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Nosso cérebro recebe e interpreta informações com um ritmo particular, com base em referências mais ou menos realistas | ||||||||
por Alberto Oliverio | ||||||||
[continuação] Podemos descrever essa escala de tempo como uma espécie de régua de borracha que pode ser afrouxada ou esticada para abarcar cada intervalo de tempo, de segundos a dias. Os "números" da régua não fornecem uma medida objetiva, mas "elástica", relativa. O “erro” de medição é proporcional a cada ritmo particular. Por exemplo, uma aceleração ou um retardamento de 10% se aplica tanto a curtos intervalos de tempo (segundos) como a longos períodos (horas ou dias), o que sugere a presença do relógio interno e impreciso que regula nosso cérebro. Estudos feitos com doentes de Parkinson têm ajudado a desvendar os mecanismos neurais subjacentes à forma de avaliar o tempo. O Parkinson é uma doença neurodegenerativa que, em estágio avançado, atinge os gânglios da base, estrutura neural que tem a dopamina como neutransmissor e está associada a funções como controle motor e cognição. Os principais sintomas do distúrbio são, portanto, problemas de motricidade (rigidez muscular, tremores, dificuldades para realizar movimentos) e de memória. O Parkinson apresenta, no entanto, um aspecto que, apesar de conhecido, é considerado secundário pelos clínicos: a distorção do sentido de tempo. Pessoas com a doença tendem a subestimar espaços de tempo inferiores a meio segundo e a superestimar períodos um pouco mais longos, de 30 segundos até um minuto. Ou seja, experimentam perda de precisão na estimativa de tempo, o que leva a uma desaceleração da maior parte das ações. Isto não envolve apenas dificuldades em executar movimentos, mas também uma percepção deturpada do mundo ao redor. Essa distorção pode ser corrigida com a administração de precursores de dopamina, que regularizam o funcionamento dos neurônios dos gânglios da base. Quando os níveis desse neurotransmissor estão normalizados, os espaços de tempo curtos se tornam mais longos e vice-versa. Dessa forma, a percepção do tempo vai encaixar-se novamente na descrição de Weber. | ||||||||
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quinta-feira, 5 de maio de 2011
O sentido do tempo (2/2)
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