quinta-feira, 6 de maio de 2010

A luta contra a sacolinha

Foto: Getty images
Incentivadas pelo governo, redes de supermercado brasileiras encorajam a substituição das sacolas de plástico
Foto: Agência Estado

Isis Nóbile Diniz, especial para o iG 06/05/2010 12:38

Os supermercados brasileiros estão em guerra contra as sacolinhas. As três redes líderes em faturamento distribuíram 372,9 milhões de sacos plásticos a menos no ano passado. Uma delas quer eliminar para sempre o uso das sacolinhas até 2014. E é melhor o consumidor se acostumar: caixas de papelão e sacolas retornáveis, as chamadas ecobags, prometem ser a norma em breve.
Ao total, todos os supermercados brasileiros consomem em média 12 bilhões de sacolas plásticas tradicionais anualmente. Os Estados Unidos, em comparação, consome

10 bilhões de sacos de papel - os americanos usam o material no lugar das sacolas plásticas.

"A questão das sacolas plásticas é debatida desde 2007", explica o presidente da Abras, Sussumu Honda. "Agora, com a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos pela Câmara dos Deputados, cada empresa tem se posicionado com sua estratégia para seu público", afirma. Com a nova legislação, todos os setores - produtor, comerciante, consumidor final e serviço de limpeza urbana - serão responsáveis pelos materiais. Aliás, quem contratar serviço de reciclagem terá incentivos fiscais. A lei ainda precisa da aprovação do Senado. O uso de sacolas de plástico disparou na década de 1980, quando os grandes supermercados se popularizaram. Atualmente, a produção de plástico é 20 vezes maior do que há 50 anos, sendo que 80% do lixo plástico é composto por embalagens utilizadas uma única vez. A ONG Iniciativa Verde afirma que colocar em duas sacolas de supermercado o que poderia ser levado em três reduz em 20% sua emissão de CO2 - gás que causa o aquecimento global.

Disputa para ser mais ecoeficiente O Grupo Pão de Açúcar - Extra, CompreBem, Sendas, ABC CompreBem e Assai - disse que reduziu em 30% (91 milhões de unidades) sua distribuição de sacolas plásticas. Ele possui um programa no qual clientes que usem sacolas retornáveis ganham vale-compras. No ano passado, os clientes da classe C, do CompreBem, foram os que mais adquiriram as sacolas retornáveis - ou "ecobags".

O Walmart Brasil anunciou que estenderá para todas as lojas um programa que devolve ao consumidor o valor de R$ 0,03 de cada sacola não utilizada. O preço é calculado no caixa por cada cinco itens adquiridos - quantidade média de produtos embalados em uma sacola, de acordo com o Instituto Akatu. Assim, em uma compra de 200 itens, o cliente receberá R$ 1,20. Segundo a empresa, o programa já tirou do meio ambiente 22,8 milhões de sacolas plásticas e concedeu R$ 686 mil. Até 2013, o Walmart espera reduzir o uso de sacolas plásticas em 50%. No ano passado, conseguiram diminuir 10% (138,9 milhões).

O uso de sacolas retornáveis, as chamadas ecobags, vai ser mais incentivado
Por sua vez, o Carrefour afirmou que quer banir o uso de sacos plásticos em quatro anos. As lojas da rede na França, China e Polônia já não oferecem a sacola plástica tradicional. No lugar, comercializará sacolas retornáveis e biodegradáveis, produzidas a partir do milho. Em 2009, a rede conseguiu diminuir em 15% (143 milhões de unidades) a distribuição de sacolinhas comparando ao ano anterior. "Há poucos anos, as ações de cunho socioambiental feitas por empresas eram vistas pelo consumidor com muita reserva. Em pequisas sobre o tema, os clientes diziam que as empresas queriam ganhar vantagem", conta o sócio-sênior da consultoria empresarial de varejo e de marketing GS&MD - Gouvêa de Souza, Luiz Goes.
Hoje, Goes acredita que o consumidor valoriza mais essas ações desde que fique claro que não se trata de oportunismo. "Gradualmente, as empresas têm o desafio de associar a marca à preservação ambiental. Por isso elas têm investido, por exemplo, em construção de unidades que poupam mais o meio ambiente e na valorização dos funcionários", diz Goes. Além disso, ser sustentável é um investimento que barateia os custos.

As opções são escassas As sacolas plásticas são produzidas a partir do petróleo ou do gás natural, recursos não-renováveis, e demoram cerca de 400 anos para se decompor. Como alternativa, no lugar dela poderiam ser usadas sacolas recicladas. No entanto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não permite a troca por questão de segurança à saúde. Outra opção seria sacolas de papelão. No entanto, é consumido 1,5 milhão de sacolas plásticas por hora pelos brasileiros -- nos Estados Unidos, são cortadas nada menos que 14 milhões de árvores por ano apenas para abastecer esse mercado, um número inviável para os padrões daqui. Por sua vez, o plástico oxibiodegradável, que se despedaça em partículas minúsculas e considerado uma alternativa, é tema de polêmica. Segundo pesquisadores, os pedacinhos poderiam contaminar a água e serem consumidos por animais. Além disso, ele não pode ser reciclado.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Perigos da poluição para o cérebro


Agentes tóxicos comuns no ar – como carbono preto, material particulado e ozônio –podem provocar sérios efeitos na cognição de crianças e adultos

© PATRICK HERRERA/ISTOCKPHOTO

O exercício nas ruas com trânsito pesado pode expor o cérebro a níveis nocivos de poluição
Em uma época em que tanto se discute o derretimento das calotas polares e a destruição das florestas e da camada de ozônio, é quase redundante dizer quanto as substâncias emitidas por automóveis e usinas a carvão são prejudiciais ao sistema respiratório.
O que pode surpreender é o grau de danos que esses poluentes podem provocar no cérebro – sendo a exposição a eles, em certos casos, tão prejudicial quanto ao chumbo. Estudos recentes mostram que agentes tóxicos comuns no ar como o carbono preto, o material particulado e o ozônio podem ter efeito negativo sobre capacidades como aquisição de vocabulário, tempo de reação e até mesmo sobre a inteligência, de forma geral.
O mais recente desses estudos, realizado em Nova York, no qual grávidas usaram monitores pessoais de ar durante toda a gestação, descobriu que crianças de 5 anos expostas a níveis altos de poluentes urbanos – conhecidos como hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs) – quando ainda estavam no útero apresentavam quociente intelectual (QI) 4 pontos inferior ao das que foram expostas a quantidades menores das substâncias.
De modo alarmante, “a queda foi semelhante à observada em exposições a baixos níveis de chumbo”, comenta a epidemiologista Frederica Perera, diretora do Columbia Center for Children Environmental Health e autora principal do estudo. A alteração dos índices de QI foi suficiente para causar queda no desempenho escolar e nas notas em testes simples.
“E esses níveis de poluição que medimos no estudo nem foram expressivamente altos, se comparados àqueles de outras áreas urbanas”, observou a pesquisadora. A maior parte dos poluentes HPAs vem de emissões de motores de veículos automotivos, especialmente de carros e caminhões movidos a gasolina e a diesel, além da queima de carvão. A fumaça do cigarro é outra fonte importante de poluentes; por isso pesquisadores não consideraram no estudo crianças que convivem com fumantes.
Um dado importante é que o cérebros infantil em desenvolvimento não é o único atingido pela poluição. Pesquisa de 2008 em adultos de 20 a 50 anos, conduzida em conjunto pelas escolas de saúde pública da Universidade Harvard e da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, identificou redução de atenção, memória de curto prazo e tempo de reação, diminuição esta relacionada ao ozônio e equivalente a um declínio intelectual em meninos e meninas de 3 anos e meio a 5 anos.
O que os especialistas se perguntam agora é: o que pode ser feito em relação a esses poluentes prejudiciais ao cérebro? “A resposta não é mistério: precisamos de melhores políticas para o congestionamento de tráfego, de tecnologias para energias alternativas e de eficiência energética”, afirma Frederica. Felizmente, também há maneiras mais imediatas de reduzir a exposição aos elementos químicos tóxicos, como limitar as atividades físicas ao ar livre nos dias mais poluídos.
Os alertas sobre os riscos da qualidade do ar se tornaram parte rotineira das previsões de tempo matutinas. “Se não puder evitar o exercício ao livre, vale a pena diminuir o ritmo, por exemplo, substituindo a corrida por uma caminhada”, sugere a administradora da U. S. Environmental Protection Agency, Lisa Jackson. A alternativa é evitar caminhar, correr ou andar de bicicleta em vias de grande movimento de ônibus, caminhões e carros. Até os controles de emissões e as políticas ambientais surtirem um efeito significativo sobre os níveis de poluentes relacionados a tráfego, a melhor saída é expor o mínimo possível nosso cérebro e o de nossos filhos.
Fonte: Revista Mente & Cérebro n° 210, de abril/2010
Voce pode ver também em www.mentecerebro.com.br

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Viajar


Viajar traz satisfação, mas o efeito dura pouco

Efeito de um passeio relaxante pode durar até duas semanas; depois disso as preocupações cotidianas anulam a sensação

© lolloj/shutterstock

Vários estudos já mostraram que tirar férias melhora a qualidade de vida das pessoas, aumenta a predisposição ao otimismo e ao bom humor e ainda favorece o estado geral de saúde.
Mas quanto tempo dura esse efeito?
Poucas semanas, segundo uma pesquisa feita na Universidade de Roterdã, na Holanda, publicada na revista Applied Research in Quality of Life.
O objetivo do estudo era saber se quem viaja é mais feliz. A resposta encontrada foi pouco conclusiva: depende de vários fatores.
Logo depois da viagem as pessoas se mostram, sim, mais satisfeitas, mas essa sensação desaparece logo. A pesquisa revelou que, no melhor dos casos, quando o passeio é extremamente relaxante, o efeito pode durar até duas semanas – depois desse período, as preocupações com o cotidiano anulam os benefícios.
Mesmo assim, os cientistas argumentam que essa trégua no estresse é melhor que nada. E reforçam o que já tem sido divulgado há algum tempo: viagens curtas, porém mais frequentes, são melhores, do ponto de vista da saúde mental, que as mais longas apenas uma vez por ano.

Do site: www.mentecerebro.com.br

Meditação

Meditação “engrossa” o cérebro para reduzir a dor

Córtex cingulado anterior é mais volumoso em adeptos da prática budista do que em pessoas que nunca utilizaram a técnica

© elena ray/shutterstock


Pesquisas já mostraram que a prática da meditação zen pode reduzir o limiar de sensibilidade à dor, o que é particularmente interessante para pessoas que sofrem de doenças crônicas como artrite reumatoide ou fibromialgia. O mecanismo que explica esse efeito foi descoberto por pesquisadores da Universidade de Montreal, no Canadá.

Por meio de técnicas de neuroimageamento, os cientistas observaram que uma estrutura central do cérebro – o córtex cingulado anterior – é mais volumosa nos adeptos da prática budista do que em pessoas que nunca meditaram. Essa área cerebral não só é responsável pelo processamento dos estímulos dolorosos como participa da emoção e da tomada de decisões.

O estudo foi publicado na revista Emotion. O uso compulsivo da comunicação virtual está frequentemente associado a sintomas depressivos. A conclusão é de um estudo da Universidade de Leeds, no Reino Unido, que avaliou 1.319 voluntários com idade entre 16 e 61 anos. Do total, apenas 1,2% dos voluntários foi considerado dependente da rede mundial de computadores, mais foi aí que se concentrou a maioria dos casos moderados ou graves de depressão.

Nesse grupo, as pessoas tinham 21 anos, em média. Segundo os autores, não é possível saber se depressivos são atraídos pela internet ou se é o uso da rede que intensifica a tendência ao distúrbio. Eles argumentam que o mais importante é analisar as implicações dessa relação e estabelecer claramente os efeitos dessa prática na saúde mental.

O objetivo é evitar casos como os da cidade de Bridgend, no País de Gales, em 2008, quando vários adolescentes, todos usuários compulsivos de internet, se suicidaram.

Do site: www.mentecerebro.com.br

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Você viu isso???

Foto: Getty Images

Chimpanzés têm consciência da morte, aponta estudo
Pesquisa afirma que os animais podem ter consciência da morte, assim como os seres humanos

AFP 26/04/2010 18:03

Os chimpanzés, primos mais próximos do homem na escala evolutiva, parecem muito conscientes da morte, assim como os humanos, segundo um estudo baseado em observações publicado nesta segunda-feira.
"Vários fenômenos foram considerados em um ou outro momento separando o homem das outras espécies, como a capacidade de raciocinar, de falar ou de utilizar ferramentas e a consciência de si mesmo, antes de a ciência demonstrar que essas divisões são, na realidade, mais relativas", explicou James Anderson, da Universidade de Sitling do Reino Unido, principal autor de um dos estudos publicados nesta segunda-feira na revista americana Current Biology, na edição datada de 27 de abril.
"A consciência da morte é um desses fenômenos psicológicos atribuídos durante um longo tempo somente aos humanos", afirmou o pesquisador.
Mas "as observações que temos feito em chimpanzés relacionando a perda de seu par e nos últimos momentos de vida, indicam que têm muita consciência da morte e, provavelmente, de maneira muito mais desenvolvida do que se suspeitava", acrescentou.
O estudo descreve as últimas horas e a morte de uma chimpanzé fêmea de idade avançada, que vivia em um pequeno grupo de primatas numa reserva na Escócia. Todos esses momentos foram filmados.
Nos dias que precederam a morte da fêmea, o grupo esteve muito silencioso e com a atenção concentrada nela, afirmou James Anderson. Muito pouco tempo antes de morrer, seus companheiros fizeram muito carinho e a enfeitaram.
Esses gestos nos últimos instantes buscavam determinar se ela ainda estava com vida. Quando chegou a morte, o grupo se afastou do corpo, mas pouco depois, a que seria sua filha mais velha voltou para permanecer próxima à fêmea morta durante toda a noite, afirmam os pesquisadores.
Em um segundo estudo, os autores observaram duas mães de chimpanzés que vivem livres, que continuaram carregando o corpo mumificado de seus filhotes durante semanas, após a morte deles em consequência de uma infecção respiratória.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Buraco Negro


Cientistas não conseguem reverter buraco negro e temem o pior


Carlos Cachaça
Publicado em 01/04/2010 07h30

O gigante acelerador de partículas em Genebra, conhecido como a “máquina do apocalipse”, finalmente parece ter honrado o nome. Cientistas que cuidam do gigantesco equipamento que fica no do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (CERN), estão em pânico.
Eles não conseguem reverter o mini buraco negro criado durante os experimentos do começo desta semana, quando fizeram partículas subatômicas colidir entre si na tentativa de recriar as condições do que seria o big bang, a explosão inicial que teria dado origem ao universo há quase 14 bilhões de anos.
Os temores se confirmaram. Apesar dos cientistas que participam do projeto terem afirmado que a energia gerada nas colisões seria insuficiente para gerar um buraco negro, agora eles lutam para tentar conter o fenômeno.
Mas o tempo é curto. Por enquanto, a fonte de energia, que passa a engolir tudo ao seu redor, ainda é microscópica, mas quanto mais demoram, mais o buraco negro cresce. Em poucos dias ele começará a destruir o túnel circular de 27 km de extensão, entre a fronteira da Suíça e França, onde as partículas foram aceleradas. Se a energia conseguir romper o equipamento, o acidente poderá representar o próprio fim do mundo.

domingo, 18 de abril de 2010

Relembrando!


Vejam só o que capturei na web:
"Os políticos só não são completamente inúteis,
porque
servem de mau exemplo"
= Autor desconhecido =

terça-feira, 13 de abril de 2010

As meninas e a matemática


Transmissão de um estigma

Estudo da Universidade de Chicago traz fortes evidências de que o baixo desempenho das meninas em matemática está relacionado com a didática adotada nas aulas – e não com a genética

© DIETMAR KLEMENT/ISTOCKPHOTO

Alunas são mais sensíveis à insegurança de docentes e tendem a reproduzi-la; fato não ocorre com os meninos.
A polêmica sobre o aparente fracasso feminino com os números e as contas surgiu em 2005, quando o economista Lawrence Summers, na época reitor da Universidade Harvard, defendeu que causas inatas estariam por trás da maior facilidade masculina para ciências exatas.
De lá para cá, muitos cientistas têm se manifestado contra a afirmação de Summers, sugerindo que a desvantagem das mulheres em áreas como computação e engenharia é determinada por fatores sociais.
A hipótese, no entanto, é difícil de ser comprovada experimentalmente, mas um estudo recente feito pela Universidade de Chicago traz fortes evidências de que o baixo desempenho de meninas em matemática tem origem na falha da didática daquele que ensina.
Os pesquisadores avaliaram, no início e no final do ano letivo, os níveis de ansiedade de 17 professoras americanas de ensino fundamental em relação às aulas de matemática, o que segundo os autores reflete sua insegurança no exercício da disciplina que é a base para as demais ciências exatas.
Os estudiosos analisaram também as notas dos alunos – 52 meninos e 65 meninas – ao longo do ano e a percepção deles no que diz respeito ao estereótipo de que a habilidade com números é uma característica masculina. Os resultados foram publicados nos Proceedings of the National Academy of Sciences.
Ao fim do período letivo, os dados apontaram uma correlação negativa entre os níveis de ansiedade das professoras e as notas das meninas, diferentemente do observado no início do ano, quando a diferença entre os sexos não era significativa.
Segundo os autores, por alguma razão as alunas são mais sensíveis à insegurança das professoras e tendem a reproduzi-la, o que não ocorre com os meninos. Isso foi constatado por meio da análise dos desenhos feitos pelos alunos a pedido dos pesquisadores. Eles contaram uma história sobre duas crianças: uma muito hábil em matemática e outra que gostava muito de ler.
Em nenhum dos casos o sexo do personagem foi definido. Em seguida, os estudantes tinham de desenhar a história. Na ilustração feita no início do ano, não houve predomínio de um ou outro sexo em ambas as histórias, mas o resultado mudou significativamente no segundo desenho feito no final do ano.
Nele, a maioria das meninas retratou a criança que gosta de ler como garota e a que prefere matemática como menino.
Do site: www.mentecerebro.com.br (08.04.2010)

Dr. Hollywood


“Dr. Hollywood seria cassado"


Médico astro de TV fere conduta ética, diz presidente do CFM

Fernanda Aranda, iG São Paulo 11/04/2010 15:00

Na próxima terça-feira, dia 13, entram em vigor as 118 normas do novo código de ética médica no País. O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Roberto d’ Ávila, diz que as propagandas estrelada por médicos, os programas de televisão, as clínicas de estética e de reprodução assistida são as áreas que mais sofrerão mudanças.

Presidente do CFM diz que opinião de paciente será central nas decisões médicas
Além disso, acredita ele, os pacientes passam a ser tão responsáveis pela escolha do tratamento clínico quanto seus médicos. Em entrevista ao iG, ele fala sobre as principais mudanças e diz que condutas como a do Dr. Hollywood (médico pop dos Estados Unidos que lidera um programa na RedeTV!) serão punidas.


Leia a entrevista.


iG: O novo código de ética é bem rigoroso com a questão da propaganda e a participação dos profissionais de saúde em programas de TV. O que muda a partir do dia 13?


Roberto d'Ávila: O médico não pode ser ator em uma propaganda. Os dentistas podem fazer publicidade de pasta de dente. No nosso meio é proibidíssimo, inaceitável. O Dr. Hollywood não é inscrito aqui no Brasil, mas se fosse, já estaria cassado. Já cassamos médicos que apareceram em programas de TV mostrando pacientes e, com o novo código, isso ficou definido de forma clara. Filmar paciente sendo atendido é autopromoção. O médico pode participar de chats, programas de TV, entrevista em revistas sempre no campo da orientação.


iG: A área que envolve muita publicidade médica é a cirurgia plástica. O CFM já tem um plano específico para a especialidade? Como fica com o novo código?


Roberto d'Ávila: Sim, o primeiro plano de ação é focado nas clínicas estéticas, que fazem lipoaspiração, implante de silicone. Nestes locais, inclusive, estão as principais falhas de conduta médica, contempladas pelo novo código para resguardar os profissionais e os pacientes. Descobrimos que há médicos atuando dentro de salões de beleza. O novo código diz claramente que profissional da medicina só pode atender em local destinado a este fim. Nossa função é fechar esses locais inseguros e punir os médicos com rigor.


iG: Outra área que suscitou debates éticos no passado foi a da reprodução assistida. Quais são as principais mudanças nesse campo?


Roberto d'Ávila: Já tínhamos uma resolução sobre esta área e agora colocamos no novo código de ética todo regramento da reprodução assistida. O medico não pode colocar embriões acima do número permitido pela resolução, porque depois é preciso fazer um procedimento chamado de redução, para que não cresçam três ou quatro fetos dentro da mulher. Isso é inaceitável. A sexagem (escolha do sexo do bebê) também é proibida. É claro que nós não estamos dentro das clínicas e sabemos que, não raras as vezes, é o próprio paciente quem faz este tipo de exigência. Pede para colocar mais de quatro embriões, todos do sexo masculino, porque o casal não tem um menino. É uma área de difícil fiscalização mas, se forem pegos (os médicos), serão punidos.


iG: O novo código de ética médica coloca o paciente em papel de destaque nas decisões de saúde. O senhor acha que os médicos vão lidar bem com isso?


Roberto d'Ávila: Acredito que os mais velhos possam ter alguma dificuldade, pois sempre estiveram no centro das decisões, mas os mais novos já convivem com essa realidade nos consultórios. Em linhas gerais, a mudança deve melhorar a relação entre pacientes e médicos. Será uma decisão partilhada e a nossa orientação é que todas as oportunidades apresentadas constem no prontuário. Isso protege o profissional e o cliente e vale para tudo: de uma dor de cabeça até para os cuidados paliativos ou ortotanásia (procedimento em que o paciente pode decidir a hora em que os cuidados médicos cessam por não existir perspectiva de reversão de quadro).


iG: Na prática, o que os pacientes poderão fazer com este novo código de ética? Denunciar os médicos?


Roberto d'Ávila: O paciente, ao conhecer o código de ética, pode exigir a melhor conduta por parte do médico e isso é essencial para estabelecer uma relação de confiança. O dever de conduta do médico acaba sendo um direito do paciente. O nosso código estabelece 118 artigos de dever de conduta. Se eles não forem observados nossa sugestão é que o paciente procure os conselhos de classe para fazer uma denúncia.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Novo Código de Ética Médica



As principais mudanças do novo código de ética médica

11/04 - 15:00 - Fernanda Aranda, iG São Paulo

Após dois anos de discussão, 400 delegados médicos definiram novas regras em relação ao direitos dos pacientes e os deveres dos profissionais da medicina.
São 188 novos artigos que entram em vigor nesta terça-feira, dia 13.
O iG separou 19 deles que sintetizam as principais mudanças.
Confira!

1- LETRA LEGÍVEL
A receita e o atestado médico têm de ser legíveis e devem ter a identificação do médico

2-DIREITO DE ESCOLHA
O médico deve apresentar todas as possibilidades terapêuticas – cientificamente reconhecidas – e aceitar a escolha do paciente
3-CONSENTIMENTO ESCLARECIDO
O paciente precisa dar o consentimento a qualquer procedimento a ser realizado, salvo em caso de risco iminente de morte

4-ABANDONO DE PACIENTE
O médico não pode abandonar seu paciente

5-PACIENTES SEM PERSPECTIVA DE CURA
O médico deve evitar procedimentos desnecessários nesses pacientes. Em caso de doenças incuráveis, deve oferecer todos os cuidados paliativos disponíveis, levando sempre em conta a opção do paciente

6-PRONTUÁRIO MÉDICO
O paciente tem direito a receber a cópia do prontuário médico

7-SEGUNDA OPINIÃO
O paciente tem direito a uma segunda opinião e a ser encaminhado a outro médico

8-ANÚNCIOS PROFISSIONAIS
É obrigatório incluir o número do CRM em anúncios dessa natureza

9-PARTICIPAÇÃO EM PROPAGANDA
O médico não pode participar de propaganda

10-RECEITA SEM EXAME
O médico não pode receitar sem ver o paciente, seja por meio de veículo de comunicação ou internet
11-RELAÇÕES COM FARMÁCIAS
O médico não pode ter relação com o comércio e a farmácia

12-SIGILO MÉDICO
O sigilo médico deve ser preservado, mesmo após a morte do paciente

13-CONDIÇÕES DE TRABALHO
O médico pode recusar a exercer medicina em locais inadequados

14-DENÚNCIA DE TORTURA
O médico é obrigado a denunciar tortura, isso vale para atendimento de possíveis vítimas de violência doméstica, por exemplo

15-DESCONTOS E CONSÓRCIOS
O médico não pode estar vinculado a cartões de descontos e consórcios, em especial na área de cirurgia plástica

16-FALTA EM PLANTÃO
Abandonar plantão é falta grave

17-MANIPULAÇÃO GENÉTICA
O médico não pode participar de manipulação genética

18-SEXAGEM
A escolha do sexo do bebê é vedada na reprodução assistida

19-MÉTODOS CONTRACEPTIVOS
O paciente tem direito de decidir sobre os métodos contraceptivos que deseja usar
Decore!
Anote!
Exija!
Exerça o seu direito!

Novas orquídias






Abriram esta semana e me pegaram de surpresa...
E ... que surpresa!!!

Heliconia

Apresentando uma das minhas heliconias...





sexta-feira, 9 de abril de 2010

Crônica



Em 1970 éramos 90 milhões em ação, todos ligados na mesma emoção...
Mal nos demos conta, na oportunidade, da manipulação em que estávamos envolvidos pelo regime militar, a bordo da Copa do Mundo, que afinal viríamos a consquistar.
Lembrei-me do número a propósito de uma notícia recente de que, numa onda de NOVENTA MILHÕES de votos, alguém tinha sido eliminado num "paredão" do BBB10.
Aí a reflexão:
Ainda bem que não foram os mais de 190 milhões de brasileiros que somos hoje!
Ainda bem que eu não vejo ISSO, nem quaisquer similares.
Mas:
Triste e lamentável é perceber a quantas anda uma imensa faixa da população, ainda que aquela votação não represente o total de pessoas, eis que muita gente deve ter-se "desdobrado" ao telefone, digitando sem parar o fatídico número eliminatório do personagem que não lhe fez o gosto.
Triste e lamentável é perceber que as mídias detém tanto poder. Induzir e até fanatizar incautos em disputas pífias que não trazem às pessoas um mínimo de cultura, educação e sequer um grau mínimo de progresso mental, espiritual e até material, que seja!
Triste e lamentável é perceber que a população, nós afinal, não temos o menor senso crítico para separar o que realmente nos interessa em termos de Nação, a ponto de elegermos e reelegermos representantes os mais sórdidos e execráveis a ponto de sermos espoliados mansamente material e moralmente, por uma corja de bandidos engravatados que só fazem arquitetar golpes e golpes em próprio benefício.
No ponto cronológico que me encontro por idade, temo não visualizar qualquer mudança substantiva nesse quadro que eu possa alcançar ainda vivo.

Cláudio Natalício

domingo, 4 de abril de 2010

O Boi

É inacreditável
como o Boi








Aprendeu















a lavar ....












Minha homenagem a um grande professor!!!


quarta-feira, 31 de março de 2010

Vamos salvar o Planeta?



Humanidade não pode salvar o planeta, afirma criador da Teoria de Gaia

31/03 - 07:50 - BBC Brasil

Mudar os hábitos para tentar salvar o planeta é "uma bobagem", na opinião de um dos mais conceituados especialistas em meio ambiente no mundo, o britânico James Lovelock, para quem a Terra, se for salva, será salva por ela mesma.
"Tentar salvar o planeta é bobagem, porque não podemos fazer isso.Se for salva, a Terra vai se salvar sozinha, que é o que sempre fez. A coisa mais sensível a se fazer é aproveitar a vida enquanto podemos", afirmou Lovelock em entrevista à BBC.
O cientista de 90 anos é autor da Teoria de Gaia, que considera o planeta como um superorganismo, no qual todas as reações químicas, físicas e biológicas estão interligadas e não podem ser analisadas separadamente.
Considerado um dos "mentores" do movimento ambientalista em todo o mundo a partir dos anos 1970, Lovelock é também autor de ideias polêmicas como a defesa do uso da energia nuclear como forma de restringir as emissões de carbono na atmosfera e combater as mudanças climáticas.
Gatilho Para Lovelock, a humanidade não "decidiu aquecer o mundo deliberadamente", mas "puxou o gatilho", inadvertidamente, ao desenvolver sua civilização da maneira como conhecemos hoje.
"Com isso, colocamos as coisas em movimento", diz ele, acrescentando que as reações que ocorrem na Terra em consequência do aquecimento, entre elas a liberação de gases como dióxido de carbono e metano, são mais poderosas para produzir ainda mais aquecimento do que as próprias ações humanas.
Segundo ele, no entanto, o comportamento do clima é mais imprevisível do que pensamos e não segue necessariamente os modelos de previsão formulados pelos cientistas."O mundo não muda seu clima convenientemente de acordo com os modelos de previsões.
Ele muda em saltos, como vemos. Não houve aumento das temperaturas em nenhum momento neste século. E tivemos agora um dos invernos mais frios em muito tempo em todo o hemisfério norte", diz Lovelock.
Durante a entrevista à BBC, o cientista britânico afirmou ainda não ver sentido na busca de alguns hábitos de consumo diferentes ou no desenvolvimento de energias renováveis como forma de conter as mudanças climáticas."Comprar um carro que consome muita gasolina não é bom porque custa muito dinheiro para manter, mas essa motivação é provavelmente mais sensata do que a de tentar salvar o planeta, que é uma bobagem", diz.
Para Lovelock, a busca por formas de energia renováveis é "uma mistura de ideologia e negócios", mas sem "uma boa engenharia prática por trás"."A Europa tem essas enormes exigências sobre energias renováveis e subsídios para energia renovável.
É um bom negócio, e não vai ser fácil parar com isso, mas não funciona de verdade", afirma.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Água poluída mata mais que violência no mundo


22/03 - 10:18 - Reuters

ABIDJAN (Reuters) - A população mundial está poluindo os rios e oceanos com o despejo de milhões de toneladas de resíduos sólidos por dia, envenenando a vida marinha e espalhando doenças que matam milhões de crianças todo ano, disse a ONU nesta segunda-feira.
"A quantidade de água suja significa que mais pessoas morrem hoje por causa da água poluída e contaminada do que por todas as formas de violência, inclusive as guerras", disse o Programa do Meio Ambiente das Nações Unidas (Unep, na sigla em inglês).
Em um relatório intitulado "Água Doente", lançado para o Dia Mundial da Água nesta segunda-feira, o Unep afirmou que dois milhões de toneladas de resíduos, que contaminam cerca de dois bilhões de toneladas de água diariamente, causaram gigantescas "zonas mortas", sufocando recifes de corais e peixes.
O resíduo é composto principalmente de esgoto, poluição industrial e pesticidas agrícolas e resíduos animais.Segundo o relatório, a falta de água limpa mata 1,8 milhão de crianças com menos de 5 anos de idade anualmente.
Grande parte do despejo de resíduos acontece nos países em desenvolvimento, que lançam 90 por cento da água de esgoto sem tratamento.A diarréia, principalmente causada pela água suja, mata cerca de 2,2 milhões de pessoas ao ano, segundo o relatório, e "mais de metade dos leitos de hospital no mundo é ocupada por pessoas com doenças ligadas à água contaminada.
"O relatório recomenda sistemas de reciclagem de água e projetos multimilionários para o tratamento de esgoto.Também sugere a proteção de áreas de terras úmidas, que agem como processadores naturais do esgoto, e o uso de dejetos animais como fertilizantes.
"Se o mundo pretende... sobreviver em um planeta de seis bilhões de pessoas, caminhando para mais de nove bilhões até 2050, precisamos nos tornar mais inteligentes sobre a administração de água de esgoto", disse o diretor da Unep, Achim Steiner. "O esgoto está literalmente matando pessoas."

(Reportagem de Tim Cocke)

domingo, 21 de março de 2010

Reciclagem


Barco feito com 12 mil garrafas plásticas inicia jornada

21/03 - 08:45 - BBC Brasil

Um barco feito de 12 mil garrafas plásticas partiu neste domingo em uma jornada da cidade americana de San Francisco até a capital australiana Sydney. O objetivo da viagem, que deverá durar três meses, é chamar a atenção para o problema da poluição nos oceanos.

(Imagem/Getty Images)

O ambientalista e herdeiro do setor bancário David De Rothschild e sua tripulação partiram no catamarã Plastiki.

A jornada de 11 mil milhas náuticas passará pelo local conhecido como "grande depósito de plástico do Pacífico", uma massa de lixo cinco vezes maior do que a Grã-Bretanha.

A jornada deve durar cerca de três meses Quatro em cada cinco garrafas plásticas acabam em depósitos de lixo, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas).

Rothschild, de 31 anos, já completou expedições aos dois pólos e várias florestas.

"Viajando a 2.0 nós ummm! Há muito oceano pela frente!", disse Rothschild em sua página no site de mensagens Twitter. "Acabamos de avistar nosso primeiro lixo marinho - um copo de plástico!"

As 12 mil garrafas plásticas usadas no Plastiki foram recheadas com dióxido de carbono para tornar a embarcação durável e permitir que flutue.

O catamarã usa energia solar, eólica e turbinas marítimas.

É possível ver as 12 mil garrafas ao redor do barco (Imagem/EFE)

Uma bicicleta ergométrica será usada para carregar os laptops que serão usados a bordo e há também um banheiro que transformará detritos em adubo e um jardim para que vegetais possam ser plantados.

Críticos dizem que a expedição apenas perpetua a crença de que é aceitável usar plástico se as pessoas reciclarem o material, ao invés de encorajar o fim do uso.

Eles também dizem que se o Plastiki quebrar no meio da jornada, depositará milhares de garrafas diretamente no oceano.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Doenças do cérebro II


Fascínios e mistérios das doenças do cérebro

Coleção com seis volumes traz textos de especialistas em alzheimer, parkinson, autismo, esquizofrenia, transtorno bipolar, hiperatividade, depressão, stress e ansiedade

[continuação]“O cérebro humano é, sem dúvida, um objeto fascinante de estudo; um órgão com uma estrutura extremamente complexa e com habilidades fantásticas; no entanto, ele também é alvo de vários distúrbios debilitantes e ainda incuráveis”, escrevem os pesquisadores Fernanda G. De Felice e Sérgio T. Ferreira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), autores de artigo do primeiro número da série.
É o caso de doenças neurodegenerativas ainda sem cura, como Parkinson e Alzheimer, cujas estatísticas mundiais impressionam (4 milhões de pessoas diagnosticadas com a primeira patologia, 35 milhões com a segunda). Esses dois temas abrem a coleção.
Já os distúrbios do espectro autista (como o autismo propriamente dito, a síndrome de Asperger e a de savant) – tema da segunda edição –, embora raros, suscitam questionamentos em virtude dos mecanismos cerebrais e genéticos, bem como dos componentes psicológicos, que levam os portadores ao isolamento afetivo que os caracteriza.Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), tema tão em pauta na atualidade, em especial no caso de crianças e adolescentes, é discutido sob diversos ângulos na terceira edição, que aborda também a epilepsia, com vistas às novas medicações e neurocirurgias.
Os transtornos mentais, como esquizofrenia, bipolaridade e depressão, assuntos sempre em pauta e os mecanismos bioquímicos e psicológicos que os regem são tratados na quarta e na quinta edição. A série se encerra com um tema bastante atual, os transtornos de ansiedade e stress, que, cada vez mais, afligem o mundo contemporâneo, devido ao excesso de demandas intelectuais, profissionais e emocionais.

Revista Mente & Cérebro n° 206, março/2010

ou acesse: www.mentecerebro.com.br



Doenças do cérebro


Fascínios e mistérios das doenças do cérebro
Coleção com seis volumes traz textos de especialistas em alzheimer, parkinson, autismo, esquizofrenia, transtorno bipolar, hiperatividade, depressão, stress e ansiedade

Com as novas tecnologias de imageamento e mapeamento do cérebro muito se avançou no conhecimento dos processos bioquímicos e funcionais do órgão mais complexo do corpo humano – que dá suporte às emoções, gera pensamentos, consolida memórias e rege os movimentos físicos. Nessa máquina altamente plástica, refinadas tramas de neurônios e outras células nervosas, proteínas e neurotransmissores (que perpassam estruturas bastante especializadas) trabalham ininterruptamente para manter as funções mentais, mnemônicas, cognitivas e motoras a pleno vapor, de modo a responderem, em conjunto, às demandas do ambiente.Funções e ações aparentemente simples derivam desse processo complexo: um gesto, uma reação empática, as lembranças de fatos marcantes, o reconhecimento das pessoas queridas ou os estados de ânimo condizentes com a situação. Porém, no momento em que algo falha na dinâmica cerebral, corre-se o risco de haver uma espécie de curto-circuito, dando origem a sintomas por vezes intrigantes ou bizarros, principalmente quando o distúrbio aparece em áreas ou estruturas voltadas à cognição, ao circuito motor, à memória, às emoções e à percepção.A compreensão do que ocorre quando a máquina cerebral emperra é o ponto de partida para a coleção Doenças do Cérebro, em seis edições. A mais nova série da revista Mente&Cérebro põe em cena alguns dos principais distúrbios neurológicos e mentais, que ainda hoje intrigam a ciência e a indústria farmacêutica e permanecem como constantes temas de pesquisa. Além das prováveis causas e sintomas, especialistas analisam dados epidemiológicos, discutem propostas terapêuticas, bem como apresentam os estudos em andamento.
Revista Mente & Cérebro n° 206, de março/2010

Superstição


Não pode ser coincidência
Ver um gato preto desperta uma sensação desagradável em muita gente; estudos mostram por que a crença no sobrenatural é tão enraizada: supor associações, inclusive onde elas não existem, pode ter suas vantagens


por Thomas Grüter
foto por: crisserbug/istockphoto

Nós vivemos em tempos de busca de comprovações. No entanto, a astrologia, a vidência e a magia não perderam sua atratividade. Pelo contrário: no Brasil não há levantamentosespecíficos sobre o tema, mas muita gente ainda bate três vezes na madeira para espantar o azar e certamente vai repetir a roupa que acredita lhe trazer sorte. Que o digam os jogadores da Seleção Brasileira.
Entre os alemães, por exemplo, a crença em bons ou maus augúrios está hoje mais disseminada do que há um quarto de século, relatou o Instituto de Opinião Pública de Allensbach após uma enquete em 2005. 42% dos entrevistados consideravam, por exemplo, o trevo de quatro folhas um bom sinal.
Segundo dados da National Science Foundation de 2002, mais de 40% dos americanos estão convencidos: o diabo, espíritos ou fenômenos sobrenaturais, como curas milagrosas, realmente existem.
Nem mesmo cientistas estão livres de superstições: em 2008, Richard Coll e seus colegas da Universidade de Waikato, em Hamilton, Nova Zelândia, entrevistaram 40 representantes de diversas disciplinas – entre eles, físicos, químicos e biólogos – sobre sua opinião a respeito de fenômenos sobrenaturais. Vários acreditavam no efeito curativo de pedras preciosas, outros, na existência de espíritos ou extraterrestres, e quase sempre com base em experiências pessoais ou em relatos convincentes. Alguns disseram que amigos e parentes teriam sido curados de graves doenças por meio de um apelo a um poder maior.
Os céticos, por sua vez, justificavam quase sempre sua postura de rejeição com considerações teóricas.Conclusão: a crença no sobrenatural não deixou de existir de forma alguma em tempos de ciência moderna. As pessoas tendem a imaginar que eventos concomitantes têm uma relação causal entre si, apesar de, na verdade, serem independentes.
Quem experimenta o sucesso em diferentes situações e por fim percebe que esteve sempre usando a mesma jaqueta nesses momentos, provavelmente logo vai considerá-la o seu talismã pessoal – sem procurar as causas reais para o sucesso.
Animais apresentam um comportamento semelhante – isso foi demonstrado pelo psicólogo americano Burrhus Skinner em 1948, em seus experimentos sobre o condicionamento operante, nos quais um comportamento que surge espontaneamente é reforçado pela recompensa. Em seu experimento que se tornou famoso como a “superstição entre as pombas”, os pássaros em uma gaiola tinham acesso à comida regularmente por um curto período de tempo.Paulatinamente, eles começaram a repetir suas ações ocasionais imediatamente antes da liberação do alimento: saltitavam, bicavam ou se viravam. As pombas reforçaram o comportamento que haviam associado ao recebimento da ração – o que para Skinner era uma consequência inevitável do aprendizado pela recompensa.

Thomas Grüter É médico e coordena o projeto Prosopagnosia Congênita Durante a Infância, na Faculdade de Psicologia da Universidade de Viena.
Leia a reportagem completa na revista Mente & Cérebro n° 206, de março/2010