quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Todos são quem dizem ser?



Publicado em 27-Oct-2010, por Fernando Adas





Você viu a Angelina “Salt” Jolie no cinema? Se viu, certamente saiu com desejos de “quero mais”. Se não viu ainda, precisa assistir para entender uma das frases mais simples e perturbadoras do filme: “acha que todos são quem dizem ser?”

Sabemos que as pessoas pensam em algo, dizem uma outra, fazem uma terceira e consideram-se muito coerentes. Com os produtos e serviços que consumimos ocorre o mesmo. Quantas vezes você viu um comercial, leu um folheto ou até recebeu uma ligação simpática oferecendo-lhe uma experiencia inesquecível com determinada marca?

Outro dia, recebi um material de divulgação bastante sedutor. Apresentava-me um empreendimento imobiliário localizado em bairro nobre e região ainda pouco explorada. O lançamento trazia ares de inovação e exclusividade. Meu nome havia sido selecionado para a inauguração, por me considerarem, assim também, vamos dizer “vip”. Além do folder de grafismo moderno, recebi um DVD com imagens de projetos similares em outros paises e um pen drive com algumas informações mais técnicas. Também havia uma taça linda de cristal com o nome do empreendimento e a letra “F”, de Fernando.

Com tantos estimulos emocionais, resolvi visitar o estande para entender melhor o que era realmente tudo isso que o projeto dizia ser. Ao chegar no local, me surpreendi com a quantidade de “vips” também abordados. Muitas taças identicas à minha, traziam “A”, “B”, “C”, um alfabeto todo de “prospects” ávidos por conhecer o ineditismo da obra. Confesso que nesse instante, lembrei-me novamente de “Salt” e da linda “big lips” Jolie que, ao longo da história, parece ser americana, depois russa, depois americana, deixando-nos confusos sobre sua real identidade.

Assim também são as ações de marketing imobiliário, ora relacionais, ora promocionais. No começo da sondagem, sentimo-nos únicos. Somos abordados pelo corretor amigo que nos reservou aquela oferta exclusiva, apresentada na véspera do lançamento. Precisamos decidir rápido, pois os melhores apartamentos “derretem” em horas.

Caracteristicas do produto são apresentados de maneira ousada. Chave eletrônica, piscinas com fundo transparente, elevadores com iluminação indireta e que disfarçam imperfeições da pele, enfim, tudo nos dirige a um ambiente de exclusividade e personalismo. Ações que motivam o relacionamento com o futuro e potencial cliente. Entretanto, no show-room, surge o lado promocional e massificado da ação. Bandeiras trêmulas nas calçadas, recepcionistas sorridentes, coqueteis multicoloridos em clima de avant-première que te remetem a uma noite do Oscar.

Sabemos que a quantidade de prospects leva-nos à qualidade de cliente compradores e que precisamos gerar barulho no empreendimento, de modo que o mesmo pareça bem-sucedido em vendas ou gere formadores de opinião e indicadores de outros clientes potenciais. No Brasil, costuma-se praticar o marketing direto de massa, ou seja, adota-se as ferramentas de comunicação dirigida como o e-mail marketing, as cartas ou o telemarketing em ações com pouca segmentação. Se a comunicação é dirigida, pressupõe um público-alvo mais específico. Se a ação é de massa, melhor adotar a TV, rádio, jornal, revista ou panfletagem. Desta forma conegue-se focar melhor a oferta ao target através de um roteiro de abordagem mais eficaz.

Angelina Jolie levou um cachê de 20 milhões de dólares para filmar Salt. Dispensou dublês e praticamente “rouba” todas as cenas do filme. Faça o mesmo. Conquiste uma grande audiência de clientes. Basta escolher a personagem certa e manter o script adequado e coerente, ao longo de toda a evolução comercial, da taça de cristal à entrega das chaves.

Para relembrar ou se ficou curioso sobre o filme Salt, assista ao trailer aqui.



(meu artigo, publicado no Blog Fernandez Mera)


Fonte: www.gestopole.com.br


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