhum esforço absurdo ou tortura - pelo contrário: o limiar da "dose salutar" é surpreendementemente baixo. Incluir passeios a pé ou de bicicleta na rotina (quase) diária já cumpre o objetivo.
Esse descoberta de pesquisadores contraria um antigo conceito segundo o qual o corpo e a mente estariam em concorrência entre si. Durante muito tempo, dizia-se que seria melhor para as crianças ficarem sentadas lendo um livro ou aprenderem uma língua estrangeira ou um instrumento musical em vez de correr atrás de uma bola, por exemplo. E quem quisesse manter seu potencial intelectual deveria exercitar preferencialmente o cérebro. Engano! Na verdade, a ciência tem comprovado que atividades físicas e mentais estão intimamente associadas. E para tirar o melhor proveito dessa interseção é preciso levar em conta características de cada fase da vida.
Da revista Mente & Cérebro n° 211, agosto/2010
Contudo, a solução parece simples. Não é novidade que a atividade física moderada e regular estimula e mantém a saúde do corpo. O que cada vez mais pesquisadores têm comprovado é que a prática não fortalece apenas o coração e os músculos, mas também a capacidade mental, ajuda crianças a se desenvolver melhor, é aliada no combate à depressão e torna mais lento o declínio intelectual atrelado à idade. Para tanto, não é necessário nenhum esforço absurdo ou tortura - pelo contrário: o limiar da "dose salutar" é surpreendementemente baixo. Incluir passeios a pé ou de bicicleta na rotina (quase) diária já cumpre o objetivo.
Esse descoberta de pesquisadores contraria um antigo conceito segundo o qual o corpo e a mente estariam em concorrência entre si. Durante muito tempo, dizia-se que seria melhor para as crianças ficarem sentadas lendo um livro ou aprenderem uma língua estrangeira ou um instrumento musical em vez de correr atrás de uma bola, por exemplo. E quem quisesse manter seu potencial intelectual deveria exercitar preferencialmente o cérebro. Engano! Na verdade, a ciência tem comprovado que atividades físicas e mentais estão intimamente associadas. E para tirar o melhor proveito dessa interseção é preciso levar em conta características de cada fase da vida.
Da revista Mente & Cérebro n° 211, agosto/2010
sexta-feira, 30 de julho de 2010
O enigma ALZHEIMER (1)

Descrita há mais de 100 anos, a doença neurodegenerativa constitui a causa mais comum de demência em idosos; cientistas se empenham para retardar sua evolução, conservar as funções intelectuais dos pacientes e testar novas vias terapêuticas
Por: Roland Brandt e Hartwig Hanser
Por: Roland Brandt e Hartwig Hanser
Tübingen, Alemanha, 1906. O neuropatologista alemão Alois Alzheimer (1864-1915) apresenta em um congresso científico uma enfermidade psíquica que envolvia oscilações nos estados de ânimo e considerável perda de memória. Cinco anos antes, ele mesmo havia diagnosticado esse quadro mórbido em uma mulher de 51 anos, Auguste D.
No "estabelecimento para enfermos mentais e epiléticos" de Frankfurt, essa paciente, em momentos de lucidez, dizia sentir-se "perdida". Após sua morte, em 1906, em estado de alienação mental, Alzheimer examinou o cérebro dela e descobriu algumas formações compactas e outras filiformes. Intuiu que a causa das espetaculares alterações na personalidade residia naquelas formações. O médico entrou para a história da medicina, e a doença foi batizada com o seu nome.
Sabemos hoje que a doença de Alzheimer não é uma enfermidade exótica, mas a causa mais comum de demência entre adultos. Cerca de 35 milhões de pacientes em todo o mundo sofrem dessa doença que aflige quase 40% dos octogenários, e gera um enorme problema de saúde pública. Apesar dos avanços no diagnóstico e tratamento, a doença continua incurável mais de um século após a sua descrição inicial.
Da revista Mente & Cérebro - Edição Especial da série "Doenças do Cérebro" n° 1, maio/2010
No "estabelecimento para enfermos mentais e epiléticos" de Frankfurt, essa paciente, em momentos de lucidez, dizia sentir-se "perdida". Após sua morte, em 1906, em estado de alienação mental, Alzheimer examinou o cérebro dela e descobriu algumas formações compactas e outras filiformes. Intuiu que a causa das espetaculares alterações na personalidade residia naquelas formações. O médico entrou para a história da medicina, e a doença foi batizada com o seu nome.
Sabemos hoje que a doença de Alzheimer não é uma enfermidade exótica, mas a causa mais comum de demência entre adultos. Cerca de 35 milhões de pacientes em todo o mundo sofrem dessa doença que aflige quase 40% dos octogenários, e gera um enorme problema de saúde pública. Apesar dos avanços no diagnóstico e tratamento, a doença continua incurável mais de um século após a sua descrição inicial.
Da revista Mente & Cérebro - Edição Especial da série "Doenças do Cérebro" n° 1, maio/2010
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Ética
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Em busca da causa das doenças mentais IV

terça-feira, 27 de julho de 2010
Em busca da causa das doenças mentais III

[continuação]
por Steve Ayan
M&C - Tudo isso soa como se a química cerebral, o ambiente e o comportamento estivessem entrelaçados demais para que pudéssemos separá-los. É isso mesmo?
S.B. - Bem, ninguém nunca afirmou que isso seria fácil. Mas hoje dispomos de métodos melhores para desvendar os caminhos dos sinais que podem determinar uma doença: da mutação e da leitura da informação genética, passando pelas proteínas resultantes desses processos até a atividade enzimática ou metabólica “patológica” que elas podem causar. Por isso acompanhamos no laboratório vários caminhos ao mesmo tempo. Começamos analisando o tecido cerebral de várias centenas de pacientes falecidos. Nesse caso, não se tratava de um gene ou proteína determinados, mas de perfis globais. Nos exames, registramos as diferenças entre os cérebros de pessoas doentes e saudáveis do grupo-controle. Assim, descobrimos que as mitocôndrias, as usinas produtoras de energia das células neurais, estavam claramente alteradas nos primeiros. Além disso, tanto nos esquizofrênicos quanto em doentes bipolares, a mielinização dos neurônios estava alterada. A mielina forma o isolamento dos axônios que transmitem os sinais nervosos. Essa foi a primeira prova de semelhanças entre os dois transtornos em nível celular.
M&C - Isso se refere à origem dos distúrbios ou apenas às suas consequências comuns?
S.B. - É difícil saber. Por isso é tão urgente esclarecer os mecanismos com exatidão. Se conseguirmos isso, poderemos um dia prevenir doenças possíveis em vez de simplesmente reagirmos terapeuticamente. Essa ideia me fascina.
M&C - E como a senhora age na prática?S.B. - Uma parte de nosso trabalho consiste em procurar relações estatísticas em quantidades gigantescas de dados, correlações entre sintomas de doenças e marcadores moleculares. Nós processamos aproximadamente 20 terabytes de dados por ano. As bases para tanto são amostras de pacientes de diversas idades, principalmente de sangue e líquido cerebrospinal, mas também tecido nervoso de mortos. Junto com Markus Leweke, no Hospital Universitário de Colônia, descobrimos que no líquido cerebrospinal de pacientes esquizofrênicos há baixa quantidade de glicose, lactato e outras substâncias que fazem parte do metabolismo.
Do site:www.mentecerebro.com.br
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Em busca da causa das doenças mentais II

[continuação]
por Steve Ayan
Mente&Cérebro – A senhora procura moléculas cerebrais que indiquem distúrbios psiquiátricos. Por que acha que há necessidade de recuperar informações neste caso?
Sabine Bahn – No fundo, nós não sabemos em que consiste a origem de graves transtornos como a esquizofrenia ou o transtorno bipolar. Nesse terreno, a medicina ainda está tateando. A maioria das descobertas sobre isso nos últimos 20, 30 anos remontam à efetividade de determinados medicamentos que muitas vezes foi descoberta por acaso. Várias substâncias desenvolvidas originalmente para tratar outras doenças modificam também a vivência dos pacientes: elas eliminam a ansiedade, por exemplo, reduzindo as alucinações. Até hoje, na maioria dos casos ainda não se sabe por que isso ocorre. Estou tentando esclarecer as bases moleculares desses distúrbios para que eles possam ser mais bem tratados.
M&C - Trata-se também de melhores diagnósticos?
S.B. - Sim, esse é o outro lado da moeda: os métodos atuais de diagnóstico são insuficientes em muitos quesitos: não se faz, para tanto, muito mais que observar as pessoas, conversar com elas e entregar-lhes questionários. Assim, não ficamos sabendo o que ocorre no cérebro de cada uma delas.
M&C - Na verdade, vários fatores contribuem para o surgimento de transtornos psíquicos. Por que a senhora voltou seus estudos para a biologia molecular?
S.B. - Existe um forte componente genético. No caso de gêmeos univitelinos, geneticamente idênticos, a probabilidade de um deles adoecer quando o outro é esquizofrênico ou bipolar, é de até 50%. O inverso também é verdadeiro, nem todos os que têm a predisposição genética adoecem de fato. A herança genética e o ambiente trabalham juntos nesse caso, e a isso se acresce o fato de que por trás da maioria dos transtornos se escondem provavelmente
Do site: www.mentecerebro.com.br
domingo, 25 de julho de 2010
Em busca da causa das doenças mentais I
| Em entrevista para a Mente&Cérebro, a pesquisadora Sabine Bahn, diretora do Centro de Pesquisas Neuropsiquiátricas em Cambridge, conta detalhes sobre sua linha de estudo que investiga as causas de doenças graves como a esquizofrenia ou o transtorno bipolar | ||||||
| por Steve Ayan | ||||||
À primeira vista, o ambiente de trabalho da neuropsiquiatra parece ser exatamente como se imagina um laboratório de biólogos moleculares: uma confusão de cabos e tubos espalhados por todos os lados; aparelhos com nomes impronunciáveis ligados e computadores de última geração zunindo constantemente. Somente em um segundo momento é possível enxergar um ponto de azul-celeste e outro cor-de-rosa brilhando entre os armários. “Quando nos mudamos para cá há cinco anos, mandamos colorir as paredes”, revela Sabine Bahn, diretora do Centro de Pesquisas Neuropsiquiátricas em Cambridge. Sabine nasceu em Freiburg, na Alemanha, mas durante o doutorado passou a trabalhar na “universidade da elite britânica”, como ela mesma diz. Hoje, aos 42 anos a cientista está entre os pesquisadores que trabalham para descobrir novas doenças psiquiátricas. Por meio da análise de proteínas e de outros métodos biomoleculares, Sabine procura biomarcas no cérebro que forneçam informações sobre o surgimento e o desenvolvimento dos transtornos psíquicos. A dificuldade: nenhuma outra parte do corpo é tão complicada quanto o cérebro. A pesquisa de Sabine, portanto, se assemelha à busca de uma agulha no palheiro – sendo o palheiro, neste caso, composto por milhares de proteínas e metabólitos, mensageiros e cascatas de sinais que se influenciam mutuamente. Veja na entrevista exclusiva à Mente&Cérebro por que ela acredita que suas descobertas podem ser o futuro da neuropsiquiatria. Do site: www.mentecerebro.com.br | ||||||
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sábado, 24 de julho de 2010
Usar vermelho ajuda a vencer
| Cor favorece desempenho físico e aumenta as chances de competidor ganhar disputa esportiva | ||||||
Os cientistas também suspeitam que o uso do vermelho, de alguma forma, inibe a ação dos outros concorrentes, sem que eles mesmos tenham consciência clara desse processo. Eles reconhecem, porém, que essa possibilidade ainda precisa ser mais bem compreendida. Há alguns anos, antropólogos da Universidade de Durham, no Reino Unido, avaliaram os jogos das Olimpíadas de Atenas, em 2000, e também constataram o poder do vermelho no desempenho dos atletas. Observando aqueles que tinham características e preparo físico equivalentes, verificaram que os que usavam uniforme vermelho obtinham melhores resultados. Até que ponto usar esse tom favorece o desempenho de pessoas comuns, no dia a dia, em situações de trabalho, porém, ainda é um mistério, mas muitos psicólogos e consultores acreditam que comparecer de roupas vermelhas em entrevistas de empregos mais atrapalha que ajuda. Do site: www.mentecerebro.com.br | ||||||
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Convívio com animais favorece sistema imunológico
| Convívio com animais favorece sistema imunológico e reduz estresse | ||||||
| Acariciar um cão pode elevar os níveis de anticorpos que evitam a proliferação de vírus e bactérias | ||||||
De acordo com o levantamento, as vantagens independem da idade. Os pesquisadores da USP citam, por exemplo, um trabalho que identificou vários benefícios aos bebês que convivem com cães. Certas proteínas que desempenham um importante papel na regulação do sistema imunológico e das alergias aumentam significativamente em crianças de um ano quando expostas precocemente à presença de um cão. Segundo a pesquisadora Carine Savalli Redígolo, este trabalho mostra que o convívio possibilita aos bebês ficar menos suscetíveis às alergias e dermatites tópicas. “Também foi observada a redução de rinites alérgicas por volta dos 4 anos e dos 6 aos 7, devido à redução da imunoglubina E, um anticorpo que quando em altas concentrações sugere um processo alérgico”, afirma. De acordo com a pesquisa ainda há resistência de pessoas com filhos pequenos adquirirem um animal de estimação: 44% das residências que têm pelo menos um pet são de casais com filhos jovens ou adolescentes; este número cai para 16% quando se trata de famílias com crianças até 9 anos. Um gesto simples pode trazer importantes efeitos ao sistema imunológico de pessoas de qualquer idade. “Acariciar um cão pode elevar os níveis de imunoglobulina A, um anticorpo presente nas mucosas que evita a proliferação viral ou bacteriana, sendo importante na prevenção de várias patologias. Este resultado se deve, possivelmente, ao relaxamento que o contato com o animal proporciona”, explica Carine. | ||||||
| Outros estudos identificados pelos pesquisadores da USP também avaliaram as taxas de sobrevivência, no ano posterior a um infarto agudo do miocárdio, em donos de cães, gatos e outros animais de estimação e em pessoas que não possuíam bichos. Segundo os pesquisadores, depois de determinado período, verificou-se que a posse de um cão contribuiu significativamente para a sobrevivência dos pacientes, pelo menos no ano seguinte ao incidente. Já no controle de hipertensão arterial, os estudos também apontam benefícios. Profissionais que viviam em condições de estresse e faziam controle do problema com medicação foram divididos em dois grupos: os que tinham cachorro ou gato e os que não possuíam animais. A pesquisadora Maria Mascarenhas Brandão afirma que, seis meses depois do início do monitoramento, foi constatado que as taxas de pressão sanguínea diminuíram para ambos os grupos. Entretanto, nas situações geradoras de estresse a resposta foi melhor para os donos de cães. Além disso, este grupo aumentou significativamente suas taxas de acertos em contas matemáticas, em relação àqueles que não possuíam os animais. Do site: www.mentecerebro.com.br | ||||||
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Biblioteca em casa deixa crianças mais inteligentes
| Estudo mostra que a quantidade de livros que os pais oferecem aos filhos desde que são pequenos pode influenciar diretamente o desenvolvimento da capacidade cognitiva | ||||||
| por Luciana Christante | ||||||
No artigo, os autores explicam que o nível cultural e educacional dos pais também influencia a escolaridade atingida pela prole, mas nesse caso a correlação é mais fraca do que com o tamanho físico do acervo familiar de livros. Os resultados mostram também como o gosto pela leitura tende a diminuir diferenças sociais. Nos lares mais modestos, o efeito de cada acréscimo ao acervo no futuro acadêmico da criança é mais acentuado do que a adição de um volume a uma biblioteca mais ampla. Apesar de a tendência ter sido observada em todos os países, houve diferenças importantes entre eles. Nos Estados Unidos, na França e na Alemanha, uma biblioteca com cerca de 500 volumes representou acréscimo de dois a três anos na escolaridade das crianças, comparando com uma casa sem livros. Na Espanha e na Noruega, o número saltou para até cinco anos e na China atingiu o máximo, entre seis e sete anos. | ||||||
Segundo os pesquisadores, o regime comunista poderia explicar o resultado chinês, pois em um país onde há mais restrições à liberdade individual os livros seriam bens culturais ainda mais valorizados pela família. O mesmo raciocínio poderia se aplicar aos números semelhantes verificados em países do Leste Europeu (que formavam o bloco comunista) e a África do Sul, que viveu décadas sob o apartheid. Os casos analisados foram de pessoas que cresceram em meio a esses regimes. “A leitura é uma ótima fonte para os oprimidos, seja qual for sua cor, seus opressores e as circunstâncias históricas”, escreveram. O estudo é uma prova irrefutável de que “uma casa onde os livros são valorizados fornece à criança ferramentas que são diretamente úteis no aprendizado escolar, como vocabulário, imaginação, amplo horizonte em história e geografia, a compreensão da importância da evidência no argumento, e muitas outras”. E confirma os famosos versos de Castro Alves, do século 19: “Oh! Bendito o que semeia/ Livros... livros a mão-cheia.../ E manda o povo pensar!/ O livro caindo n’alma/ É germe – que faz a palma./ É chuva - que faz o mar.” Luciana Christante é farmacêutica e jornalista científica. Do site: www.mentecerebro.com.br | ||||||
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Medo deflagra preconceitos
| Pesquisa indica que racismo pode estar ligado a sentimentos negativos, já as opiniões sobre gênero estão apoiadas, principalmente,em conteúdos aprendidos | ||||||
| por Luciana Christante | ||||||
| Com a ajuda de pequenas histórias sobre pessoas fictícias, o pesquisador Andreas Meyer Lindenberg, do Instituto para a Saúde Mental, em Mannheim, na Alemanha, analisou quais características os voluntários, entre 5 e 15 anos, associavam a imagens de pessoas, levando em consideração a cor da pele. A cada apresentação, os pequenos recebiam duas figuras e deveriam mostrar – de acordo com seu julgamento – com qual pessoa a descrição combinava. A cor da pele praticamente não desempenhou nenhum papel no julgamento quando associada a descrições como: “mentiroso”, “violento” ou “simpático”. Porém, típicos clichês relacionados aos gêneros (masculino e feminino), como um interesse especial por futebol ou por cozinha, foram claramente identificados nas avaliações. Estudos similares realizados com crianças saudáveis em idade pré escolar, em diversas partes do mundo, sugerem que pessoas com cor de pele mais escura sempre despertam reações mais negativas. Medições da atividade cerebral dos voluntários mostraram que eles apresentam fortes reações na amígdala (uma das áreas cerebrais responsáveis pela associação e elaboração de percepções e emoções) ao deparar com indivíduos negros. A síndrome de Williams-Beuren, porém, afeta conexões de algumas regiões do cérebro, incluindo a relacionada ao reconhecimento facial. Para Meyer- Lindenberg, os resultados encontrados indicam que o racismo têm, em geral, cunho sentimental negativo, enquanto opiniões sobre gêneros estão apoiadas, principalmente, em conteúdos aprendidos. Da revista Mente & Cérebro n° 210, de julho/2010 ou veja em: www.mentecerebro.com.br | ||||||
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terça-feira, 20 de julho de 2010
Fez sucesso?
| Fez sucesso? Agradeça aos seus pais! | ||||||
| Pesquisadores do Reino Unido descobriram que resiliência, capacidade que faz com que as pessoas vençam frustrações e buscar superação é – em grande parte – hereditária | ||||||
Da revista Mente & Cérebro n° 210, de julho/2010 ou veja em: www.mentecerebro.com.br | ||||||
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segunda-feira, 19 de julho de 2010
Para aprender outro idioma VII
por Jan Dönges
[continuação]
Experiência lúdica
Susanne Even dá um passo à frente ao mandar seus alunos da Universidade
de Indiana fazer teatro. O “gramaticodrama” se baseia na abordagem pedagógico-dramática desenvolvida por Manfred Schewe, da Universidade de Cork, na Irlanda. “Não apenas representamos, buscamos formas próprias e corretas de dizer ‘o que o outro disse’, trabalhamos com o discurso indireto e exercitamos as construções de frases em variadas situações.” A proposta privilegia também a experiência lúdica: os alunos se preocupam com vários aspectos como expressão corporal e a interação com os outros, deixando de lado a timidez. A pesquisadora ainda não tem dados comparativos sobre o método, mas tem esperança de que, de forma mais descontraída, os estudantes finalmente aprendam uma língua estrangeira de maneira prazerosa e efetiva.
Da revista Mente & Cérebro n° 210, de julho/2010
ou veja em: www.mentecerebro.com.br
| Divulgação | |
| NO PALCO: Peça encenada na escola Cultura Inglesa, em São Paulo, com o objetivo de facilitar o aprendizado. | |
[continuação]
Experiência lúdica
Susanne Even dá um passo à frente ao mandar seus alunos da Universidade
de Indiana fazer teatro. O “gramaticodrama” se baseia na abordagem pedagógico-dramática desenvolvida por Manfred Schewe, da Universidade de Cork, na Irlanda. “Não apenas representamos, buscamos formas próprias e corretas de dizer ‘o que o outro disse’, trabalhamos com o discurso indireto e exercitamos as construções de frases em variadas situações.” A proposta privilegia também a experiência lúdica: os alunos se preocupam com vários aspectos como expressão corporal e a interação com os outros, deixando de lado a timidez. A pesquisadora ainda não tem dados comparativos sobre o método, mas tem esperança de que, de forma mais descontraída, os estudantes finalmente aprendam uma língua estrangeira de maneira prazerosa e efetiva.
Da revista Mente & Cérebro n° 210, de julho/2010
ou veja em: www.mentecerebro.com.br
domingo, 18 de julho de 2010
Para aprender outro idioma VI
por Jan Dönges
[continuação]
Por isso, a didática de línguas estrangeiras tem se concentrado, nos últimos tempos, nos estilos pessoais de aprendizagem. E para não perder (tantos) alunos os cursos buscam, cada vez mais, atender a essa diversidade.
Os mais velhos, muitas vezes, já estão acostumados, desde crianças, a declinar e conjugar. “Após alguns anos de aulas na escola, a maioria tem pelo menos uma idéia bastante exata daquilo que constitui uma boa aula”, diz Riemer. Esses alunos não confiam apenas em exercícios de conversação e exercícios de grupo, preferem tentar sanar seus problemas orais com lições de gramática – e quase sempre acabam caindo em um círculo vicioso, diz Sylvia
Fischer, da Universidade de Modena, que estudou o tema em seu doutorado
e entrevistou estudantes italianos sobre a causa de sua inibição em aula. Ela percebeu que a fixação em regras linguísticas estimula uma postura mais
dura em relação aos próprios erros. Uma aula que, em grande parte, se compõe de exercícios de conversação em grupo, é proveitosa quase que exclusivamente para pessoas com pouca dificuldade em conversação.
Como saída para esse dilema, existe uma estratégia dupla que associa abordagens especificamente comunicativas às formas clássicas, que valorizam a gramática. Alega-se que essa estratégia deixa espaço suficiente para ensinar todo o conhecimento teórico necessário e também ajuda a “soltar a língua” dos
alunos e a eliminar o medo de se expor –e errar. A chamada aprendizagem
voltada para situações práticas (como se comunicar com o garçom, conversar
com funcionários do aeroporto, pedir informações sobre pontos turísticos
etc.) segue esse princípio na medida em que – em cada situação relevante do cotidiano – é possível aprender. O conceito central aqui é deixar claro que as formas gramaticais não têm um fim em si é fundamental que tenham aplicação prática.
Da revista Mente & Cérebro n° 210, de julho/2010
ou veja em: www.mentecerebro.com.br
sábado, 17 de julho de 2010
Para aprender outro idioma V

por Jan Dönges
[continuação]
A pesquisadora Claudia Riemer, que realiza estudos na Universidade de Bielefeld na área de didática de línguas estrangeiras, também reconhece o problema: “Aprender uma língua estrangeira é uma situação de enorme complexidade para o cérebro. Não é possível fazê-lo sem nenhuma atenção focada em determinadas regras”. Outros métodos não tiveram melhor destino. Assim, entre os pesquisadores foi se estabelecendo cada vez mais a idéia de que, infelizmente, praticamente todos os conceitos que deixavam explicações gramaticais de fora, em algum momento, se mostravam inadequados. Apenas sair falando funciona, no máximo, para os primeiros passos em uma nova língua.
Por enquanto, ninguém descobriu o método com o qual a aprendizagem de línguas finalmente se tornará uma agradável brincadeira de criança para qualquer pessoa. Mas sejamos sensatos: é bastante improvável que algum dia exista um truque assim, já que as pessoas têm formas diferentes de apreender informações e resolver problemas. As demandas também são diversas. Uns querem apenas falar e se comunicar sem grandes vexames, outros têm excelente memória para vocábulos, mas fracassam ao construir uma frase – e, por fim, há as pessoas que encontram prazer em folhear os livros de gramática, sentem-se mais seguras assim. Além disso, o aprendizado (e consideramos aqui que aprender é mudar formas de comportamento e compreensão de si e do outro) requer formação (ou ativação) de redes de neurônios. Adquirir conhecimento complexo, como um idioma, significa, portanto, alterações da anatomia cerebral.
Da revista Mente & Cérebro n° 210, de julho/2010
ou veja em: www.mentecerebro.com.br
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Para aprender outro idioma IV

por Jan Dönges
[continuação]
Nos anos 70, o “método natural” do professor de espanhol Tracy Terrell e do linguista Stephen Krashen, da Universidade do Sul da Califórnia, fez sucesso. Eles se concentraram completamente na comunicação e tomaram como modelo de reflexão a seguinte questão: línguas estrangeiras devem ser aprendidas como foi aprendida um dia a língua materna por meio da fala – e, principalmente, pela audição. Krashen e Terrell partiram do princípio de que um mecanismo cerebral específico lhes permitia aprender a própria língua materna. A fim de ativá-lo novamente, o planejamento do curso deve se orientar exatamente pela ordem em que as crianças também adquirem novos conceitos linguísticos. Ou seja: segundo os estudiosos, os alunos expandem suas capacidades principalmente quando ouvem construções de frases que sempre estão um pouco acima de sua capacidade momentânea (como uma criança pequena que aprende a falar).
Seria esse então o modelo de um curso de língua mais próximo do ideal, capaz de proporcionar aprendizado fácil e ao mesmo tempo efetivo? Por mais plausível que pareça à primeira vista, o “método natural” de Krashen e Terre mostrou-se ingênuo demais: muitos professores de línguas que o seguiam logo deixavam totalmente de lado o cansativo ensino de regras gramaticais. “Muitas escolas e até universidades optaram por descartar a gramática, mas mesmo depois de anos vários estudantes ainda estavam no nível do ‘eu vai’”, comenta Susanne Even.
Da revista Mente & Cérebro n° 210, de julho/2010
ou veja em: www.mentecerebro.com.br
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Para aprender outro idioma III

por Jan Dönges
[continuação]
Chovem críticas ao método de gramática e tradução – e elas não são recentes. Justamente por esse motivo,já em 1882 o professor Wilhelm Viëtor (1850-1918), em seu panfleto polêmico “A aula de línguas deve ser transformada!”, atacou a prática comum naquela época. Ele obteve grande apoio e, a partir de então, muitos educadores e linguistas passaram a dar mais valor ao domínio oral do idioma. A questão que os intrigava naquela época e de certa forma permanece até hoje é: como é possível ensinar as pessoas a falar outra língua corretamente sem que seja necessário dedicar anos a fio para isso?
A grande busca por alternativas que se iniciou desde então na didática se assemelha à tentativa de atirar em um objeto em movimento. Como quase não há pesquisas próprias e sistemáticas, qualquer mudança na tendência das “disciplinas de base” – psicologia, linguística e pedagogia – cedo ou tarde também culmina em um procedimento didático próprio, enquanto a subestrutura teórica acaba com os antigos conceitos de aprendizagem de línguas. O “método áudio-oral”, por exemplo, no qual frases e estruturas são treinadas à perfeição por meio de sua constante audição e repetição, foi celebrado como uma verdadeira revolução na metade do século XX, levando, entre outras coisas, à divulgação dos laboratórios de línguas. Como, no entanto, ele se apóia em uma psicologia do aprendizado hoje já ultrapassada, a maioria dos pesquisadores se distanciou dele.
Da revista Mente & Cérebro n° 210, de julho/2010
ou veja em: www.mentecerebro.com.br
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Para aprender outro idioma II

por Jan Dönges
[continuação]
É claro que há o caso de crianças que crescem em um país estrangeiro e aprendem a língua de seu ambiente sem grandes dificuldades. E avanços na psicologia e linguística poderiam ajudar a transferir mecanismos de aprendizagem semelhantes para o mundo adulto. Por trás disso não está apenas o argumento promocional de poupar os alunos do grande trabalho de aprender gramática. Pesquisadores, por sua vez, reconhecem a necessidade de adoção de modelos mais eficazes e menos penosos, já que prevalece o consenso de que nada se ganha apenas com o ensino de regras.
EM ZIGUE ZAGUE
O que precisa ser transformado é o chamado método de gramática e tradução – pelo qual, ainda hoje, boa parte dos livros didáticos se orienta –, que vem dos tempos primordiais do ensino metódico de línguas. Ele é o consenso fundamental, o protótipo da aula de língua estrangeira de qualquer conceito pedagógico. A bem da verdade, em sua forma pura hoje é encontrado apenas em casos de exceção, mais provavelmente nas aulas de latim: devem-se construir frases na língua estrangeira ou traduzir textos para a língua materna com caneta e papel, pois os alunos só vão falar (se isso acontecer) bem mais tarde.
Obviamente o que ainda é sustentável no caso das línguas mortas certamente fracassará com o inglês ou o francês. “Nesse processo, os alunos não absorvem muito mais do que um conjunto de regras abstratas. Isso, porém, não ajuda em nada o uso da língua: dessa forma, os estudantes não conseguem transformar seu conhecimento linguístico em uma forma útil para a comunicação”, diz a pedagoga Susanne Even, da Universidade de Indiana em Bloomington.
Da revista Mente & Cérebro n° 210, julho/2010
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